Pedagogia Hospitalar 3
07 dez 2010 1 Comentário
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A
educação para crianças e adolescentes hospitalizados não é um fato
recente no Brasil. Estima-se que as classes hospitalares existam em
nosso país desde a década de 1950. Porém, é possível constatar na
literatura da área origens e períodos diversos de implantação desta
modalidade de ensino no país. Todavia, apesar das controvérsias
existentes, observam-se muitas práticas educativas que vêem sendo
realizadas há anos e são pouco conhecidas pela sociedade e pelo próprio
Estado.
Durante
décadas, as crianças e adolescentes hospitalizados foram silenciados em
relação ao direito à educação e eram tratados como se não fossem
sujeitos de direitos e necessidades. Nos hospitais públicos brasileiros
é possível encontrar o retrato das desigualdades sociais e da condição
de miséria que atingem milhares de pessoas desprivilegiadas social e
economicamente. A falta de saneamento básico, a fome, a desnutrição, as
doenças respiratórias e infecto-contagiosas, as patologias da infância,
os maus tratos, acidentes domésticos e acidentes originários da
violência urbana demonstram que as crianças e adolescentes, embora
protegidos pelas leis, encontram-se precariamente assistidos pelas
mesmas.
Esta
coletânea reúne educadores de diferentes regiões do país que há alguns
anos estão trabalhando na garantia e defesa dos direitos básicos para
estas crianças e adolescentes. Estes profissionais estão buscando
inserir nos hospitais o universo da cultura escolar. Desta maneira, ao
lado de injeções, seringas, soros e sofrimentos, estes professores
levam lápis, cadernos, tintas, diversão, alegria, cultura, lazer, arte
e educação para modificar e colorir os ambientes hospitalares. Também
realizam esforços para que estas práticas educativas sejam tratadas
como políticas de Estado e não fiquem a mercê de interesses e das
políticas dos governos locais.
Nesse
sentido é que o texto de Alessandra Barros, da Faculdade de Educação e
do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da
Bahia, foi escolhido para fazer a abertura deste Caderno. Suas
experiências de trabalho como professora hospitalar e pesquisadora na
área permitiram descrever as políticas públicas necessárias para
viabilização deste trabalho, até a configuração e organização dos
espaços físicos, das formas de construção dos currículos, seleção e
capacitação de profissionais. O texto apresenta sugestões do uso das
narrativas literárias no processo de capacitação profissional de
professores para as classes hospitalares.
O
artigo que Rejane Fontes, supervisora educacional da Prefeitura de São
Gonçalo, no Rio de Janeiro, elaborou conjuntamente com Vera
Vasconcellos, professora titular de Educação Infantil do Departamento
de Estudos da Infância e Programa de Pós-Graduação em Educação da
Faculdade de Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro,
apresenta as contribuições teóricas de Wallon e Vigotski sobre as
interações ocorridas entre as crianças hospitalizadas. O texto
apresenta situações que revelam quem são as crianças hospitalizadas,
seus desejos, medos, sentimentos e como ocorre a construção da
subjetividade no cenário hospitalar. As reflexões também possibilitam a
compreensão dos estados emocionais destas crianças e as dimensões da
ação pedagógica no hospital.
Na
seqüência, é apresentado o artigo de Terezinha Maria Cardoso, docente
do curso de Pedagogia do Centro de Ciências da Educação e Programa de
Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina. O
texto traz sua experiência como coordenadora de Projeto de Extensão e
Estágio Curricular obrigatório do curso de Pedagogia no hospital.
Terezinha descreve o grupo de estudos e projetos de pesquisa na
Universidade, voltado para o conhecimento da realidade das crianças e
adolescentes hospitalizados, bem como das suas condições de
escolarização. Estes projetos analisam as dificuldades da inserção do
pedagogo nas classes hospitalares, seus limites, possibilidades e as
relações destes profissionais com as escolas de origem das crianças e
adolescentes hospitalizados.
O
artigo escrito por Ercília de Paula, professora do Departamento de
Educação e Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade
Estadual de Ponta Grossa (PR), apresenta os desdobramentos que a
tecnologia possibilitou para crianças e adolescentes hospitalizados em
diferentes estados do Brasil: Maranhão, Paraná e Bahia. Neste texto, as
restrições do contexto hospitalar não representavam impedimentos para
que as crianças e adolescentes construíssem estratégias para diversão
neste cenário. O texto também objetiva discutir o conceito de crianças
e adolescentes hospitalizados como protagonistas infanto-juvenis.
Para
concluir esta coletânea, o artigo de Patrícia Torres, do Departamento
de Educação e Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná, em Curitiba, traz o trabalho
desenvolvido em um ambiente de aprendizagem virtual denominado Eurek@kids.
A
inserção deste ambiente virtual de aprendizagem promove a interação
entre diversos atores envolvidos no processo de escolarização de
crianças e adolescentes hospitalizados. Representa uma proposta
pedagógica diferenciada, na medida em que trabalha com o conceito de
aprendizagem colaborativa. É uma proposta interessante e inovadora para
professores e alunos.
Esperamos
que este Caderno, com os diferentes cenários educativos apresentados,
possa trazer aos interessados na área de educação dos hospitais
reflexões, propostas e contribuições para a construção de saberes e
práticas educativas tão necessárias às crianças e adolescentes
hospitalizados deste país. O Caderno também reflete as várias faces da
Pedagogia na contemporaneidade, dentre estas a inserção do pedagogo no
hospital.
Organizadoras:
ERCÍLIA MARIA ANGELI TEIXEIRA DE PAULA
Professora do Departamento de Educação e do Programa de Pós-Graduação
em Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG/PR)
ELIZETE LÚCIA MOREIRA MATOS
Professora do Departamento de Educação e do Programa de Pós-Graduação
em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)



fev 09, 2011 @ 16:02:03
Ótimo o artigo!!!Me ajudou bastante em meu TCC, agora como sou da Bahia estou a procura da história da pedagogia hospitalar na Bahia, tem como vc me ajudar Bia????