Falar bem em público se aprende na escola
07 dez 2010 Deixe um comentário
em Profª Bia Tags:falar em público, oralidade, oratória
Encontrei esse texto no site da Abril – Nova Escola e achei muito interessante, não podia deixar de dividir isso com voces que sempre me acompanham.
Boa degustação…
Quem não apresenta suas ideias com clareza
ou defende mal seus argumentos diante um grupo enfrenta problemas
tanto na sala de aula como na vida profissional. A escola, no
entanto, não tem se dedicado à questão como
deve. Embora o ensino da língua oral esteja previsto nos
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) há mais de uma
década, essa prática está longe de ser
prioridade. Ela é confundida com atividades de leitura em voz
alta e conversas informais, que não preparam para os contextos
de comunicação.
“Comunicar-se em
diferentes contextos é questão de inclusão
social, e é papel da escola ensinar isso”, explica
Claudio Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa da Secretaria
Municipal de Educação de São Paulo e
selecionador do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10. O que
todo professor precisa incluir em seu planejamento são os
chamados gêneros orais formais e públicos, que têm
características próprias, pois exigem preparação
e apresentam uma estrutura específica.
A língua
oral está organizada em gêneros (entrevistas, debates,
seminários e depoimentos) e o empenho do professor nas aulas
deve ser o mesmo dado aos gêneros escritos (contos, fábulas,
crônicas, notícias e outros). Assim como não há
um texto escrito sem propósito comunicativo, tampouco existe
uma só maneira de falar. É preciso criar contextos de
produção também para os gêneros do oral -
em que se determinam quem é o público, o que será
dito e como. “É isso que permite aos alunos se
apropriarem das noções, das técnicas e dos
instrumentos necessários ao desenvolvimento de suas
capacidades de expressão em situações de
comunicação”, explica Bernard Schneuwly, da
Universidade de Genebra, na Suíça, no livro Gêneros
Orais e Escritos na Escola.
A diferença entre a
língua falada e a língua escrita é uma questão
antiga. Até a década de 1980, elas eram consideradas
opostas. Enquanto a primeira aparecia como incompleta e imprecisa, a
segunda simbolizava formalismo e planejamento. Os debates recentes
apontam para um caminho bem diferente. “O oral e o escrito têm
pontos de contato maiores ou menores, conforme o gênero”,
defende Roxane Rojo, docente de pós-graduação em
Linguística Aplicada na Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp).
É necessário, portanto, ensinar a
preparação de situações de comunicação
oral com base num planejamento que requer quatro condições
didáticas: orientação da pesquisa, discussão
de modelos, análise de simulações ou ensaios e
indicação de formas de registro. Veja nas páginas
seguintes como desenvolvê-las na produção de
entrevistas, seminários e debates.
Beatriz Santomauro
Fonte: Revista Nova Escola
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