Pedagogia Hospitalar: Atuação do novo pedagogo

Este
artigo aborda o papel do pedagogo em instituições não
escolares – no caso, hospitais – a partir de uma breve
contextualização e de seu papel nos dias atuais. É
uma apresentação objetiva e simples que teve como base
pesquisas na internet sobre pedagogia hospitalar. Apesar da grande
quantidade de fontes para a pesquisa o foco foi dado aos artigos de
Wolf e Esteves. Para isso, abordamos o surgimento da Classe
Hospitalar e a atuação dos pedagogos neste ambiente nos
dias de hoje.

Esse
estudo nos serviu para compreender como a pedagogia pode ser eficaz
em diferentes ambientes, pois existem diversos lugares que necessitam
de auxílio não só médico, mas de auxílio
educativo.

Segundo
ESTEVES, com a Segunda – Guerra Mundial há o aparecimento de
crianças e adolescentes mutiladas e atingidas pela guerra de
alguma forma. Por essa razão, em 1935, Henri Sellier cria a
Classe Hospitalar com o objetivo de amenizar as dificuldades destes
indivíduos em relação à educação.

Em
1939, o cargo de Professor Hospitalar surge com o Ministério
da Educação na França. O seu objetivo é
mostrar que o espaço educativo não se restringe somente
ao ambiente escolar, mas a educação pode chegar à
lugares antes não viáveis.

Até
hoje muitos profissionais defendem a criação de Classes
Hospitalares, especialmente os médicos, pois sabem que o seu
envolvimento com o paciente, através de intervenções
e outros tipos de atividades, irá contribuir para a sua
melhora (em relação à doença) e o seu
contínuo desenvolvimento educativo.


A escola, enquanto espaço de socialização
de indivíduos, repentinamente deixa de existir para crianças
e adolescentes que possuem alguma deficiência ou são
acometidos por alguma doença grave e são obrigados a
passar grandes temporadas de internamento em hospitais, passando a
conviver com o isolamento, privado de amigos e às vezes até
mesmo esquecido por seus parentes. Por esse motivo se vê
privado de sua escolaridade, necessitando de um atendimento
educacional que lhe permita manter-se aprendendo, sem ruptura com o
processo de educação.

Para
WOLF, o serviço hospitalar, tradicionalmente, foi o espaço
de atuação exclusiva dos profissionais da área
da saúde. No entanto, a partir de meados do século XX,
o pedagogo pôde atuar em diversas áreas, de forma
terapêutica e educacional, passando a estabelecer vínculos
que se estabelecem na relação ensinar e aprender,
proporcionando uma melhoria de ensino para crianças que
necessitam de atendimento especial em ambientes não
convencionais, como a escola.

A
diversidade já se inicia na Universidade, na formação,
quando os diferentes tipos de ciências encontram-se nos mais
variados ambientes. Essa prática transdisciplinar traz para o
paciente tudo que há de mais avançado e a melhor
maneira de ter o indivíduo como sujeito inteiro, não só
uma parte dele.

Com
o intuito de haver uma melhor qualidade de vida para os pacientes em
período escolar, a Pedagogia Hospitalar utiliza a visão
humanística, olhando o ser como todo, com sua singularidade e
sua subjetividade, e não apenas um sintoma ou uma doença
aparente. Por isso, faz-se necessário a melhor capacitação
profissional, além de uma melhor estrutura para realizá-la.

Sentimentos
como medo e ansiedade são típicos em jovens e crianças
em processo hospitalar, mas a pedagogia hospitalar com profissionais
qualificados atenderá os pacientes de forma a desenvolver as
condições necessárias e adequadas para cada
jovem e para cada criança.

Wolf
diz que os pedagogos hospitalares têm como funções:
atuar nas unidades de internação, na ala de recreação
e no ambulatório, buscando atender de forma humanística
o paciente e a sua família – que também recebe o
auxílio dos profissionais que ali atuam.

As
principais atuações do pedagogo são atividades
lúdicas – que agem como forma de estratégias para a
motivação e recuperação do paciente no
hospital – com jogos, dramatizações, pinturas e
desenhos.

O
pedagogo atualmente é um novo profissional, pois deve ser
preparado não só para o ambiente escolar, mas para
diversos outros, como por exemplo, o ambiente hospitalar. Para isso,
é necessário – também – um mínimo de
sensibilidade, pois não haverá apenas um sintoma, uma
patologia, uma doença, mas haverá um ser humano em
desenvolvimento emocional, afetivo e cognitivo, que precisa de uma
orientação escolar no período em que se encontra
enfermo ou que se recupera de algum tipo de doença.

A
Pedagogia Hospitalar abrange não só o momento em que o
indivíduo requer cuidados médicos, mas requer também
cuidados afetivos, além das atividades escolares que são
imprescindíveis e necessárias a qualquer jovem e
criança.

Pudemos
perceber, também, que o pedagogo é um novo profissional
em busca da integração escolar seja qual for o
ambiente. Favorecendo ao bem – estar social e a melhor qualidade de
vida dos pacientes que em algum momento necessitam de auxílio
de profissionais das mais diversas áreas.


Alunas
autoras: Ana Carolina Cardoso e Sheila Rocha
Bandeira


Bibliografia:
ESTEVES. Cláudia R.
Pedagogia Hospitalar: um breve histórico. Em:
http://www.smec.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espaco-educacao-saude/classes-hospitalares/WEBARTIGOS/pedagogia%20hospitalar….pdf
Dia
de acesso: 24 de janeiro de 2010 às 18h39.

WOLF,
Rosângela Abreu do Prado. Pedagogia Hospitalar: a prática
do pedagogo em instituição não-escolar. Em:
http://www.uepg.br/revistaconexao/revista/edicao03/artigo11.pdf
Dia
de acesso: 24 de janeiro de 2010 às 19h30

Pedagogia Hospitalar 3

A
educação para crianças e adolescentes hospitalizados não é um fato
recente no Brasil. Estima-se que as classes hospitalares existam em
nosso país desde a década de 1950. Porém, é possível constatar na
literatura da área origens e períodos diversos de implantação desta
modalidade de ensino no país. Todavia, apesar das controvérsias
existentes, observam-se muitas práticas educativas que vêem sendo
realizadas há anos e são pouco conhecidas pela sociedade e pelo próprio
Estado.

Durante
décadas, as crianças e adolescentes hospitalizados foram silenciados em
relação ao direito à educação e eram tratados como se não fossem
sujeitos de direitos e necessidades. Nos hospitais públicos brasileiros
é possível encontrar o retrato das desigualdades sociais e da condição
de miséria que atingem milhares de pessoas desprivilegiadas social e
economicamente. A falta de saneamento básico, a fome, a desnutrição, as
doenças respiratórias e infecto-contagiosas, as patologias da infância,
os maus tratos, acidentes domésticos e acidentes originários da
violência urbana demonstram que as crianças e adolescentes, embora
protegidos pelas leis, encontram-se precariamente assistidos pelas
mesmas.

Esta
coletânea reúne educadores de diferentes regiões do país que há alguns
anos estão trabalhando na garantia e defesa dos direitos básicos para
estas crianças e adolescentes. Estes profissionais estão buscando
inserir nos hospitais o universo da cultura escolar. Desta maneira, ao
lado de injeções, seringas, soros e sofrimentos, estes professores
levam lápis, cadernos, tintas, diversão, alegria, cultura, lazer, arte
e educação para modificar e colorir os ambientes hospitalares. Também
realizam esforços para que estas práticas educativas sejam tratadas
como políticas de Estado e não fiquem a mercê de interesses e das
políticas dos governos locais.

Nesse
sentido é que o texto de Alessandra Barros, da Faculdade de Educação e
do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da
Bahia, foi escolhido para fazer a abertura deste Caderno. Suas
experiências de trabalho como professora hospitalar e pesquisadora na
área permitiram descrever as políticas públicas necessárias para
viabilização deste trabalho, até a configuração e organização dos
espaços físicos, das formas de construção dos currículos, seleção e
capacitação de profissionais. O texto apresenta sugestões do uso das
narrativas literárias no processo de capacitação profissional de
professores para as classes hospitalares.

O
artigo que Rejane Fontes, supervisora educacional da Prefeitura de São
Gonçalo, no Rio de Janeiro, elaborou conjuntamente com Vera
Vasconcellos, professora titular de Educação Infantil do Departamento
de Estudos da Infância e Programa de Pós-Graduação em Educação da
Faculdade de Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro,
apresenta as contribuições teóricas de Wallon e Vigotski sobre as
interações ocorridas entre as crianças hospitalizadas. O texto
apresenta situações que revelam quem são as crianças hospitalizadas,
seus desejos, medos, sentimentos e como ocorre a construção da
subjetividade no cenário hospitalar. As reflexões também possibilitam a
compreensão dos estados emocionais destas crianças e as dimensões da
ação pedagógica no hospital.

Na
seqüência, é apresentado o artigo de Terezinha Maria Cardoso, docente
do curso de Pedagogia do Centro de Ciências da Educação e Programa de
Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina. O
texto traz sua experiência como coordenadora de Projeto de Extensão e
Estágio Curricular obrigatório do curso de Pedagogia no hospital.
Terezinha descreve o grupo de estudos e projetos de pesquisa na
Universidade, voltado para o conhecimento da realidade das crianças e
adolescentes hospitalizados, bem como das suas condições de
escolarização. Estes projetos analisam as dificuldades da inserção do
pedagogo nas classes hospitalares, seus limites, possibilidades e as
relações destes profissionais com as escolas de origem das crianças e
adolescentes hospitalizados.

O
artigo escrito por Ercília de Paula, professora do Departamento de
Educação e Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade
Estadual de Ponta Grossa (PR), apresenta os desdobramentos que a
tecnologia possibilitou para crianças e adolescentes hospitalizados em
diferentes estados do Brasil: Maranhão, Paraná e Bahia. Neste texto, as
restrições do contexto hospitalar não representavam impedimentos para
que as crianças e adolescentes construíssem estratégias para diversão
neste cenário. O texto também objetiva discutir o conceito de crianças
e adolescentes hospitalizados como protagonistas infanto-juvenis.

Para
concluir esta coletânea, o artigo de Patrícia Torres, do Departamento
de Educação e Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia
Universidade Católica do Paraná, em Curitiba, traz o trabalho
desenvolvido em um ambiente de aprendizagem virtual denominado Eurek@kids.

A
inserção deste ambiente virtual de aprendizagem promove a interação
entre diversos atores envolvidos no processo de escolarização de
crianças e adolescentes hospitalizados. Representa uma proposta
pedagógica diferenciada, na medida em que trabalha com o conceito de
aprendizagem colaborativa. É uma proposta interessante e inovadora para
professores e alunos.

Esperamos
que este Caderno, com os diferentes cenários educativos apresentados,
possa trazer aos interessados na área de educação dos hospitais
reflexões, propostas e contribuições para a construção de saberes e
práticas educativas tão necessárias às crianças e adolescentes
hospitalizados deste país. O Caderno também reflete as várias faces da
Pedagogia na contemporaneidade, dentre estas a inserção do pedagogo no
hospital.




 

Organizadoras:
ERCÍLIA MARIA ANGELI TEIXEIRA DE PAULA
Professora do Departamento de Educação e do Programa de Pós-Graduação
em Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG/PR)

ELIZETE LÚCIA MOREIRA MATOS
Professora do Departamento de Educação e do Programa de Pós-Graduação
em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)

Pedagogia Hospitalar 4

FORMAÇÃO E PRÁTICA PEDAGÓGICA EM CLASSES
HOSPITALARES:
RESPEITANDO A CIDADANIA DE CRIANÇAS E JOVENS ENFERMOS


A
criação de classes escolares em hospitais é
resultado do reconhecimento formal de que crianças
hospitalizadas, independentemente do período de permanência
na instituição ou de outro fator qualquer, têm
necessidades educativas e direitos de cidadania, onde se inclui a
escolarização. 

Esse
não é fenômeno recente.  Fonseca e Ceccim
(1999) abordam o assunto e esclarecem que, a partir da segunda metade
do século XX, observou-se que, em países desenvolvidos,
como Inglaterra e Estados Unidos, orfanatos, asilos e instituições
que prestavam assistência a crianças violavam aspectos
básicos do desenvolvimento emocional das mesmas, por falta de
atendimento integral.  Concluiu-se igualmente que tais lacunas
apresentavam o risco de seqüelas as quais, na vida adulta,
poderiam evoluir para condições psiquiátricas
sérias. 

Decorreu
daí a iniciativa de implementar experiências educativas
para crianças e jovens internados em instituições
hospitalares.  Com o transcorrer do tempo, a providência
foi também incorporada a hospitais brasileiros, com idêntico
objetivo.

A
despeito da justiça social dessa iniciativa, verificamos que,
em nosso país, a escolarização de crianças
e adolescentes hospitalizados não tem merecido atenção
suficiente, por parte do poder público, seja em nível
municipal, estadual ou federal.  Na verdade, a ampliação
dessa modalidade de educação ainda é incipiente
em nosso país. 

No
âmbito das organizações da sociedade civil, temos
algumas indicações da preocupação com o
respeito aos direitos dessas crianças e adolescentes.  O
Departamento de Defesa dos Direitos da Criança, da Sociedade
Brasileira de Pediatria, através dos participantes na 27a
Assembléia Ordinária do Conselho Nacional de Defesa dos
Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), ocorrida em
Brasília, em 17 de outubro de 1995, elaborou um documento,
aprovado por unanimidade e transformado em Resolução no
41.  Entre os 20 itens que se referem aos  Direitos da
Criança e do Adolescente Hospitalizados encontra-se o de no
9, o qual preconiza: Direito a desfrutar de alguma forma de
recreação, programa de educação para a
saúde, acompanhamento do currículo escolar, durante sua
permanência hospitalar.

A
legislação brasileira reconhece o direito de crianças
e adolescentes hospitalizados ao atendimento pedagógico-educacional. 
A esse respeito, merece destaque a formulação da
Política Nacional de Educação Especial
(MEC/SEESP, 1994 e 1995).  Essa propõe que a educação
em hospital seja realizada através da organização
de classes hospitalares, devendo-se assegurar oferta educacional não
só aos pequenos pacientes com transtornos do desenvolvimento,
mas, também, às crianças e adolescentes em
situações de risco, como é o caso da internação
hospitalar (Fonseca,1999).  

As
providências mencionadas são muito importantes,
especialmente se considerarmos que, apesar de acometida por uma
enfermidade, a criança hospitalizada tem interesses, desejos,
sonhos e direitos de cidadania, como qualquer outra pessoa de sua
idade.

Dados
do I Encontro Nacional sobre Atendimento Pedagógico-Hospitalar
realizado no Rio de Janeiro em julho de 2000, indicam que no Brasil
existem 67 classes hospitalares em funcionamento e o município
do Rio de Janeiro contava com 11 dessas instituições em
atividade e 17 professores atuando, destacando-se, entre essas, a
classe hospitalar mais antiga ainda em funcionamento no Hospital
Municipal Jesus (hospital público infantil), que iniciou
oficialmente suas atividades em 14 de agosto de 1950.

Essas
onze classes hospitalares em atividade no Rio de Janeiro são
vinculadas à Secretaria Municipal de Educação e
contam com professoras concursadas pelo município.  Elas
constituem uma extensão da escola no hospital, isto é,
seguem o mesmo conteúdo didático sugerido pelo
município, atendendo crianças e jovens desde a Educação
Infantil até a quarta série do primeiro segmento do
ensino fundamental. Devido às condições de saúde
e peculiaridades do alunado atendido, desenvolvem percursos
individualizados, a partir de temas emanados do multieducação
- núcleo curricular básico do município.

Essas
instituições podem ser consideradas como espaços
não-formais de educação, uma vez que, como
definido por Fávero (1980), a educação
não-formal abrange qualquer tentativa educacional
organizada e sistemática que se realiza fora dos quadros do
sistema formal (de ensino), para fornecer determinados tipos
selecionados de aprendizagem (p.23).

Gohn
(1999 ) acrescenta que a educação não-formal
designa um processo com quatro campos de dimensões, entre
eles, um que abarca aprendizagem dos conteúdos da
escolarização formal, escolar, em espaços
diferenciados (pp. 98,99) – o que inclui a classe hospitalar.
Segundo a autora, no espaço de educação
não-formal existe a preocupação de se
transmitir os mesmos conteúdos da escola formal, entretanto
esse repasse é desenvolvido em espaços alternativos e
com metodologias e seqüências cronológicas
diferenciadas (p.102).

Em
pesquisa realizada em quatro classes hospitalares do município
do Rio de Janeiro com nove professoras participantes (Amaral, 2001),
os resultados indicam que, do ponto de vista da formação
acadêmica, predominou a formação universitária,
havendo significativa presença de pós-graduadas. Entre
as docentes, ficou claro o desejo de acesso a uma formação
mais consistente com as demandas do trabalho nesses ambientes, de
preferência no nível de especialização.
Compreender e respeitar essa reivindicação implica a
consciência de que, para atender à clientela de alunos
hospitalizados, são necessários conhecimentos sobre a
rotina hospitalar, medicamentos, diferentes tipos de enfermidades,
dentre outros aspectos que não constituem práticas
usuais de uma professora de escola regular e nem fazem parte do
currículo da formação para o magistério,
habitualmente. A ampliação das oportunidades de
aperfeiçoamento profissional poderá preencher lacunas
que a formação inicial docente deixou em aberto.

Não
se pode desconsiderar, conforme registro das entrevistadas, que pouco
se divulga sobre classes hospitalares no contexto universitário
e, durante a graduação, não se tem informação
sobre essa alternativa de prática docente.  Nessa linha
de pensamento, a possibilidade de continuar estudando após a
graduação (em um curso voltado para a área
pedagógico-hospitalar) só teria a acrescentar elementos
qualitativos à sua prática cotidiana. Para reforçar
essa proposta, recorremos às palavras das próprias
participantes:

A
gente está sempre em busca de conhecimento que venha a somar
para o nosso trabalho. A graduação deixa muito a
desejar em relação à Educação
Especial. A gente nem ouve falar em classe hospitalar”. Professora
E.

Um
curso de especialização voltado para essa temática,
a classe hospitalar, seria o ideal”. Professora C.

Dessa
maneira seria possível viabilizar a difusão de
experiências bem sucedidas, a busca cooperativa de solução
para problemas do cotidiano, além de contribuir para
aprofundar o conhecimento sistemático das peculiaridades que
permeiam a assistência multidisciplinar ou interdisciplinar a
ser prestada às criança ou adolescentes enfermos.

Por
outro lado, como referimos, caberia preencher lacunas em termos de
conhecimento científico sobre diferentes tipos de doenças,
procedimentos apropriados a cada grupo de clientes, buscando-se
sempre a contribuição integrada de enfoques como os da
Psicologia, Psiquiatria e Psicanálise, do Serviço
Social, da Didática e da Pedagogia, de especialistas em
ludoterapia, entre tantas outras áreas de fundamental
importância para o trabalho dos professores em classes
hospitalares.

Outra
proposta que poderia ser atendida pela formação no
nível de especialização em classes hospitalares,
ou do trabalho de planejamento cooperativo em serviço, seria o
preparo para a elaboração de um projeto
político-pedagógico coerente com as necessidades e
peculiaridades dessa clientela. Como em outras situações
análogas, é evidente que um trabalho de qualidade não
pode ficar à mercê do ensaio e erro ou restrito à
boa vontade e capacidade de solidariedade e dedicação
dos profissionais, por mais que esses aspectos sejam importantes. 

Nessa
perspectiva, as próprias universidades, no exercício da
função de extensão universitária,
poderiam promover experiências de apoio às instituições,
na formulação, acompanhamento e avaliação
da implementação de projetos político-pedagógicos
apropriados aos objetivos e funções das classes
hospitalares.

Também
se fazem necessários estudos que subsidiem a formulação
de diretrizes curriculares e metodologias de ensino-aprendizagem, a
serem desenvolvidas junto às crianças e adolescentes
que se encontram em situação particularmente
desafiadora e que precisam ter garantidos seus direitos de
cidadania. 

A
esse respeito, os resultados da pesquisa indicam que as professoras
desenvolvem importantes iniciativas no sentido de adequar o currículo
às demandas e necessidades do seu alunado.  Porém,
precisam de suporte pedagógico, diante da necessidade de pôr
em ação um currículo que atenda às
crianças e jovens com diferentes tipos de problemas de saúde
e que, por isso, têm permanência curta, média ou
de longa duração nas instituições
hospitalares.

A
prática pedagógica nesse espaço exige dos
profissionais envolvidos maior flexibilidade, por tratar-se de uma
clientela que se encontra em constante modificação,
tanto em relação ao número de crianças
que irão ser atendidas pelas professoras bem como no que diz
respeito ao tempo que cada uma delas permanecerá internada e
ainda o fato de serem crianças e jovens com diferentes
patologias, requisitando diferentes intervenções. 
Logo, a atuação na classe hospitalar requer compreensão
para a peculiaridade de que, mais do que em outras instituições,
não existe uma receita pronta, um planejamento perfeito, uma
cartilha de respostas a ser seguida, mas sim um desafio de se traçar,
a partir de temas geradores, percursos individualizados.

As
professoras recorrem, sempre que possível,  à
ajuda de acompanhantes das crianças, os quais precisam ser
preparados para manifestar atitude positiva e de confiança na
recuperação da saúde e/ou na adaptação
às limitações presentes, garantindo a qualidade
de vida.  Não há dúvida da importância
da parceria entre docentes e familiares, os quais desempenham
relevante papel, como elemento de apoio e cooperação na
preservação do equilíbrio possível entre
os pequenos pacientes.

No
que diz respeito aos profissionais de saúde envolvidos nesse
processo, ainda existem algumas dificuldades a serem ultrapassadas,
como o intercâmbio de informações acerca das
patologias das crianças e jovens, a socialização
do que está escrito nos prontuários ou ainda as
recomendações a serem seguidas, de acordo com a
enfermidade de cada paciente.

Acreditamos
que tais dificuldades, teoricamente, seriam facilmente transponíveis
e que poderão ser discutidas em seminários, reuniões
ou mesmo simples encontros desses profissionais, que num diálogo
franco e no trabalho cooperativo, poderiam avançar e apoiar-se
mutuamente.

Além
disso, os dados da pesquisa são eloqüentes no sentido de
esclarecer que as professoras têm plena consciência de
seu papel transformador nessa difícil realidade e acreditam na
afirmação da saúde e da vida das crianças
e jovens hospitalizados.

Para
concluir, vale assinalar que nossa permanência no campo e o
conseqüente envolvimento com as nove professoras e alunos das
classes hospitalares dos quatro hospitais proporcionaram muita
reflexão e esperança, além de convicções
sobre o potencial do trabalho pedagógico junto aos espaços
não convencionais, como é o caso das classes
hospitalares.  Ao mesmo tempo, pudemos inferir o quanto os
cursos de graduação em Educação têm
ficado à margem dessas alternativas… 

Diante
disso, são explicáveis as lacunas que afligem as
professoras e outros profissionais que desenvolvem atividades
técnico-pedagógicas e administrativas nesses espaços. 
Nessa linha de pensamento, a literatura analisada ao longo da
pesquisa é categórica quanto à sua
caracterização como eminentemente pedagógica. 
Decorre daí a premência de evitar o desenvolvimento de
propostas meramente recreativas ou assistencialistas, sob o rótulo
de classes hospitalares. 

Da
mesma forma, cumpre salientar a urgência de ampliação
da proposta das classes hospitalares a todas as instituições,
para garantir a cobertura universal de crianças e adolescentes
hospitalizados, de acordo com suas condições e
possibilidades.  Nossos resultados não deixam dúvidas
quanto à  importância desse trabalho e os
benefícios que ele traz não só para as crianças
e jovens hospitalizados, mas para as famílias, para o corpo
médico e para as professoras atuantes. 

Inferimos
igualmente, a partir de nossas observações, que as
professoras entrevistadas têm enorme amor pelo que fazem, sem
contudo perderem de vista a dimensão profissional.  Por
isso, buscam compartilhar com seus alunos a construção
de conhecimentos, orientada para o exercício da cidadania. 
Sob esse ponto de vista, exercem o que chamamos de pedagogia do
resgate: o resgate da saúde, a celebração da
vida. 

Lembramos
ainda que as universidades que mantêm hospitais universitários
para atendimento da população e prática
hospitalar de seus alunos da área da saúde, poderiam
incluir um projeto pedagógico-hospitalar, que teria potencial
de prática dos acadêmicos da área da Educação
e áreas como a psicologia, fonoaudiologia, enfermagem, serviço
social, entre outras. Além da ampliação da
abrangência da formação de futuros educadores
universitários, essa providência seria muito relevante
para as crianças e jovens hospitalizados.  Além
disso, constituiria enorme contribuição das
universidades, no cumprimento de sua função social,
respondendo a elevadas demandas da comunidade, promovendo um novo
campo de atuação para o exercício da cidadania.


 

A
criação de classes escolares em hospitais é
resultado do reconhecimento formal de que crianças
hospitalizadas, independentemente do período de permanência
na instituição ou de outro fator qualquer, têm
necessidades educativas e direitos de cidadania, onde se inclui a
escolarização. 

Esse
não é fenômeno recente.  Fonseca e Ceccim
(1999) abordam o assunto e esclarecem que, a partir da segunda metade
do século XX, observou-se que, em países desenvolvidos,
como Inglaterra e Estados Unidos, orfanatos, asilos e instituições
que prestavam assistência a crianças violavam aspectos
básicos do desenvolvimento emocional das mesmas, por falta de
atendimento integral.  Concluiu-se igualmente que tais lacunas
apresentavam o risco de seqüelas as quais, na vida adulta,
poderiam evoluir para condições psiquiátricas
sérias. 

Decorreu
daí a iniciativa de implementar experiências educativas
para crianças e jovens internados em instituições
hospitalares.  Com o transcorrer do tempo, a providência
foi também incorporada a hospitais brasileiros, com idêntico
objetivo.

A
despeito da justiça social dessa iniciativa, verificamos que,
em nosso país, a escolarização de crianças
e adolescentes hospitalizados não tem merecido atenção
suficiente, por parte do poder público, seja em nível
municipal, estadual ou federal.  Na verdade, a ampliação
dessa modalidade de educação ainda é incipiente
em nosso país. 

No
âmbito das organizações da sociedade civil, temos
algumas indicações da preocupação com o
respeito aos direitos dessas crianças e adolescentes.  O
Departamento de Defesa dos Direitos da Criança, da Sociedade
Brasileira de Pediatria, através dos participantes na 27a
Assembléia Ordinária do Conselho Nacional de Defesa dos
Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), ocorrida em
Brasília, em 17 de outubro de 1995, elaborou um documento,
aprovado por unanimidade e transformado em Resolução no
41.  Entre os 20 itens que se referem aos  Direitos da
Criança e do Adolescente Hospitalizados encontra-se o de no
9, o qual preconiza: Direito a desfrutar de alguma forma de
recreação, programa de educação para a
saúde, acompanhamento do currículo escolar, durante sua
permanência hospitalar.

A
legislação brasileira reconhece o direito de crianças
e adolescentes hospitalizados ao atendimento pedagógico-educacional. 
A esse respeito, merece destaque a formulação da
Política Nacional de Educação Especial
(MEC/SEESP, 1994 e 1995).  Essa propõe que a educação
em hospital seja realizada através da organização
de classes hospitalares, devendo-se assegurar oferta educacional não
só aos pequenos pacientes com transtornos do desenvolvimento,
mas, também, às crianças e adolescentes em
situações de risco, como é o caso da internação
hospitalar (Fonseca,1999).  

As
providências mencionadas são muito importantes,
especialmente se considerarmos que, apesar de acometida por uma
enfermidade, a criança hospitalizada tem interesses, desejos,
sonhos e direitos de cidadania, como qualquer outra pessoa de sua
idade.

Dados
do I Encontro Nacional sobre Atendimento Pedagógico-Hospitalar
realizado no Rio de Janeiro em julho de 2000, indicam que no Brasil
existem 67 classes hospitalares em funcionamento e o município
do Rio de Janeiro contava com 11 dessas instituições em
atividade e 17 professores atuando, destacando-se, entre essas, a
classe hospitalar mais antiga ainda em funcionamento no Hospital
Municipal Jesus (hospital público infantil), que iniciou
oficialmente suas atividades em 14 de agosto de 1950.

Essas
onze classes hospitalares em atividade no Rio de Janeiro são
vinculadas à Secretaria Municipal de Educação e
contam com professoras concursadas pelo município.  Elas
constituem uma extensão da escola no hospital, isto é,
seguem o mesmo conteúdo didático sugerido pelo
município, atendendo crianças e jovens desde a Educação
Infantil até a quarta série do primeiro segmento do
ensino fundamental. Devido às condições de saúde
e peculiaridades do alunado atendido, desenvolvem percursos
individualizados, a partir de temas emanados do multieducação
- núcleo curricular básico do município.

Essas
instituições podem ser consideradas como espaços
não-formais de educação, uma vez que, como
definido por Fávero (1980), a educação
não-formal abrange qualquer tentativa educacional
organizada e sistemática que se realiza fora dos quadros do
sistema formal (de ensino), para fornecer determinados tipos
selecionados de aprendizagem (p.23).

Gohn
(1999 ) acrescenta que a educação não-formal
designa um processo com quatro campos de dimensões, entre
eles, um que abarca aprendizagem dos conteúdos da
escolarização formal, escolar, em espaços
diferenciados (pp. 98,99) – o que inclui a classe hospitalar.
Segundo a autora, no espaço de educação
não-formal existe a preocupação de se
transmitir os mesmos conteúdos da escola formal, entretanto
esse repasse é desenvolvido em espaços alternativos e
com metodologias e seqüências cronológicas
diferenciadas (p.102).

Em
pesquisa realizada em quatro classes hospitalares do município
do Rio de Janeiro com nove professoras participantes (Amaral, 2001),
os resultados indicam que, do ponto de vista da formação
acadêmica, predominou a formação universitária,
havendo significativa presença de pós-graduadas. Entre
as docentes, ficou claro o desejo de acesso a uma formação
mais consistente com as demandas do trabalho nesses ambientes, de
preferência no nível de especialização.
Compreender e respeitar essa reivindicação implica a
consciência de que, para atender à clientela de alunos
hospitalizados, são necessários conhecimentos sobre a
rotina hospitalar, medicamentos, diferentes tipos de enfermidades,
dentre outros aspectos que não constituem práticas
usuais de uma professora de escola regular e nem fazem parte do
currículo da formação para o magistério,
habitualmente. A ampliação das oportunidades de
aperfeiçoamento profissional poderá preencher lacunas
que a formação inicial docente deixou em aberto.

Não
se pode desconsiderar, conforme registro das entrevistadas, que pouco
se divulga sobre classes hospitalares no contexto universitário
e, durante a graduação, não se tem informação
sobre essa alternativa de prática docente.  Nessa linha
de pensamento, a possibilidade de continuar estudando após a
graduação (em um curso voltado para a área
pedagógico-hospitalar) só teria a acrescentar elementos
qualitativos à sua prática cotidiana. Para reforçar
essa proposta, recorremos às palavras das próprias
participantes:

A
gente está sempre em busca de conhecimento que venha a somar
para o nosso trabalho. A graduação deixa muito a
desejar em relação à Educação
Especial. A gente nem ouve falar em classe hospitalar”. Professora
E.

Um
curso de especialização voltado para essa temática,
a classe hospitalar, seria o ideal”. Professora C.

Dessa
maneira seria possível viabilizar a difusão de
experiências bem sucedidas, a busca cooperativa de solução
para problemas do cotidiano, além de contribuir para
aprofundar o conhecimento sistemático das peculiaridades que
permeiam a assistência multidisciplinar ou interdisciplinar a
ser prestada às criança ou adolescentes enfermos.

Por
outro lado, como referimos, caberia preencher lacunas em termos de
conhecimento científico sobre diferentes tipos de doenças,
procedimentos apropriados a cada grupo de clientes, buscando-se
sempre a contribuição integrada de enfoques como os da
Psicologia, Psiquiatria e Psicanálise, do Serviço
Social, da Didática e da Pedagogia, de especialistas em
ludoterapia, entre tantas outras áreas de fundamental
importância para o trabalho dos professores em classes
hospitalares.

Outra
proposta que poderia ser atendida pela formação no
nível de especialização em classes hospitalares,
ou do trabalho de planejamento cooperativo em serviço, seria o
preparo para a elaboração de um projeto
político-pedagógico coerente com as necessidades e
peculiaridades dessa clientela. Como em outras situações
análogas, é evidente que um trabalho de qualidade não
pode ficar à mercê do ensaio e erro ou restrito à
boa vontade e capacidade de solidariedade e dedicação
dos profissionais, por mais que esses aspectos sejam importantes. 

Nessa
perspectiva, as próprias universidades, no exercício da
função de extensão universitária,
poderiam promover experiências de apoio às instituições,
na formulação, acompanhamento e avaliação
da implementação de projetos político-pedagógicos
apropriados aos objetivos e funções das classes
hospitalares.

Também
se fazem necessários estudos que subsidiem a formulação
de diretrizes curriculares e metodologias de ensino-aprendizagem, a
serem desenvolvidas junto às crianças e adolescentes
que se encontram em situação particularmente
desafiadora e que precisam ter garantidos seus direitos de
cidadania. 

A
esse respeito, os resultados da pesquisa indicam que as professoras
desenvolvem importantes iniciativas no sentido de adequar o currículo
às demandas e necessidades do seu alunado.  Porém,
precisam de suporte pedagógico, diante da necessidade de pôr
em ação um currículo que atenda às
crianças e jovens com diferentes tipos de problemas de saúde
e que, por isso, têm permanência curta, média ou
de longa duração nas instituições
hospitalares.

A
prática pedagógica nesse espaço exige dos
profissionais envolvidos maior flexibilidade, por tratar-se de uma
clientela que se encontra em constante modificação,
tanto em relação ao número de crianças
que irão ser atendidas pelas professoras bem como no que diz
respeito ao tempo que cada uma delas permanecerá internada e
ainda o fato de serem crianças e jovens com diferentes
patologias, requisitando diferentes intervenções. 
Logo, a atuação na classe hospitalar requer compreensão
para a peculiaridade de que, mais do que em outras instituições,
não existe uma receita pronta, um planejamento perfeito, uma
cartilha de respostas a ser seguida, mas sim um desafio de se traçar,
a partir de temas geradores, percursos individualizados.

As
professoras recorrem, sempre que possível,  à
ajuda de acompanhantes das crianças, os quais precisam ser
preparados para manifestar atitude positiva e de confiança na
recuperação da saúde e/ou na adaptação
às limitações presentes, garantindo a qualidade
de vida.  Não há dúvida da importância
da parceria entre docentes e familiares, os quais desempenham
relevante papel, como elemento de apoio e cooperação na
preservação do equilíbrio possível entre
os pequenos pacientes.

No
que diz respeito aos profissionais de saúde envolvidos nesse
processo, ainda existem algumas dificuldades a serem ultrapassadas,
como o intercâmbio de informações acerca das
patologias das crianças e jovens, a socialização
do que está escrito nos prontuários ou ainda as
recomendações a serem seguidas, de acordo com a
enfermidade de cada paciente.

Acreditamos
que tais dificuldades, teoricamente, seriam facilmente transponíveis
e que poderão ser discutidas em seminários, reuniões
ou mesmo simples encontros desses profissionais, que num diálogo
franco e no trabalho cooperativo, poderiam avançar e apoiar-se
mutuamente.

Além
disso, os dados da pesquisa são eloqüentes no sentido de
esclarecer que as professoras têm plena consciência de
seu papel transformador nessa difícil realidade e acreditam na
afirmação da saúde e da vida das crianças
e jovens hospitalizados.

Para
concluir, vale assinalar que nossa permanência no campo e o
conseqüente envolvimento com as nove professoras e alunos das
classes hospitalares dos quatro hospitais proporcionaram muita
reflexão e esperança, além de convicções
sobre o potencial do trabalho pedagógico junto aos espaços
não convencionais, como é o caso das classes
hospitalares.  Ao mesmo tempo, pudemos inferir o quanto os
cursos de graduação em Educação têm
ficado à margem dessas alternativas… 

Diante
disso, são explicáveis as lacunas que afligem as
professoras e outros profissionais que desenvolvem atividades
técnico-pedagógicas e administrativas nesses espaços. 
Nessa linha de pensamento, a literatura analisada ao longo da
pesquisa é categórica quanto à sua
caracterização como eminentemente pedagógica. 
Decorre daí a premência de evitar o desenvolvimento de
propostas meramente recreativas ou assistencialistas, sob o rótulo
de classes hospitalares. 

Da
mesma forma, cumpre salientar a urgência de ampliação
da proposta das classes hospitalares a todas as instituições,
para garantir a cobertura universal de crianças e adolescentes
hospitalizados, de acordo com suas condições e
possibilidades.  Nossos resultados não deixam dúvidas
quanto à  importância desse trabalho e os
benefícios que ele traz não só para as crianças
e jovens hospitalizados, mas para as famílias, para o corpo
médico e para as professoras atuantes. 

Inferimos
igualmente, a partir de nossas observações, que as
professoras entrevistadas têm enorme amor pelo que fazem, sem
contudo perderem de vista a dimensão profissional.  Por
isso, buscam compartilhar com seus alunos a construção
de conhecimentos, orientada para o exercício da cidadania. 
Sob esse ponto de vista, exercem o que chamamos de pedagogia do
resgate: o resgate da saúde, a celebração da
vida. 

Lembramos
ainda que as universidades que mantêm hospitais universitários
para atendimento da população e prática
hospitalar de seus alunos da área da saúde, poderiam
incluir um projeto pedagógico-hospitalar, que teria potencial
de prática dos acadêmicos da área da Educação
e áreas como a psicologia, fonoaudiologia, enfermagem, serviço
social, entre outras. Além da ampliação da
abrangência da formação de futuros educadores
universitários, essa providência seria muito relevante
para as crianças e jovens hospitalizados.  Além
disso, constituiria enorme contribuição das
universidades, no cumprimento de sua função social,
respondendo a elevadas demandas da comunidade, promovendo um novo
campo de atuação para o exercício da cidadania.



Daniela Patti do Amaral
(
Mestra
em Educação pela Universidade Estácio de Sá – Brasil)

Dr.ª Maria Teresinha Pereira e Silva -


(Professora do Mestrado em Educação e Direito da Universidade Estácio de
Sá – Brasil)

Pedagogia Hospitalar 2

Classes Hospitalares e o direito à educação

A concepção de classes escolares em
hospitais é conseqüência da importância formal de que crianças
hospitalizadas, independentemente do período de permanência no
estabelecimento, têm necessidades educativas e direitos de cidadania,
onde se abrange a escolarização. A Educação é direito de todos e dever
do Estado e da família. O direito a educação se expressa como direito à
aprendizagem e a escolarização.

O artigo 214 da Constituição Federal afirma que as ações do Poder
Público devem conduzir à universalização do atendimento escolar. A Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional assegura que o Poder Público
criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino
(art. 5º § 5º), podendo organizar-se de diferentes formas para garantir
o processo de aprendizagem (art 23).

A escola, é o lugar fundamental para o encontro do educando com o saber
sistematizado. Porém para possibilitar o acompanhamento pedagógico e
educacional e garantir a continuidade do procedimento escolar de
crianças e jovens do ensino regular, garantindo a conservação da
conexão com a escola de origem, através de um currículo flexibilizado e
adaptado da ação docente, a Secretaria de Educação em convênio firmado
com a Secretaria de Saúde criou um programa de acolhimento diferenciado
às crianças e jovens, internados em Hospitais, que necessitam de
acompanhamento educacional especial, para que os mesmos não percam a
ligação com a escola, oferecendo atendimento sistemático e
diferenciado, no âmbito da Educação Básica, individual ou coletivo em
Classe Hospitalar ou no leito, conforme a necessidade do educando que
se encontra incapaz de freqüentar a escola provisoriamente. Além de um
ambiente próprio para a Classe Hospitalar, o acompanhamento poderá ser
feito na enfermaria, no leito ou no quarto de isolamento, uma vez que
as restrições conferidas ao educando por sua condição clínica ou de
tratamento assim requeiram.

Para atuar em Classes Hospitalares, o professor deverá estar habilitado
para trabalhar com diversidade humana e diferentes experiências
culturais, identificando as necessidades educacionais especiais dos
educandos impedidos de freqüentar a escola, decidindo e inserindo
modificações e adaptações curriculares em um processo flexibilizador de
ensino/aprendizagem . O professor deverá ter a formação pedagógica,
preferencialmente em Educação Especial ou em curso de Pedagogia e terá
direito ao adicional de insalubridade.

A legislação brasileira reconhece o direito de crianças e adolescentes
hospitalizados ao acompanhamento pedagógico-educacional. (Política
Nacional de Educação Especial (MEC/SEESP, 1994 e 1995). Essa propõe que
a educação em hospital seja realizada através da organização de classes
hospitalares, devendo-se assegurar oferta educacional não só aos
pequenos pacientes com transtornos do desenvolvimento, mas, também, às
crianças e adolescentes em situações de risco, como é o caso da
internação hospitalar (Fonseca,1999). ).

A prática pedagógica nesse lócus de atendimento exige dos profissionais
da educação maior flexibilidade, em relação ao número de crianças que
irão ser atendidas , assim como ao período que cada uma delas
permanecerá internada, bem como às diferentes patologias. Para este
atendimento não existe uma receita pronta, constituindo-se em um
desafio a ser alcançado. As professoras devem buscar parceria com os
familiares, que exercem proeminente papel, como figura de apoio e
cooperação no sucesso da qualidade do ensino/aprendizagem e na
qualidade de vida.


Referencias:Direitos da criança e do adolescente hospitalizados. Diário Oficial, Brasília, 17 out. 1995. Seção 1, pp. 319-320.

Autora: Amelia Hamze
Educadora
Profª UNIFEB/CETEC e FISO – Barretos

Falar bem em público se aprende na escola

Encontrei esse texto no site da Abril – Nova Escola e achei muito interessante, não podia deixar de dividir isso com voces que sempre me acompanham.

Boa degustação…

Quem não apresenta suas ideias com clareza
ou defende mal seus argumentos diante um grupo enfrenta problemas
tanto na sala de aula como na vida profissional. A escola, no
entanto, não tem se dedicado à questão como
deve. Embora o ensino da língua oral esteja previsto nos
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) há mais de uma
década, essa prática está longe de ser
prioridade. Ela é confundida com atividades de leitura em voz
alta e conversas informais, que não preparam para os contextos
de comunicação.

“Comunicar-se em
diferentes contextos é questão de inclusão
social, e é papel da escola ensinar isso”, explica
Claudio Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa da Secretaria
Municipal de Educação de São Paulo e
selecionador do Prêmio Victor Civita – Educador Nota 10. O que
todo professor precisa incluir em seu planejamento são os
chamados gêneros orais formais e públicos, que têm
características próprias, pois exigem preparação
e apresentam uma estrutura específica.

A língua
oral está organizada em gêneros (entrevistas, debates,
seminários e depoimentos) e o empenho do professor nas aulas
deve ser o mesmo dado aos gêneros escritos (contos, fábulas,
crônicas, notícias e outros). Assim como não há
um texto escrito sem propósito comunicativo, tampouco existe
uma só maneira de falar. É preciso criar contextos de
produção também para os gêneros do oral -
em que se determinam quem é o público, o que será
dito e como. “É isso que permite aos alunos se
apropriarem das noções, das técnicas e dos
instrumentos necessários ao desenvolvimento de suas
capacidades de expressão em situações de
comunicação”, explica Bernard Schneuwly, da
Universidade de Genebra, na Suíça, no livro Gêneros
Orais e Escritos na Escola
.

A diferença entre a
língua falada e a língua escrita é uma questão
antiga. Até a década de 1980, elas eram consideradas
opostas. Enquanto a primeira aparecia como incompleta e imprecisa, a
segunda simbolizava formalismo e planejamento. Os debates recentes
apontam para um caminho bem diferente. “O oral e o escrito têm
pontos de contato maiores ou menores, conforme o gênero”,
defende Roxane Rojo, docente de pós-graduação em
Linguística Aplicada na Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp).

É necessário, portanto, ensinar a
preparação de situações de comunicação
oral com base num planejamento que requer quatro condições
didáticas: orientação da pesquisa, discussão
de modelos, análise de simulações ou ensaios e
indicação de formas de registro. Veja nas páginas
seguintes como desenvolvê-las na produção de
entrevistas, seminários e debates.


Beatriz Santomauro

Fonte: Revista Nova Escola

Leia  o restante do artigo  em Nova Escola


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