Retratos da Leitura no Brasil
03 jun 2010 Deixe um comentário
em Profª Bia Tags:resenha, retratos da leitura no brasil
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Está é uma resenha da obra “Retratos da Leitura no Brasil”, que se tornou
referência como o primeiro e único estudo em âmbito nacional sobre o desempenho
do leitor brasileiro. Seu objetivo é ampliar discussões que contribuam para formação
de políticas e ações efetivas a fim de fornecer, efetivamente, subsídios para a
edificação de um país de leitores.
A pesquisa de Maria Antonieta da Cunha mostra
que houve um aumento considerável no índice de leitura no Brasil. Preocupada
com a continuação dessa evolução da leitura a autora acredita que se os
responsáveis diretos e indiretos (autores, ilustradores, editoras,
divulgadores, livrarias, mediadores de leitura (dentro ou fora de escolas e
bibliotecas), pesquisadores, gestores do poder público ou não), precisam se
preocupar mais com uma política de leitura no país.
Como a autora tem consciência do chão que
ainda temos que percorrer até atingirmos os níveis mais descentes ela usa o
termo cadeia sugerindo “um trabalho
pensado, planejado, executado de maneira parceira, uma ação integrada, tendo
sempre como alvo esse bem comum que nos une: a promoção da leitura.”
Contudo, ela afirma que há uma expressiva
faixa da população que desconhece ou conhece muito pouco os materiais de leitura.
Isso se deve pelo fato das dificuldades de acesso aos materiais de leitura, em
especial o livro, ou por outro lado quando se tem, falta o dinamismo motivado
que leva o leitor a ligar-se a leitura, fazendo-o preferir os meios de
comunicação eletrônicos.
Dentro dos dados relacionados em
percentuais descritos a pesquisa vem relatando os várias problemas que dizem
respeito a habilidades que são formadas no processo educacional que resultam os
altos níveis números dos não-leitores: analfabetos e têm até a 4ª série, faixa
em que as práticas de leitura ainda não estão consolidadas; poder aquisitivo
que é algo relevante para a constituição de leitores assíduos; má formação das
habilidades necessárias à leitura e falta de formação e aperfeiçoamento de
professores de língua portuguesa e mediadores de leitura.
Todos os dados da pesquisa apontam que o
papel de desenvolvedor de leitores é a escola e que ela precisa energizar sua
ação em todas as gerências relacionadas ao gosto pela leitura e para isso é
urgente que esses profissionais/educadores se afinem como mediadores de
leitura, e não apenas leitores enquanto estudantes mas leitores para toda a
vida, mesmo após o término dos estudos.
Entretanto, várias são as alegações para
essa quantidade de não-leitores podemos citar: as bibliotecas atuais que não se
tornam atrativas por variadas situações inclusive de despreparo, pode
aquisitivo, falta de “pontos de vendas”.
A pesquisa ainda trás uma avaliação das
regiões colocando a norte e nordeste com as regiões de menor quantitativo de
leitores e incluindo a região centro-oeste o MEC vem implantando projetos para
sanar esses problemas e com maior quantitativo a região Sul seguida da sudeste.
Entretanto, para garantir com otimismo a
pesquisa, Maria Antonieta da Cunha, encerra afirmando que de acordo com os
entrevistados o professor é o que mais tem lido para seus alunos e que o número
vem cada vez menor em relação a pergunta sobre quem influenciou o entrevistado
sobre seu gosto pela leitura e a resposta foi “ninguém”.
Nos levantamentos gráficos da pesquisa
realizada vale destacar quem são os leitores de livros no Brasil o os leitores
de livros no Brasil: 95,6 milhões (55% da população estudada) declaram ter lido
pelo menos 1 livro nos últimos 3 meses (outros 6 milhões leram em meses
anteriores e não foram computados); 47,4 milhões (50%) dos leitores são
estudantes que lêem livros indicados pelas escolas (inclusive didáticos); 6,9
milhões(7%) dos leitores estavam lendo a Bíblia; outros 41,1 milhões que não
são estudantes: 7,3 milhões têm até 4ª série do E. Fund. (9% desse grupo); 10,6
milhões têm de 5ª a 8ª série do E. Fund. (27% desse grupo); 14,9 milhões têm o
Ensino Médio(37% desse grupo) e 8,5 milhões têm Ensino Superior (55% desse grupo).
55% são mulheres e para encerrar, no que reitero, ser importante, a infância e
a adolescência são lembradas como o período em que as pessoas mais liam o que
demonstra claramente que a formação de leitores se faz nessa fase da vida e que
consolida que a escola tem um papel fundamental na preparação de leitores.
Não acho difícil entender a dificuldade
na formação de pessoas para a leitura, os motivos são abrangentes: a falta de
tempo, o desinteresse, falta de motivação, falta da necessidade, falta de hábitos
e outros, estão intrinsecamente relacionados
a cultura familiar e escolar. E essas situações vêm se engendrando com a
explosão dos meios eletrônicos virtuais, que levam a busca dinâmica das imagens
e sons de tal forma, que vem enfraquecendo cada vez mais a leitura que não é
algo dinâmico.
Como barrar um mecanismo dinâmico como a
televisão e o computador em função da leitura que exige comportamento passivo?
Precisamos estudar melhor esses mecanismos e a repercussão deles na vida dos brasileiros
não leitores e partir dessa prerrogativa para buscarmos soluções para essas
inquietações inerentes a formação de cidadãos ledores.
Assim como os professores, sabemos que a
família também não tem formação necessária para formar leitores em casa, ela
cresceu numa geração de não leitores, tornou-se um, e se a família não lê também
estará prevalecendo a camada influenciadora a não-leitura.
Então, onde aprender essa importância? Na
escola. Mas a escola não dispõe de preparo para incentivo da leitura. Como fica
nosso papel nessa problemática histórica neste país de não leitores, papel de
coadjuvantes que lêem as pesquisas, parafraseiam e entregam os trabalhos
acadêmicos ou protagonistas que buscam em seu dia-a-dia contribuir com a
leitura lendo aos filhos e ou alunos?
Enfim, acredito que precisamos fazer de
nosso tempo livre, mesmo que seja mínimo, um tempo para leitura para nós e/ou
para o outro, estudando e pesquisando processos, metodologias e assim nos
preparando para preparar uma futura nação de leitores.



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