Pedagogia Hospitalar – Ensino nas horas difíceis

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Às vésperas
de entrar no Ensino Fundamental, o pequeno índio wapixana Frank Silva ficou
doente. Teve um câncer diagnosticado e precisou sair de Roraima, onde morava,
para buscar ajuda especializada. Não foi esse imprevisto – nem a forte
medicação que vem tomando – que o deixou fora da escola. Matriculado desde o
começo do tratamento em uma classe dentro do Hospital do Câncer, ele não só foi
a
lfabetizado como já está na 2ª série.


Frank Silva é uma das 65 956 crianças que estudaram em salas adaptadas ou no próprio
leito em 2007, segundo o Censo Escolar do Institut
o Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Apesar do públi
co numeroso, a
modalidade ainda não é uma realidade em todo o território nacional. O próprio Ministério
da Educação (MEC) reconhece que há carências graves pelo país – são apenas 850
hospitais oferecendo o atendimento, em um universo de quase 8 mil unidades.


Frank Silva



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Qual o
benefício das classes hospitalares?

 

Além de
permitir que o aluno internado não perca tempo nos estudos e continue
acompanhando o currículo de sua escola, as atividades nas classes hospitalares
são apontadas por estudos como aliadas da recuperação clínica dos estudantes.
Uma pesquisa conduzida pela professora Izabel Cristina Silva Moura, do
Instituto Helena Antipoff, vinculado à Secretaria Municipal de Educação do Rio
de Janeiro, acompanhou 50 crianças por um mês em três hospitais diferentes da
cidade. Ela observou que o grupo que assistia às aulas teve níveis de estresse
menores do que os que não passavam pelo atendimento, de acordo com uma escala
especial para esse tipo de análise.

Informalmente, essa também é uma constatação diária das educadoras que
trabalham com jovens doentes. Em 2000, conta a professora Rosemary Hilário, do
Hospital do Câncer, a prefeitura de São Paulo deu férias coletivas para todos
os docentes, inclusive os que não atuavam nas unidades regulares. Até então, a
classe de lá ficava aberta nas férias. Durante o recesso, os médicos que
cuidavam dos estudantes internados relataram que as crianças usaram o dobro de
analgésicos. “E, quando eram perguntadas sobre as dores, elas não sabiam
responder”, lembra. “Achamos que isso foi causado pelo ócio. Os
alunos precisam se ocupar, esquecer que estão numa situação delicada”,
diz. Desde então, a classe fica aberta o ano todo, com esquema de revezamento
entre os professores no período de festas.

 

Como um
estudante internado deve exigir aulas?

 

Na prática,
é a equipe médica que deve acionar as secretarias de Educação assim que um
estudante da rede pública dá entrada com alguma doença severa (para os oriundos
da particular, é a própria escola que deve providenciar o serviço). Em alguns
estados e municípios, já existe inclusive um quadro de docentes previamente
concursados e preparados para a função, e é junto a esses órgãos que interessados
no emprego devem procurar orientações. “Cabe aos governos locais oferecer
a mão-de-obra e as capacitações necessárias. Tudo para que o aluno se atrase o
mínimo possível no ritmo de sua turma original”, diz Martinha Dutra dos
Santos, coordenadora-geral da Secretaria de Educação Especial do MEC.

 

Como são as
classes hospitalares?

 

Apesar de
ser chamada tecnicamente de classe, a aula é individual, nos leitos ou em salas
cedidas pela unidade de Saúde. Diferentemente de uma escola regular (onde é
possível fazer atividades de longa duração), cada tarefa precisa ter início,
meio e fim no mesmo dia. “É um ritmo estranho. Eu posso planejar tudo hoje
e, amanhã, o estudante recebe alta. Daí eu tenho de fazer coisas novas para
outra criança que acabou de chegar”, conta a professora Geane Yada, do
Hospital Darcy Vargas, em
São Paulo.

 

Como é a
carga horária das aulas?

 

A carga
horária também é diferente das escolas, claro. O educador pode iniciar uma
conversa e, em instantes, ter de parar devido a uma indisposição. O indicado é
que o aluno consiga ter o mesmo conteúdo e a mesma carga horária da escola. Mas,
com o sobe-e-desce do tratamento, isso nem sempre é possível.




FONTE: http://educarparacrescer.abril.com.br/politica-publica/classe-hospital-450030.shtml#


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