Pedagogia Hospitalar – ano letivo

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Professores
dão aulas em hospitais

Para evitar
que as crianças percam o ano letivo por causa de internação hospitalar,
professores de Sergipe vão até os hospitais para repor as aulas. Os educadores
do projeto “Classe Hospitalar – O anjo linguarudo de asas quebradas quer
voar” narram fábulas e contos da literatura infantil enfocando os
conteúdos curriculares. Com isso, estimulam o desenvolvimento do raciocínio,
trabalham valores como a coragem e a auto-confiança, além da leitura e produção
de texto.

Usando
desses recursos, é possível abordar conteúdos da língua portuguesa, matemática
e ciências. Atendemos crianças da pré-escola à 8º série de forma lúdica, mas
sem perder contato com o que está sendo trabalhado na sala de aula de seu
colégio. É um direito dessas crianças receber assistência educacional onde quer
que estejam,” diz a coordenadora do projeto, Gileide Lessa.

Para que
isso aconteça, o planejamento das aulas é feito de acordo com a série e o
currículo escolar do enfermo. Todos os dias, eles têm quatro horas de aulas num
acompanhamento individual e em turmas, conforme a necessidade de cada um.
Quando o paciente recebe alta hospitalar, um relatório é encaminhado para o
colégio sobre os conteúdos trabalhados com aquela criança. Dessa forma, o aluno
pode continuar acompanhando os colegas da turma.

De acordo
com o último levantamento feito pelo projeto em 2004, 79 crianças – a maioria
proveniente da zona rural – internadas no hospital foram atendidas. O projeto
piloto funciona há três anos e deve ser estendido a outras unidades
hospitalres.

 ”Sabemos
que o internamento, principalmente em casos muito graves, transforma a vida das
crianças. Acredito que o projeto colabora muito para melhoria da auto-estima e
para que eles não se sintam abandonados. Além da ajuda educacional procuramos
sempre manter os pais por perto e dar muito carinho e atenção a eles para que
se sintam valorizados e respeitados,” conta.

 



Autora: Karina
Costa

FONTE: http://aprendiz.uol.com.br/content/dretochede.mmp

 

Pedagogia Hospitalar – Ensino nas horas difíceis

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Às vésperas
de entrar no Ensino Fundamental, o pequeno índio wapixana Frank Silva ficou
doente. Teve um câncer diagnosticado e precisou sair de Roraima, onde morava,
para buscar ajuda especializada. Não foi esse imprevisto – nem a forte
medicação que vem tomando – que o deixou fora da escola. Matriculado desde o
começo do tratamento em uma classe dentro do Hospital do Câncer, ele não só foi
a
lfabetizado como já está na 2ª série.


Frank Silva é uma das 65 956 crianças que estudaram em salas adaptadas ou no próprio
leito em 2007, segundo o Censo Escolar do Institut
o Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Apesar do públi
co numeroso, a
modalidade ainda não é uma realidade em todo o território nacional. O próprio Ministério
da Educação (MEC) reconhece que há carências graves pelo país – são apenas 850
hospitais oferecendo o atendimento, em um universo de quase 8 mil unidades.


Frank Silva



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Qual o
benefício das classes hospitalares?

 

Além de
permitir que o aluno internado não perca tempo nos estudos e continue
acompanhando o currículo de sua escola, as atividades nas classes hospitalares
são apontadas por estudos como aliadas da recuperação clínica dos estudantes.
Uma pesquisa conduzida pela professora Izabel Cristina Silva Moura, do
Instituto Helena Antipoff, vinculado à Secretaria Municipal de Educação do Rio
de Janeiro, acompanhou 50 crianças por um mês em três hospitais diferentes da
cidade. Ela observou que o grupo que assistia às aulas teve níveis de estresse
menores do que os que não passavam pelo atendimento, de acordo com uma escala
especial para esse tipo de análise.

Informalmente, essa também é uma constatação diária das educadoras que
trabalham com jovens doentes. Em 2000, conta a professora Rosemary Hilário, do
Hospital do Câncer, a prefeitura de São Paulo deu férias coletivas para todos
os docentes, inclusive os que não atuavam nas unidades regulares. Até então, a
classe de lá ficava aberta nas férias. Durante o recesso, os médicos que
cuidavam dos estudantes internados relataram que as crianças usaram o dobro de
analgésicos. “E, quando eram perguntadas sobre as dores, elas não sabiam
responder”, lembra. “Achamos que isso foi causado pelo ócio. Os
alunos precisam se ocupar, esquecer que estão numa situação delicada”,
diz. Desde então, a classe fica aberta o ano todo, com esquema de revezamento
entre os professores no período de festas.

 

Como um
estudante internado deve exigir aulas?

 

Na prática,
é a equipe médica que deve acionar as secretarias de Educação assim que um
estudante da rede pública dá entrada com alguma doença severa (para os oriundos
da particular, é a própria escola que deve providenciar o serviço). Em alguns
estados e municípios, já existe inclusive um quadro de docentes previamente
concursados e preparados para a função, e é junto a esses órgãos que interessados
no emprego devem procurar orientações. “Cabe aos governos locais oferecer
a mão-de-obra e as capacitações necessárias. Tudo para que o aluno se atrase o
mínimo possível no ritmo de sua turma original”, diz Martinha Dutra dos
Santos, coordenadora-geral da Secretaria de Educação Especial do MEC.

 

Como são as
classes hospitalares?

 

Apesar de
ser chamada tecnicamente de classe, a aula é individual, nos leitos ou em salas
cedidas pela unidade de Saúde. Diferentemente de uma escola regular (onde é
possível fazer atividades de longa duração), cada tarefa precisa ter início,
meio e fim no mesmo dia. “É um ritmo estranho. Eu posso planejar tudo hoje
e, amanhã, o estudante recebe alta. Daí eu tenho de fazer coisas novas para
outra criança que acabou de chegar”, conta a professora Geane Yada, do
Hospital Darcy Vargas, em
São Paulo.

 

Como é a
carga horária das aulas?

 

A carga
horária também é diferente das escolas, claro. O educador pode iniciar uma
conversa e, em instantes, ter de parar devido a uma indisposição. O indicado é
que o aluno consiga ter o mesmo conteúdo e a mesma carga horária da escola. Mas,
com o sobe-e-desce do tratamento, isso nem sempre é possível.




FONTE: http://educarparacrescer.abril.com.br/politica-publica/classe-hospital-450030.shtml#


Pedagogia Hospitalar – Importantes exemplos

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Estudantes
em tratamento de saúde têm aulas em hospitais

A vida do
estudante Luan Rodrigo Dill Gazzola sofreu uma brusca mudança em sua rotina há
alguns meses, quando o adolescente descobriu que estava com câncer. Ele saiu de
São Miguel do Oeste para iniciar um tratamento de combate à doença em Curitiba. Hospitalizado,
ficou impossibilitado de frequentar as aulas, mesmo assim seu processo de
aprendizagem não foi interrompido. Luan é um dos alunos atendidos pelo Serviço
de Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar (Sareh), no Hospital Erasto
Gaertner.

Estudante
do 3.º ano do ensino médio, Gazzola explica que o suporte oferecido pelo
serviço da Secretaria Estadual da Educação vai ajudá-lo a não perder tempo, uma
vez que pretende fazer faculdade na área de informática. “Os professores fazem
um atendimento mais próximo e ajudam de acordo com as minhas dificuldades”.

O Sareh,
até então inédito no País, foi implantado pela Secretaria, em 2007, e atende
alunos de 5.ª a 8.ª séries e ensino médio, impossibilitados de frequentar a
escola por estar internados em
hospitais. O serviço conta com professores do quadro próprio
e com capacitação, além de um pedagogo que organiza o trabalho. O Sareh está
implantado em Curitiba, Londrina e Maringá e deve ampliar sua cobertura. Os
atendimentos são realizados em parceria com as Secretarias da Saúde e da
Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Para Gilce
Dill Gazzola, mãe de Luan, a possibilidade de o filho continuar seu projeto de
vida. “Há desligamento da escola formal, mas, no hospital, ele tem a
oportunidade de ter esperanças, de manter os objetivos para o futuro e ampliar
conhecimentos”, avalia. Ela também afirma que os estudos ajudam Luan a ocupar a
mente com outros assuntos, além do tratamento.

O Hospital
Erasto Gaertner, referência no tratamento do câncer, tem cerca de 470 alunos
atendidos, de fevereiro a abril deste ano. São estudantes das redes pública e
particular do Paraná e também crianças e adolescentes de outros estados.

PEDAGOGIA -
O trabalho pedagógico começa com a sondagem da vida escolar do aluno. Segundo
Elaine Heloísa Marques, pedagoga da Secretaria da Educação, responsável pelo
Sareh no Hospital Erasto Gaertner, o objetivo é verificar o domínio sobre o
conteúdo da série de cada aluno.

O segundo
passo é entrar em contato com a escola para avisar que o estudante será
atendido no hospital. “Os professores elaboram os planos de trabalho, dentro
das diretrizes curriculares do Estado, que serão trabalhados com os alunos para
abordar todas as disciplina”, explica.

A pedagoga
ressalta que a equipe não  trabalha com notas. Todas as atividades e
pareces são enviados às escolas. “Quando o aluno não foca sua atenção
exclusivamente na doença e continua aprendendo e evoluindo,  permanece
dono da vida escolar e isso é muito importante para a saúde física e
psicológica”.

Valdir
Fernando Moreschi, professor da área de Humanas, recebe da pedagoga a relação
com o nome dos alunos. “Se aluno puder sair do leito, tem aula na salinha de
escolarização. No entanto, se estiver muito debilitado, será no próprio leito”,
informa. A duração da aula também depende das condições físicas do aluno.

INCLUSÃO -
Segundo Iolanda de Assis Galvão, psicóloga clínica da Pediatria e Cuidados
Paliativos do Hospital Erasto Gaertner, a doença é só uma parte do paciente.
“Ele tem um todo saudável e dentro deste todo está o cognitivo que precisa ser
preservado, ou até mesmo regatado”, explica.

Iolanda
reforça a necessidade da escolarização para o paciente em tratamento. “Esta
oportunidade de continuar os estudos dentro do hospital é fundamental,
principalmente para o resgate da autoestima do paciente”. A possibilidade de o
estudante continuar os estudos e voltar à escola de origem sem déficit no
aprendizado tem facilitado o processo de reinserção na sua vida acadêmica e
social.

Os
professores vinculados ao Sareh passam por seleção criteriosa para desenvolver
o trabalho e são divididos pelas áreas de Exatas, Humanas e de Linguagens, mas
atuam por disciplina. As práticas pedagógicas não são diferentes do que existem
nas salas de aula, com o uso dos livros didáticos para leitura ou resolução de
exercícios. Além da TV Pendrive, também são utilizados notebooks. As práticas
também dependem das condições dos estudantes no momento da aula.

Em
Curitiba, os estudantes são atendidos nos hospitais Erasto Gaertner,
Evangélico, Pequeno Príncipe, Hospital de Clínicas da UFPR, Hospital do
Trabalhador e na Associação de Apoio à Criança com Neoplasia (Apacn). E também
no hospitais Universitário de Maringá e Universitário Regional do Norte do
Paraná, em Londrina.
Este serviço atende os princípios adotados pela política
educacional do Governo do Estado, como a educação como direito do cidadão,
valorização do profissional da educação e garantia da escola pública, gratuita
e de qualidade.


Serviço da
Secretaria Estadual da Educação está disponível em Curitiba, Londrina e Maringá

 


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FONTE: http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=48040&tit=Estudantes-em-tratamento-de-saude-tem-aulas-em-hospitais

Por uma arte de contar histórias



Ah,
como é importante na
formação de qualquer criança ouvir muitas histórias… Escutar histórias
é o
início da aprendizagem para ser um leitor e ser leitor é ter todo um
caminho de
descobertas e de compreensão do mundo, absolutamente infinito…

O primeiro contato
da
criança com um texto é feito, em geral, oralmente. É pela voz da mãe e
do pai,
contando contos de fada, trechos da Bíblia, histórias inventadas tendo a
gente
como personagem, narrativas de quando eles eram crianças e tanta, tanta
coisa
mais… Contadas durante o dia, numa tarde de chuva ou à noite, antes de
dormir, preparando para o sono gostoso e reparador , embalado por uma
voz
amada… É poder rir, sorrir, gargalhar com as situações vividas pelos
personagens, com a idéia do conto ou com o jeito de escrever de um autor
e,
então, poder ser um pouco cúmplice desse momento de humor, de gozação.

Ler histórias para
as crianças,
sempre, sempre… É suscitar o imaginário, é ter a curiosidade
respondida em
relação a tantas perguntas, e encontrar muitas idéias para solucionar
questões
- como os personagens fizeram… – é estimular para desenhar, para
musicar,
para teatralizar, para brincar… Afinal, tudo pode nascer de um texto.

O significado de
escutar
histórias é tão amplo… É uma possibilidade de descobrir o mundo imenso
dos
conflitos, das dificuldades, dos impasses, das soluções, que todos
atravessamos
e vivemos, de um jeito ou de outro, através dos problemas que vão sendo
defrontados, enfrentados (ou não), resolvidos (ou não) pelos personagens
de
cada história (cada um a seu modo…) E assim esclarecer melhor os
nossos ou
encontrar um caminho possível para a resolução deles… É ouvindo
histórias que
se pode sentir (também) emoções importantes como: a tristeza, a raiva, a
irritação, o medo, a alegria, o pavor, a impotência, a insegurança e
tantas
outras mais, e viver profundamente isso tudo que as narrativas provocam e
suscitam
em quem as ouve ou as lê, com toda a amplitude, significância e verdade
que
cada uma delas faz (ou não) brotar…

É através de uma
história
que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de
agir e de
ser, outras regras, outra ética, outra ótica… É ficar sabendo
história,
geografia, filosofia, direito, política, sociologia, antropologia,
etc… sem
precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de
aula…
Porque, se tiver, deixa de ser literatura, deixa de ser prazer, e passa a
ser
didática, que é um outro departamento (não tão preocupado em abrir todas
as
comportas da compreensão do mundo)…

Ouvir e ler
histórias é
também desenvolver todo o potencial crítico da criança. É poder pensar,
duvidar, se perguntar, questionar… É se sentir inquieto, cutucado,
querendo
saber mais e melhor ou percebendo que se pode mudar de idéia… É ter
vontade
de reler ou deixar de lado de uma vez…

É ficar fissurado
querendo
ouvir de novo mil vezes ou saber que detestou e não querer nenhuma
aproximação
com aquela história tão chata ou tão boba ou tão sem graça… É formar a
opinião, é ir formulando os próprios critérios, é começar a amar um
autor, um
gênero, uma idéia e daí ir seguindo por essa trilha e ir encontrando
outros e
novos valores (que talvez façam redobrar o amor pelo autor ou viver uma
decepção… Mas isto tudo faz parte da vida).

Ouvir histórias é
ficar
conhecendo escritores – e daí ser importantíssimo dizer à criança o
título do
que está escutando e seu autor (se for material recolhido da cultura
popular,
se for autor desconhecido, que se diga também…). faz parte da formação
saber
quem nos disse coisas bonitas, ou encantadas, ou maravilhosas ou chatas,
para
que a referência fique e o caminho esteja aberto para continuar
mergulhando nos
textos de quem se admira, para dar uma colher de chá a quem não nos
envolveu
tanto num primeiro contato ou para desistir (ou adiar para um outro
momento da
vida…) a proximidade com um escrevinhador que nos desagradou ou nos
decepcionou…

Para contar uma
história, é
preciso saber como se faz… Afinal, nela se descobrem palavras novas,
se
depara com a música e com a sonoridade das frases, dos nomes… se capta
o
ritmo, a cadência do conto, fluindo como uma canção… E para isso, quem
conta
tem que criar o clima de envolvimento, de encanto… Saber dar as
pausas, o
tempo para o imaginário de cada criança construir seu cenário,
visualizar os
seus monstros, criar os seus dragões, adentrar pela sua floresta, vestir
a
princesa com a roupa que está inventando, pensar na cara do rei… e
tantas
coisas mais…

E se forem as
ilustrações
do livro, feitas por um desenhista, dar o tempo para que todos vejam (ou
os que
preferem caminhar na sua própria e pessoal ilustração, que fechem os
olhos…)
E quando a criança for manusear sozinha o livro, que o folheie bem
folheado,
que olhe tanto queira, que brinque com seu formato, que se delicie em
retirá-lo
da estante (reconhecendo-o sozinha… seja em casa ou na escola) que
vire
página, ou que pule algumas para reencontrar aquele momento especial que
estava
buscando…

Se a criança não
lê é
porque não lhe estão apontando caminhos para o desfrute de bons e belos
textos… Que existem (tantos) e são fáceis de achar… Literatura é
arte,
literatura é prazer… Que a escola encampe esse lado e deixe as
cobranças
didáticas para os departamentos devidos… E nesse sentido, ela faz
parte do
leque da educação artística e não da língua portuguesa… Uma das
atividades
mais fundantes, mais significativas, mais abrangentes e mais
suscitadoras de
tantas outras, é a que decorre do ouvir e do ler uma boa história…

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