A Importância da Integração Escola-Família no Processo Pedagógico
18 nov 2009 1 Comentário
em Profª Bia Tags:escola e familia, familia e a escola
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A relevância conferida à família tanto pela constituição no seu Cap. VII – Da
família, da criança, do adolescente e do ancião em seus artigos 226, 227 e 228,
como pelo Estatuto da Criança e do Adolescente em seu Cap. III – Do direito à
convivência familiar e comunitária nos estimulam a empreender uma incursão de
caráter teórico-conceitual sobre as leis existentes que referendam a questão
familiar e sua relação com as práticas de políticas sociais desde o ponto de
vista educacional.
Ao examinar-se a realidade, notamos que as práticas postuladas nos documentos
se constituem em vias de acesso que as escolas possuem para implementar
processos de integração e participação familiar que podem e devem ser
organizados e executados pela escola.
Essa constatação nos leva a refletir sobre as dimensões da interrelação
escola-família no âmbito da comunidade e se intenta verificar a possibilidade
de operacionalizar uma orientação que possa refletir a viabilização de uma
interrelação mais efetiva.
Geralmente a iniciação das pessoas na cultura, nos valores e nas normas da
sociedade começam na família. Para que o desenvolvimento da personalidade das
crianças seja harmonioso é necessário que seu ambiente familiar traduza uma
atmosfera de crescente progressão educativa.
Todavia estamos convencidos que todas as instituições e especialmente a escola
deve não só apoiar e respeitar os esforços dos pais e responsáveis pelos
cuidados, atenção e educação das crianças, e que devem também colocar-se em
posição efetiva de gerar iniciativas dirigidas à elevação e aprimoramento
social e educacional de seus educandos e respectivas famílias.
Nessa perspectiva, a escola por sua maior aproximação às famílias constitui-se
em instituição social importante na busca de mecanismos que favoreça um
trabalho avançado em favor de uma atuação que mobilize os integrantes tanto da
escola, quanto da família, em direção a uma maior capacidade de dar respostas
aos desafios que impõe nossa sociedade.
Essa visão, certamente, contribui para que tenhamos uma maior clareza do que
podemos fazer no enfrentamento das questões sócio-educativas no conjunto do
movimento social.
As ações de caráter pedagógico que as escolas podem dirigir para favorecer às
famílias devem fazer parte de seu projeto e para que isso possa acontecer é
fundamental que as ações em favor da família sejam desenvolvidas e presididas
pelos princípios da convergência e da complementaridade. Nesse sentido é importante
que o projeto inicial se faça levando em conta os grandes e sérios problemas
sociais tanto da escola como da família, como reflete os parâmetros
curriculares “…repensar sobre o papel e sobre a função da educação
escolar, seu foco, sua finalidade, seus valores, é uma necessidade essencial:
isso significa considerar características, ânsias,, necessidades e motivações
dos alunos, da comunidade local e da sociedade em que ela se insere. A escola
tem necessidade de encontrar formas variadas de mobilizações e de organização
dos alunos, dos pais e da comunidade, integrando os diversos espaços
educacionais que existem na sociedade. (pág. 10)
Substancialmente o que a escola deve fazer é melhorar a posição da família na
agenda escolar já implementada pela legislação existente. Promover a família
nas ações dos projetos pedagógicos significa enfatizar ações em seu favor e
lutar para que possa dar vida as leis.
Mais do que criar um novo espaço para tratar das questões da família ou da
escola, a própria escola deve articular seus recursos institucionais, de
maneira a assegurar que as reflexões, os debates, os estudos e as propostas de
ação possam servir de embasamento para que o desenvolvimento social se
concretize por meio de práticas pedagógicas educativas efetiva.
Conectar a interrelação escola-família de forma mais estreita significa
construir e desenvolver comunidades nas quais poderemos satisfazer nossas
necessidades básicas ao aspirar uma melhor qualidade de vida para as gerações
futuras. Para isso precisamos não só aprender sobre os princípios de
convivências comunitária como também exercitar esses princípios por meio de
relações mais frutíferas e compromissadas com o desenvolvimento educacional e
social. Precisamos revitalizar nossas comunidades colaborando para colocar
claramente os princípios da interrelação numa prática de relações sociais
fortalecidas pelo respeito, pela eficácia das ações e pela luta por uma
cidadania digna.
Tanto as comunidades escolares como as comunidades familiares não podem permanecer
distanciadas em seu processo de desenvolvimento e funcionamento organizacional,
mas devem estar vinculadas e aberta aos recursos educacionais que dispõem e
determinar por sua historicidade a dimensão cognitiva e educativa que pretendem
aplicar no processo de desenvolvimento humano, e mais precisamente no
acompanhamento das novas gerações.
Nesse sentido, as mudanças estruturais e conjunturais dos componentes
educacionais em questão necessitam incorporar nas suas relações as formulações
desses princípios e utiliza-los como guias para manter pais e professores no
caminho do desenvolvimento estável e progressivo.
O primeiro desses princípios é a noção de interdependência. A dependência mútua
de todas as pessoas. Essa é a natureza de todo e qualquer relacionamento
social. Compreender a interdependência social significa compreender
relacionamentos e valorizar a importância que eles tem na formação e no
desenvolvimento das pessoas.
A cooperação é o segundo princípio no estabelecimento das relações sociais. A
troca de recursos educacionais e de impressões educativas se mantém e se
sustentam quando permanece fortalecida a ajuda mútua. A incorporação desse
princípio relacional se torna significativo na medida em que vai se
consolidando a integração da escola com a família.
O terceiro princípio é a interação dos agentes escolares e familiares. As ações
relacionais só podem ser mantidas por meio desse processo. Nas suas relações
cada um influencia o outro e desde essa perspectiva educativa, os professores
são considerados como as pessoas mais preparadas e capazes de elevar o nível de
desenvolvimento não só dos alunos mas de sua família também.
A integração desses fatores nessa proposta nos fornece uma nova configuração da
relação escola-família e ressalta a importância da função reitora da escola no
sentido de considerar as necessidades familiares no que diz respeito aos
aspectos psicológicos, sociais e éticos de uma relação significativa com os
outros, de crescimento da própria competência educativa ou de uma participação
na definição do significado experiencial da sua vida pessoal, social e
educacional.
Helena P. Cazelli



mar 03, 2010 @ 16:03:38
Parabéns pelo blog. É realmente um blog de utilidade pública. Sucesso!!