Inclusão. Desafio da educação.
16 nov 2009 Deixe um comentário
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Bola cheia na Inclusão
História de superação
Eu e meu marido resolvemos adotar uma criança, pois eu não podia ter
filhos. Uma bela noite recebi uma ligação de uma amiga da família
dizendo que havia um bebê esperando por pais que o quisessem… Quase
desabei… Assim que amanheceu o dia partimos para Minas Gerais e
encontramos nosso Moisés em precárias condições. Imediatamente voltamos
para o Rio com nosso bebê dentro de um cesto de pão forrado com edredon
e um travesseiro. Tudo ia bem até que aos 8 meses a pediatra dele nos
chamou e pediu que fôssemos a um neurologista, pois havia algo errado,
mas ela não sabia o quê. Aí começou nossa luta para fechar o
diagnóstico do José e, aos 7 anos, finalmente soubemos que ele tinha
uma deficiencia de aprendizagem por fatores ocorridos durante sua
gestação. Ficamos sem chão, mas aos poucos fomos entendendo melhor a
situação e passamos a investir nosso tempo e dinheiro no crescimento
dele.
Como todo menino, José gostava de bola e sempre
ganhava alguma de presente, parecendo logo a chutar e até a quebrar
algumas coisas dentro de casa… Uma copa do mundo depois e ele se
interessou pelos clubes, aderindo ao Flamengo, time do pai, para meu
desespero, pois sou Tricolor.
Durante uma colônia de férias no Forte do Leme,
apareceu um pessoal do Flamengo fazendo deomostração da escolinha e,
claro, lá estava o José metido no meio. Ao final da colônia eles
anunciaram a parceria com o Forte e José foi inscrito para treinar.
Saímos todos os sábados às 7 horas da manhã para o treino e, num desses
treinos, ele sismou de ir para o gol… Decidiu ser goleiro, para meu
desespero, pois mãe de goleiro só perde para mãe de árbitro de futebol.
Levei-o para conhecer os goleiros do Flamengo e do
Fluminense. Ainda tinha esperança que ele mudasse de ideia, mas ao
contrário, sismou de vez que queria ser goleiro, fazer o quê…
Quando em 2007 nos mudamos para Miguel Pereira não
tínhamos opção e ele ficou parado, jogando apenas na escola. Agora em
2009, a bendita escolinha do Flamengo chegou aqui e adivinhem o que
aconteceu: ele decidiu voltar a jogar e de novo teimou em ser goleiro.
Foi muito bem-recebido pelos treinadores Jailton e Lima que não dão
moleza para ele, exigindo atitude e empenho como de qualquer outro
jogador, durante 1 hora em duas vezes por semana, onde fazem treinos
táticos e jogos-treinos.
Ele não precisou mudar muito seus hábitos, pois ele gosta de alimentação saudável e se preocupa com sua aparência.
Em julho fomos a Curitiba de férias, e um dos
programas dele foi conhecer os jogadores do Atlético Paranaense. Foi
uma luta! Mas, como mãe é mãe, conseguimos uma autorização para a
visita ao Centro de treinamento e ele tirou fotos com Galatto, goleiro
do time, além de ganhar uma camisa oficial autografada pelo craque do
time Rafael Moura. Ele ficou com 3 metros de altura, todo bobo, sem
querer tirar a camisa para nada.
No momento, o maior desejo dele é arrumar uma namorada para beijar na boca, mas isso é uma outra história.
No dia 12 de setembro, eu e o pai dele fomos atrás
do ônibus deles para assistirmos à estreia ofocial de nosso goleiro
como titular dos fraldinhas na Copa Fla de Futebol.
Quase morri de nervoso ao vê-lo entrar em campo
vaiado pelos adversários, mas para nossa suspresa ele nem ligou e jogou
sério, fazendo até uma “ponte”. Perderam o jogo, mas certamente esse
dia ficará na nossa história, pois vimos que ele pode muito e que
existem pessoas de mente aberta que acreditam de verdade num mundo
igualitário, no qual todos têm vez. Mais que isso: eles trataram meu
filho com respeito sem paparicos ou proteção especial. Essa foi nossa
2ª maior conquista desde que mudamos para Miguel Pereira, pois a 1ª foi
a acolhida numa escola regular, em que todos gostam muito dele e o
tratam de igual para igual. Bola cheia para a inclusão real e
verdadeira.
Narli – mãe do José 13 anos (a cada dia mais goleiro).
Fonte:http://www.planetaeducacao.com.br



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