A Importância da Integração Escola-Família no Processo Pedagógico

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A relevância conferida à família tanto pela constituição no seu Cap. VII – Da
família, da criança, do adolescente e do ancião em seus artigos 226, 227 e 228,
como pelo Estatuto da Criança e do Adolescente em seu Cap. III – Do direito à
convivência familiar e comunitária nos estimulam a empreender uma incursão de
caráter teórico-conceitual sobre as leis existentes que referendam a questão
familiar e sua relação com as práticas de políticas sociais desde o ponto de
vista educacional.
Ao examinar-se a realidade, notamos que as práticas postuladas nos documentos
se constituem em vias de acesso que as escolas possuem para implementar
processos de integração e participação familiar que podem e devem ser
organizados e executados pela escola.
Essa constatação nos leva a refletir sobre as dimensões da interrelação
escola-família no âmbito da comunidade e se intenta verificar a possibilidade
de operacionalizar uma orientação que possa refletir a viabilização de uma
interrelação mais efetiva.
Geralmente a iniciação das pessoas na cultura, nos valores e nas normas da
sociedade começam na família. Para que o desenvolvimento da personalidade das
crianças seja harmonioso é necessário que seu ambiente familiar traduza uma
atmosfera de crescente progressão educativa.
Todavia estamos convencidos que todas as instituições e especialmente a escola
deve não só apoiar e respeitar os esforços dos pais e responsáveis pelos
cuidados, atenção e educação das crianças, e que devem também colocar-se em
posição efetiva de gerar iniciativas dirigidas à elevação e aprimoramento
social e educacional de seus educandos e respectivas famílias.
Nessa perspectiva, a escola por sua maior aproximação às famílias constitui-se
em instituição social importante na busca de mecanismos que favoreça um
trabalho avançado em favor de uma atuação que mobilize os integrantes tanto da
escola, quanto da família, em direção a uma maior capacidade de dar respostas
aos desafios que impõe nossa sociedade.
Essa visão, certamente, contribui para que tenhamos uma maior clareza do que
podemos fazer no enfrentamento das questões sócio-educativas no conjunto do
movimento social.
As ações de caráter pedagógico que as escolas podem dirigir para favorecer às
famílias devem fazer parte de seu projeto e para que isso possa acontecer é
fundamental que as ações em favor da família sejam desenvolvidas e presididas
pelos princípios da convergência e da complementaridade. Nesse sentido é importante
que o projeto inicial se faça levando em conta os grandes e sérios problemas
sociais tanto da escola como da família, como reflete os parâmetros
curriculares “…repensar sobre o papel e sobre a função da educação
escolar, seu foco, sua finalidade, seus valores, é uma necessidade essencial:
isso significa considerar características, ânsias,, necessidades e motivações
dos alunos, da comunidade local e da sociedade em que ela se insere. A escola
tem necessidade de encontrar formas variadas de mobilizações e de organização
dos alunos, dos pais e da comunidade, integrando os diversos espaços
educacionais que existem na sociedade. (pág. 10)
Substancialmente o que a escola deve fazer é melhorar a posição da família na
agenda escolar já implementada pela legislação existente. Promover a família
nas ações dos projetos pedagógicos significa enfatizar ações em seu favor e
lutar para que possa dar vida as leis.
Mais do que criar um novo espaço para tratar das questões da família ou da
escola, a própria escola deve articular seus recursos institucionais, de
maneira a assegurar que as reflexões, os debates, os estudos e as propostas de
ação possam servir de embasamento para que o desenvolvimento social se
concretize por meio de práticas pedagógicas educativas efetiva.
Conectar a interrelação escola-família de forma mais estreita significa
construir e desenvolver comunidades nas quais poderemos satisfazer nossas
necessidades básicas ao aspirar uma melhor qualidade de vida para as gerações
futuras. Para isso precisamos não só aprender sobre os princípios de
convivências comunitária como também exercitar esses princípios por meio de
relações mais frutíferas e compromissadas com o desenvolvimento educacional e
social. Precisamos revitalizar nossas comunidades colaborando para colocar
claramente os princípios da interrelação numa prática de relações sociais
fortalecidas pelo respeito, pela eficácia das ações e pela luta por uma
cidadania digna.
Tanto as comunidades escolares como as comunidades familiares não podem permanecer
distanciadas em seu processo de desenvolvimento e funcionamento organizacional,
mas devem estar vinculadas e aberta aos recursos educacionais que dispõem e
determinar por sua historicidade a dimensão cognitiva e educativa que pretendem
aplicar no processo de desenvolvimento humano, e mais precisamente no
acompanhamento das novas gerações.
Nesse sentido, as mudanças estruturais e conjunturais dos componentes
educacionais em questão necessitam incorporar nas suas relações as formulações
desses princípios e utiliza-los como guias para manter pais e professores no
caminho do desenvolvimento estável e progressivo.
O primeiro desses princípios é a noção de interdependência. A dependência mútua
de todas as pessoas. Essa é a natureza de todo e qualquer relacionamento
social. Compreender a interdependência social significa compreender
relacionamentos e valorizar a importância que eles tem na formação e no
desenvolvimento das pessoas.
A cooperação é o segundo princípio no estabelecimento das relações sociais. A
troca de recursos educacionais e de impressões educativas se mantém e se
sustentam quando permanece fortalecida a ajuda mútua. A incorporação desse
princípio relacional se torna significativo na medida em que vai se
consolidando a integração da escola com a família.
O terceiro princípio é a interação dos agentes escolares e familiares. As ações
relacionais só podem ser mantidas por meio desse processo. Nas suas relações
cada um influencia o outro e desde essa perspectiva educativa, os professores
são considerados como as pessoas mais preparadas e capazes de elevar o nível de
desenvolvimento não só dos alunos mas de sua família também.
A integração desses fatores nessa proposta nos fornece uma nova configuração da
relação escola-família e ressalta a importância da função reitora da escola no
sentido de considerar as necessidades familiares no que diz respeito aos
aspectos psicológicos, sociais e éticos de uma relação significativa com os
outros, de crescimento da própria competência educativa ou de uma participação
na definição do significado experiencial da sua vida pessoal, social e
educacional.




por Luiza
Helena P. Cazelli

Aprender a Aprender

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Ora, antes
de pensar Matemática, Medicina, Direito, Engenharia, Filosofia etc., é preciso
simplesmente saber pensar, óbvio. Presume-se que as pessoas nascem pensando…
o que está longe de ser verdade. As pessoas nascem com inteligência, o que não
significa que façam uso dela.


No entanto, já no século IV a.C., milhares de anos antes do Curso Objetivo, do
Curso Anglo etc., o filósofo grego Aristóteles anunciava, sem muita propaganda
ou marketing, um curso deste tipo. Foi ele o primeiro a anunciar um curso que
ensinava a lidar com as formas do pensamento, sem ligar para o seu conteúdo.
Ensinava a pensar correto, pois um raciocínio não é verdadeiro nem falso, e sim
válido ou inválido. Como insistir em verdadeiro e falso, como se só houvesse
essas duas alternativas, como se a todas as perguntas fosse possível responder
com esse tipo de dualismo, um dos tantos que infernizam a vida humana, como
seus colegas: certo/errado, bom/mau, bonito/feio, moral/imoral, normal/anormal,
natural/anti-natural, teísta/ateu, homossexual/heterossexual (ah! novela Mulheres
Apaixonadas, com mãe e filha se dilacerando por causa disso) etc.

Certo,
errado, verdadeiro ou falso?

Entre certo e errado existe toda uma gama de valores: provavelmente certo, provavelmente
errado, insuficiência de dados… Aristóteles mesmo caiu nessa cilada. Ele é o
fundador da lógica bivalente, aquela que vê tudo em termos de verdadeiro ou falso,
isto é, só admite dois valores lógicos. Foi preciso passarem 23 séculos para a
lógica explodir esses conceitos, no século dezenove. Hoje falamos de lógicas,
no plural: bivalente, trivalente, polivalente entre outras.
Dever-se-ia, pois, evitar pedir aos educandos que respondam verdadeiro ou falso
às questões… Verdade e falsidade são algo objetivo, que se impõe a todos.
Respostas como certo ou errado já são mais modestas, mais realistas. Certo ou
errado são algo subjetivo, que depende da pessoa, dos dados de que dispõe.
Seria ainda mais educativo fornecer ao educando uma gama de respostas: certo,
provavelmente certo, insuficiência de dados, provavelmente errado, errado. Quanto
mais ignorante é uma pessoa, mais certezas tem. Ela confunde o amor à certeza
com o amor à verdade.
Por exemplo, se alguém perguntar a um marido alcoólatra se ele costuma bater na
mulher quando está completamente embriagado, será que ele poderá responder a
essa pergunta em termos de verdadeiro ou falso, de correto ou incorreto, como
fazem aqueles policiais entrevistados lá no programa Cidade Alerta?. Evidentemente
que não. Ele só poderá dizer: “provavelmente sim”, ou
“provavelmente não”, ou “não sei”. Quem poderia responder a
isso em termos de verdadeiro ou falso seria só Deus ou um vice-Deus. Mas Deus
não é casado nem alcoólatra…

Ninguém
nasce pensando

Aristóteles falava de um organon, um instrumento para ampliar a nossa
capacidade de pensar. Uma espécie de “óculos” para aumentar a nossa
visão intelectual, como os oculistas prometem ampliar a nossa visão física.
Porque ninguém na realidade nasce pensando. Pensar é um hábito, uma conquista,
algo que se adquire, que vira uma segunda natureza. As pessoas nascem com a
capacidade de pensar. Não quer dizer que façam uso dela. O hábito é algo que se
faz sem dificuldade, quase sem o sentir. Como a virtude, que se pratica sem o
perceber, sem dificuldade. O vício também é assim: pratica-se com a maior
facilidade. Basta observar a frieza com que os criminosos falam dos seus feitos
monstruosos.
Se ninguém nasce pensando, ninguém também precisa morrer sem pensar. Pensar se
aprende. Basta exercitar-se no pensamento. Se quem inventou o alfabeto era
analfabeto, quem inventou o pensamento era um “burro” no bom sentido,
que parou para pensar. O problema é o do que vem a ser pensar, afinal de
contas. Para os dicionários, é refletir (voltar-se para si mesmo), considerar
(etimologicamente, “olhar para os astros”, sidera em latim), formar
idéias etc. Tudo demasiado vago, que deixa a pessoa na mesma, sem saber por
onde começar.

Operações
de pensamento

Na realidade, pensar é trabalhar sobre os dados que nos são fornecidos pelos
sentidos. Dado é, como o nome está dizendo, aquilo que recebemos de graça, sem
nenhum esforço, bastando abrir os olhos ou os ouvidos. Como tudo o que é de
graça, isso pouco valor tem para nos orientar na selva da realidade. Só o dado
trabalhado, burilado (como o diamante bruto) adquire toda a sua força, toda a
sua importância para nós. Podemos trabalhá-lo de várias formas: observando-os
bem (sabemos que a atenção espontânea, é dispersa, podendo deixar de lado o imperceptível
e o significativo), comparando-os entre si, interpretando-os etc. Donde as
chamadas operações de pensamento: observação, comparação, interpretação,
classificação, resumo, imaginação (invenção), procura de pressupostos, crítica
etc. Todas elas com regras apropriadas. É isso, se não me engano, que devia ser
feito em sala de aula e fora dela. A matéria lecionada, o currículo não tem lá
tanta importância.
Para a Filosofia nenhum assunto lhe é estranho; pelo contrário, todo bom
assunto lhe é estranho. Assim também para a “pensamentática”. Essa e
a decoreba usam do mesmo currículo, mas não com os mesmos resultados. A
primeira forma o cidadão, o profissional competente; a segunda, o diplomado.
Vale a pena, pois, ensinar a pensar.

Os
entendidos garantem que não fazemos uso nem de 5% da nossa capacidade de pensar

Sabe-se que
esta divisão das pessoas é feita pelos “bons”

Idea
(grego), donde Cícero tirou o latim idea, significa exatamente isto:
“visão mental”.



por Gustavo Rodrigues

 

Hospital oferece aulas para paciente com câncer acompanhar ano letivo

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Joyce Ferreira, 13, que cursou o sexto ano em escola de hospital / Foto de Eduardo Anizelli


Joyce Mayra Ferreira, 13, começou a cursar em 2008 o sétimo
ano em uma escola de Cuiabá (MT). A chegada à nova escola exigiu, além das
adaptações de praxe, um esforço à parte. “Eu estava muito acostumada a ter
só aula particular”, brinca. 

Ela cursou o sexto ano em uma escola diferente: a Schwester
Heine, dentro do Hospital A. C. Camargo, em São Paulo, voltada para crianças que
aprendem, também, a enfrentar o câncer.

Joyce, que tinha um tumor no fígado, passou 2007 na
instituição. Para não perder o ano letivo, foi matriculada em uma escola de São
Paulo, que encaminhava as atividades e as provas ao hospital.

Em geral, as aulas são diárias, mas duram, no máximo, uma
hora e meia, conta Iara de Castro Alves, 51, que leciona no local há oito anos.
A aula ocorre quando a criança se sente bem. Devido às limitações de carga
horária, o conteúdo precisa ser adaptado.

O calendário também não segue o regular. Após o recesso de
fim de ano, a escola volta a funcionar. “No primeiro ano da escola, em
1987, as professoras tiraram férias. Os médicos notaram que o uso de
analgésicos subiu muito. Desde então, fazemos um rodízio para que cada professora
tire férias numa época”, conta a professora Eliane Latterza, 52.

A escola tem 12 professoras. Eliane e outra são contratadas
pelo governo do Estado e as demais são da rede municipal. As professoras dão
aulas de praticamente tudo. Mas, quando o assunto é física, química ou inglês,
pedem apoio. Para isso, o hospital possui uma rede de professores voluntários.

O nome da escola, Schwester Heine, significa freira Heine em
alemão e é uma homenagem à primeira responsável pelo serviço de enfermagem do
hospital –uma enfermeira alemã da Cruz Vermelha que veio em missão ao Brasil e
ficou.

No início de dezembro, Joyce voltou para São Paulo para o
acompanhamento e aproveitou para matar a saudade das antigas professoras. Sua
mãe, Maristela Santos, 47, conta orgulhosa que muitos dos funcionários a
reconheceram, mas não a filha. “Ficam surpresos quando veem a moça que ela
virou.”

Aliás, não foi só Joyce que usufruiu da escola. Para aliviar
a tensão, Maristela aprendeu a fazer peças artesanais. De volta a Cuiabá, abriu
uma loja, onde vende as peças que aprendeu a fazer. 


AMARÍLIS LAGE da Folha de S.Paulo

 Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u485439.shtml

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Professores dão aulas em hospitais


Professora dando aulo no hospital

Para evitar que as crianças percam o ano letivo por causa de internação
hospitalar, professores de Sergipe vão até os hospitais para repor as
aulas. Os educadores do projeto “Classe Hospitalar – O anjo linguarudo
de asas quebradas quer voar” narram fábulas e contos da literatura
infantil enfocando os conteúdos curriculares. Com isso, estimulam o
desenvolvimento do raciocínio, trabalham valores como a coragem e a
auto-confiança, além da leitura e produção de texto.

“Usando
desses recursos, é possível abordar conteúdos da língua portuguesa,
matemática e ciências. Atendemos crianças da pré-escola à 8º série de
forma lúdica, mas sem perder contato com o que está sendo trabalhado na
sala de aula de seu colégio. É um direito dessas crianças receber
assistência educacional onde quer que estejam,” diz a coordenadora do
projeto, Gileide Lessa.

Para que isso aconteça, o planejamento
das aulas é feito de acordo com a série e o currículo escolar do
enfermo. Todos os dias, eles têm quatro horas de aulas num
acompanhamento individual e em turmas, conforme a necessidade de cada
um. Quando o paciente recebe alta hospitalar, um relatório é
encaminhado para o colégio sobre os conteúdos trabalhados com aquela
criança. Dessa forma, o aluno pode continuar acompanhando os colegas da
turma.

De acordo com o último levantamento feito pelo projeto em
2004, 79 crianças – a maioria proveniente da zona rural – internadas no
hospital foram atendidas. O projeto piloto funciona há três anos e deve
ser estendido a outras unidades hospitalres.

 ”Sabemos que o
internamento, principalmente em casos muito graves, transforma a vida
das crianças. Acredito que o projeto colabora muito para melhoria da
auto-estima e para que eles não se sintam abandonados. Além da ajuda
educacional procuramos sempre manter os pais por perto e dar muito
carinho e atenção a eles para que se sintam valorizados e respeitados,”
conta.

Atividades no Quarto


por Karina Costa

Inclusão. Desafio da educação.

Bola cheia na Inclusão
História de superação


Eu e meu marido resolvemos adotar uma criança, pois eu não podia ter
filhos. Uma bela noite recebi uma ligação de uma amiga da família
dizendo que havia um bebê esperando por pais que o quisessem… Quase
desabei… Assim que amanheceu o dia partimos para Minas Gerais e
encontramos nosso Moisés em precárias condições. Imediatamente voltamos
para o Rio com nosso bebê dentro de um cesto de pão forrado com edredon
e um travesseiro. Tudo ia bem até que aos 8 meses a pediatra dele nos
chamou e pediu que fôssemos a um neurologista, pois havia algo errado,
mas ela não sabia o quê. Aí começou nossa luta para fechar o
diagnóstico do José e, aos 7 anos, finalmente soubemos que ele tinha
uma deficiencia de aprendizagem por fatores ocorridos durante sua
gestação. Ficamos sem chão, mas aos poucos fomos entendendo melhor a
situação e passamos a investir nosso tempo e dinheiro no crescimento
dele.

Como todo menino, José gostava de bola e sempre
ganhava alguma de presente, parecendo logo a chutar e até a quebrar
algumas coisas dentro de casa… Uma copa do mundo depois e ele se
interessou pelos clubes, aderindo ao Flamengo, time do pai, para meu
desespero, pois sou Tricolor.

Durante uma colônia de férias no Forte do Leme,
apareceu um pessoal do Flamengo fazendo deomostração da escolinha e,
claro, lá estava o José metido no meio. Ao final da colônia eles
anunciaram a parceria com o Forte e José foi inscrito para treinar.
Saímos todos os sábados às 7 horas da manhã para o treino e, num desses
treinos, ele sismou de ir para o gol… Decidiu ser goleiro, para meu
desespero, pois mãe de goleiro só perde para mãe de árbitro de futebol.

Levei-o para conhecer os goleiros do Flamengo e do
Fluminense. Ainda tinha esperança que ele mudasse de ideia, mas ao
contrário, sismou de vez que queria ser goleiro, fazer o quê…

Quando em 2007 nos mudamos para Miguel Pereira não
tínhamos opção e ele ficou parado, jogando apenas na escola. Agora em
2009, a bendita escolinha do Flamengo chegou aqui e adivinhem o que
aconteceu: ele decidiu voltar a jogar e de novo teimou em ser goleiro.
Foi muito bem-recebido pelos treinadores Jailton e Lima que não dão
moleza para ele, exigindo atitude e empenho como de qualquer outro
jogador, durante 1 hora em duas vezes por semana, onde fazem treinos
táticos e jogos-treinos.

Ele não precisou mudar muito seus hábitos, pois ele gosta de alimentação saudável e se preocupa com sua aparência.

Em julho fomos a Curitiba de férias, e um dos
programas dele foi conhecer os jogadores do Atlético Paranaense. Foi
uma luta! Mas, como mãe é mãe, conseguimos uma autorização para a
visita ao Centro de treinamento e ele tirou fotos com Galatto, goleiro
do time, além de ganhar uma camisa oficial autografada pelo craque do
time Rafael Moura. Ele ficou com 3 metros de altura, todo bobo, sem
querer tirar a camisa para nada.

No momento, o maior desejo dele é arrumar uma namorada para beijar na boca, mas isso é uma outra história.

No dia 12 de setembro, eu e o pai dele fomos atrás
do ônibus deles para assistirmos à estreia ofocial de nosso goleiro
como titular dos fraldinhas na Copa Fla de Futebol.

Quase morri de nervoso ao vê-lo entrar em campo
vaiado pelos adversários, mas para nossa suspresa ele nem ligou e jogou
sério, fazendo até uma “ponte”. Perderam o jogo, mas certamente esse
dia ficará na nossa história, pois vimos que ele pode muito e que
existem pessoas de mente aberta que acreditam de verdade num mundo
igualitário, no qual todos têm vez. Mais que isso: eles trataram meu
filho com respeito sem paparicos ou proteção especial. Essa foi nossa
2ª maior conquista desde que mudamos para Miguel Pereira, pois a 1ª foi
a acolhida numa escola regular, em que todos gostam muito dele e o
tratam de igual para igual. Bola cheia para a inclusão real e
verdadeira.

Narli – mãe do José 13 anos (a cada dia mais goleiro).


Fonte:http://www.planetaeducacao.com.br

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