Quem nasceu primeiro, galáxia ou buraco negro?

Apesar de buracos negros
serem bastante destrutivos, capazes de impedir a formação de uma
galáxia, eles aparentemente estão ajudando a construí-las



Cortesia de NRAO/AUI/NSF, SDSS
Imagem obtida por rádio-telescópio de gás envolvendo galáxia jovem.

Uma
excentricidade do Universo, revelada na última década, é que galáxias e
buracos negros gigantes em seu centros se encaixam como se fossem
feitos um para o outro. Este é mais um fato aparentemente óbvio à
primeira vista, mas cada vez mais estranho à medida que pensamos neles.

Um
buraco negro gigante é um objeto tremendamente devastador capaz de
impor sua força curvando multidões de estrelas à sua volta. No entanto,
até um buraco negro gigante é considerado pequeno se comparado a uma
galáxia, o que significa que as galáxias não deveriam se preocupar
tanto com o pequeno monstro que reside no seu interior. Na verdade, o
buraco negro tem contato direto somente com uma vizinhança
relativamente pequena e, para ele, não importa o que acontece com o
resto da galáxia.

Astrônomos descobriram, no entanto, que
buracos negros sempre têm massa aproximada de 0,1% das suas galáxias
associadas. Alguns astrônomos supõem que a massa do buraco negro está
relacionada não só à massa da galáxia, mas também com a velocidade das
estrelas. No fundo, as duas hipóteses levam ao mesmo resultado: buracos
negros e as suas galáxias hospedeiras são irmãos consangüíneos.

Será
que os buracos negros surgiram primeiro e depois estimularam a formação
de suas galáxias? Ou será que foi o contrário? Será que algum mecanismo
comum formou tanto galáxias como buracos negros? Como as galáxias são
consideradas os tijolos que construíram o Universo, elas estão no
centro de muitas discussões que envolvem a evolução cósmica.

Mas qual é a resposta? Os buracos apareceram
primeiro. Essa foi a conclusão anunciada por Christopher Carilli, do
Observatório Nacional Radioastronomia e seus colegas, em janeiro deste
ano, na Reunião da Sociedade Americana de Astronomia. Eles utilizaram
radiotelescópios para estudar quatro galáxias que sustentavam buracos
negros formados há aproximadamente 12 bilhões de anos, quando o
Universo tinha apenas um bilhão de anos. Medindo a velocidade das
nuvens de gás, eles estimaram a massa de cada galáxia, e a analisando
linhas espectrais emitidas pelo material que tinha realizado um
mergulho mortal no buraco negro correspondente, eles estimaram a massa
do buraco.

Os pesquisadores descobriram que buracos negros muito
antigos são, proporcionalmente, muito mais pesados que os do Universo
atual – mais ou menos 3% da massa da galáxia. Como os buracos negros
nunca encolhem, a galáxia deve ter aumentado de tamanho, para exibir
hoje uma razão de massa de 0,1%. “Os buracos negros vieram primeiro e
de alguma forma, que não sabemos como, a galáxia que os envolvia
cresceu”, comenta Carilli.

O estudo só utilizou quatro galáxias
que casualmente eram bem maiores que o normal. Ainda não foi verificado
se essa tendência se mantém para todas as galáxias de estágios iniciais
da história cósmica. Além disso, o estudo é incompleto, pois só
determina quem surgiu primeiro e não explica como os buracos negros se
formaram ou como conseguiram controlar a formação de galáxias inteiras,
observa Carilli.

Na verdade, este resultado levou a uma dúvida
ainda maior. Como são bastante destrutivos, os buracos negros com
certeza poderiam impedir uma galáxia de se formar – por exemplo,
emitindo radiação ou jatos de matéria. Como foi discutido por Andrew
Fabian, da University of Cambridge que também participou da reunião, a
formação de um buraco negro gigante deveria emitir energia
gravitacional suficiente para fazer a galáxia inteira explodir em
pedaços. No entanto, nos casos descobertos recentemente, os buracos
parecem estar ajudando na formação de galáxias. Talvez os buracos
negros não sejam tão maldosos quanto se imagina.

Tod Lauer, do
Observatório Nacional de Astronomia Óptica, receia que o estudo possa
ter caído em uma armadilha estatística. Mesmo que uma galáxia média
tenha massa mil vezes maior que o buraco negro associado, ainda há um
desvio estatístico em torno da média – algumas galáxias são maiores e
outras menores. No entanto, as galáxias menores são estruturalmente
mais comuns que as maiores, ou seja, é mais provável que um buraco
negro de uma dada massa seja encontrado em uma galáxia menor e,
conseqüentemente parecerá ter um tamanho maior. Por esta razão, os
pares – galáxia-buraco negro -, observados pela equipe de Carilli,
podem não ser representativos do universo antigo, e nesse caso a
questão de quem surgiu primeiro – a galáxia ou o buraco negro -
permanece sem resposta.

por George Musser


http://cienciaesaude.uol.com.br/

Um Comentário (+add yours?)

  1. Anônimo
    abr 22, 2009 @ 07:04:03

    adorei eu amo aprender sobre galaxias

    Responder

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