Usar o líquido vaginal como perfume é moda na Alemanha!!!

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Charlotte Roche – “A depilação está se tornando uma
loucura”

A escritora alemã critica a moda de retirar todos os
pelos pubianos e sugere que as mulheres usem gotinhas dos fluidos vaginais como
perfume
Cristiane Ramalho, de Berlim

Ela é a antítese da feminista tradicional. Charlotte Roche, de 31 anos, tem
uma voz quase infantil e, por pura provocação, veste roupas tradicionais. A
escritora que está levando os alemães a ler sobre sexo como nunca não poupa
ninguém de sua escatologia. Em Zonas úmidas (Editora Objetiva), romance
de estreia que conta as fantasias sexuais da jovem Helen, ela critica as
mulheres “limpinhas”, obcecadas por depilação. Helen é uma mulher que sai de
casa com calcinha furada e se perfuma com gotinhas do líquido vaginal. O livro
da apresentadora de TV que virou celebridade já vendeu 1 milhão de exemplares na
Alemanha e chega às livrarias do Brasil nesta semana. Nesta entrevista,
Charlotte discute as razões pelas quais é considerada uma “nova feminista”.

  ENTREVISTA – CHARLOTTE ROCHE  

QUEM É
Charlotte Roche, de 31 anos, é escritora,
atriz, produtora, cantora e apresentadora de TV. Nasceu na Inglaterra, mas
foi criada na Alemanha. Mora em Colônia, é casada e tem uma filha de 6
anos

O QUE PUBLICOU
Zonas úmidas
(Editora Objetiva), primeiro livro alemão a alcançar o topo da lista
mundial dos mais vendidos da Amazon.com. No Brasil, chega às livrarias
nesta semana

ÉPOCA - O que a levou a escrever sobre
“zonas úmidas”?
Charlotte Roche-
Eu queria escrever um livro bem
honesto sobre o corpo feminino. E foi muito divertido pensar em todos os tabus
que envolvem as mulheres: em relação à higiene, a ser sexy e ter um corpo sem
pelos. Por isso, criei uma mulher doente, com hemorroidas. O corpo dela dói, ela
vai ao banheiro, menstrua, se masturba. Isso dá uma dimensão mais humana ao
corpo feminino.

ÉPOCA - A protagonista, Helen, diz que
“pessoas obcecadas por higiene a deixam louca”. Isso é o que você pensa?

Charlotte –
Sim, eu acho que isso está indo longe demais. Não
entendo por que queremos nos livrar do cheiro natural do nosso corpo. Eu
realmente gosto do cheiro das pessoas. Não estou falando do mau cheiro. Você
pode tomar um banho uma vez por dia (risos). Mas acredito que, quando a
gente se apaixona por alguém, é por causa do seu cheiro pessoal. Não entendo
esse cheiro industrializado de perfume, de desodorante, sempre tentando matar o
cheiro humano.

ÉPOCA - Eliminar os pelos é assunto
recorrente em seu livro. Por que esse tema?
Charlotte –
O livro
começa com a personagem Helen raspando os pelos no bumbum. A depilação está se
tornando uma coisa extrema, uma loucura. Com frequência, as mulheres não têm
mais nenhum pelo pubiano. Ao redor da vagina, todos os pelos se foram. Ficam
parecendo bebês, menininhas. E não mulheres de verdade. Se há uma única mulher
que não se raspa, então as outras ficam loucas, porque ela está abrindo mão
dessa mania.

ÉPOCA - Você se depila?
Charlotte
-
Eu raspo as partes do biquíni, as pernas, as axilas. Mas também não
entendo por que tenho de fazer isso (risos). Sempre pergunto a minhas
amigas: “Por que vocês se raspam?”. Ninguém consegue responder! Certa vez,
quando apresentava um programa de música na TV – e era dez anos mais nova -,
deixei os pelos de minhas axilas crescer. As pessoas ficaram furiosas.
Escreveram e-mails dizendo que me odiavam, só porque deixei as axilas cabeludas.
São especialmente as mulheres que se tornam agressivas.

ÉPOCA - Alguns críticos classificam
seu livro de “pornográfico”. Isso a incomoda?
Charlotte –
É
realmente um tédio. As pessoas perguntam: “Isso é pornografia ou é arte?”. Por
que as coisas não podem ser uma mistura de arte e pornografia? Meu livro é
político e, supostamente, feito para ser engraçado. E libertador para as
mulheres. Escrevi também para deixar as pessoas excitadas.

ÉPOCA - Alice Schwarzer, tradicional
feminista alemã, fez uma cruzada contra a pornografia. Como as feministas na
Alemanha veem você?
Charlotte –
Sou uma jovem feminista. E o grande
problema com o feminismo é que as velhas feministas odeiam as novas. Mas sou
“filha” delas – queiram ou não. Sou o resultado de anos de luta da velha-guarda
pelos direitos das mulheres. Para mim, é frequente encontrar, entre as velhas
feministas, muitas lésbicas. E acho muito difícil elas emitirem opiniões sobre
como eu, uma heterossexual, devo tratar um homem. Uma lésbica obviamente não
entende de pornografia, porque é uma coisa heterossexual. E se há um jogo entre
um homem e uma mulher, e mesmo se isso é agressivo, ou um jogo “sadomaso”, ou o
que for, é entre homem e mulher. Muitas vezes, as feministas estão lutando
contra os homens. E elas sempre pensam que fazer sexo com um homem ou calçar um
salto alto para um homem é idiota. Como heterossexual, eu quero que o homem me
ache atraente. Então, eu calço salto alto e assisto a pornôs com meu marido. Mas
as feministas odeiam os homens. Esse é o grande problema. E as jovens feministas
estão tentando ter uma relação de amizade com os homens, e não brigar com eles.

ÉPOCA - Na Alemanha, há uma onda de
publicações sobre um suposto novo feminismo. Seu livro faz parte disso?

Charlotte –
Com certeza. Foi uma grande coincidência. Quando
escrevi o livro, não sabia que havia outros sendo escritos. E, quando foram
lançados, ficou claro que está surgindo um novo movimento feminista na Alemanha.
Todas (as autoras) também foram insultadas pelas velhas feministas
(risos). Meu livro ajudou a pensar sobre coisas que ainda são tabus
absolutos sobre o corpo da mulher, como a masturbação. Muitas jovens não leem o
livro como se ele fosse chocante, ou sexual, mas como uma leitura libertadora.
Uma delas me contou, por exemplo, que vivia sem graça diante do próprio corpo,
dos fluidos, do cheiro da vagina. Mas, depois de ler meu livro, passou a não
ligar mais para nada disso.

“A depilação está se tornando uma coisa
extrema,
uma loucura. As mulheres não têm mais
pelos pubianos.
Parecem menininhas”

ÉPOCA - A inspiração para a personagem
Helen veio de sua vida?
Charlotte –
Sim, muito da história familiar
da personagem é totalmente autobiográfica. Por isso é um pouco triste. Porque
esse é o jeito como eu vejo a família – pessoas evitando falar sobre coisas
importantes. Sofri bastante com o divórcio dos meus pais, e isso está no livro.
Dito isso, a Helen não poderia ser real (risos). Vários homens me
perguntam se as mulheres são realmente como ela, e eu sempre digo, ai, meu Deus,
não! E fico sempre preocupada, porque, ao ler o livro, eles podem pensar que as
mulheres são nojentas. Não conheço ninguém como a Helen. Ela é completamente
exagerada. Mas alguma coisa que ela faz todo mundo deveria copiar. É muito
melhor ter nosso fluido como perfume que perfume de verdade (risos).

ÉPOCA - Você já declarou que gostaria
que sua filha tivesse ideias semelhantes às de Helen. Como assim?
Charlotte
-
A ideia feminista de educá-la está ligada a transmitir autoconfiança.
E tentar manter o mundo sexista longe o máximo possível. A coisa mais importante
na educação de uma filha é mostrar a ela que é uma coisa boa ser mulher. Mas
isso é muito difícil, às vezes. Isso porque a vida é mais fácil para os homens
que para as mulheres. Vejo com frequência mães – mulheres que eram legais com
suas filhas quando elas eram crianças – dizendo para elas quando chegam à
puberdade: “Não deixe seu irmão ver sua menstruação, isso é nojento”. Isso tudo
começa com as próprias mães.

ÉPOCA - Por que as piadas sobre cheiro
de vagina se repetem?
Charlotte –
Cresci numa sociedade em que
todos os homens faziam piadas sobre vaginas com cheiro de peixe morto. Nunca
consegui entender isso. Costumam dizer que esse é um dos piores cheiros do
mundo. Se os homens pensam que a vagina tem esse cheiro, por que gostam de sexo
oral?

ÉPOCA - O que sabe sobre o Brasil?

Charlotte –
Conheço uma coisa negativa do Brasil, a depilação
completa – famosa aqui na Alemanha. É uma moda recente. Os pelos são totalmente
eliminados. Você deita numa posição ginecológica, eles colocam a cera e arrancam
tudo.
Fonte:Mensagem recebida por e-mail. Provavelmente Revista ÉPOCA.

Um Comentário (+add yours?)

  1. Anônimo
    nov 15, 2010 @ 00:11:18

    @DECIO

    Sentir repulsa após a relação? Que cara estranho. Se a parte do carinho após uma ato de amor, mesmo que não seja com uma parceira fixa, é tão importante quanto o próprio ato, sem noção nenhuma. À menos é claro que ele apenas transe com bonecas infláveis, e sinta nojo delas.

    Resumindo: SEM NOÇÃO NENHUMA

    Responder

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