Pedagogia do Amor
21 fev 2009 1 Comentário
em Profª Bia Tags:educação, escola da vida, gabriel chalita, o patinho feio, pedagogia do amor, valeria poletti

Num tempo em que a aparência vale mais do que a essência e a competição
impera nos relacionamentos, é imprescindível falar com nossas crianças
sobre companheirismo, amizade, amor. Num tempo em que a esperança
parece cada vez mais escassa, é fundamental reavivar nossa confiança em
dias melhores. Num tempo em que os valores que devem nortear a vida em
sociedade são progressivamente esquecidos, é um estímulo encontrar
obras como A Pedagogia do Amor,
de Gabriel Chalita, escritor e professor. Em seu livro, Chalita buscou
mostrar aos pais e professores a contribuição das histórias universais
para a formação de valores da nova geração, tão carente de princípios
como respeito, solidariedade e idealismo. O autor tenta fazer isso de
forma lúdica, querendo, em um primeiro momento, resgatar no leitor
adulto esses valores, para que, na seqüência, ele passe isso para seus
alunos, seus filhos.
São dez histórias da literatura universal escolhidas por
Gabriel pela relevância de seus ensinamentos. O autor diz que pretende
resgatar em nós, adultos, a criança que um dia já existiu. Segundo ele,
“uma criança que com o passar dos anos – e de todas as exigências que
vêm no seu encalço -, vai se tornando cada vez mais reclusa e esquecida
dos valores nobres que dão a ela dignidade e fidelidade aos seus
princípios mais básicos: ser feliz e fazer o outro feliz.”
Para o escritor, as obras de arte têm como uma de suas
características a capacidade de romper a barreira do tempo e do espaço,
preservando sua atualidade. Os grandes clássicos da literatura, por
exemplo, retratam em suas narrativas as grandes questões universais.
Gabriel escolheu, entre esses textos mundialmente conhecidos, histórias
como a do Patinho Feio, da Cinderela, de Dom Quixote, de Hércules, e
textos da Bíblia, como Davi e o gigante Golias e a história do rei
Salomão.
O rei Salomão e o valor da sabedoria
Salomão foi filho de
Davi, o grande rei de Israel. Após sua morte, foi Salomão quem o
sucedeu. A Bíblia conta que, certa noite, Salomão teve um sonho. Sonhou
que Deus dizia: “Pede o que queres que Eu te dê.” Salomão, ainda jovem,
com prudência admirável, pediu a Deus que lhe desse sabedoria para
governar. Diz a Bíblia que Deus agradou-se tanto do pedido que, além de
sabedoria, deu a Salomão tudo mais que um homem pode querer: poder,
riqueza, inteligência, glória e muitos anos de vida para poder
aproveitar tudo isso.
É bastante conhecida a história que versa sobre a sabedoria de
Salomão – a de duas prostitutas que vieram até ele exigindo, ambas, a
guarda de uma criança. Uma delas disse que a outra havia dormido em
cima de seu verdadeiro filho, matando-o sufocado. Ela então trocou as
crianças enquanto a outra dormia com seu bebê saudável. Entretanto as
duas diziam ser a mãe do bebê. Salomão mandou que trouxessem uma espada
para cortar ao meio a criança viva e dar uma metade para cada mulher. A
falsa mãe deu de ombros, mas a verdadeira desesperou-se. Salomão então
deu o bebê à mulher que nutria verdadeiro amor pelo filho.
“Saber é poder”, diz o dito popular. Isso faz com que pensemos
a respeito da importância da sabedoria em nossas vidas e de como ela
pode abrir portas para as mais variadas conquistas. O saber é o
instrumento que nos garantirá uma vida mais digna e nos proverá o
bem-estar essencial para nossa felicidade. E é necessário muita
dedicação para conquistá-lo e para torná-lo nosso aliado nas batalhas
do dia-a-dia.
Aliás, o que será que pediriam os moços e as moças de nossa
geração se lhes fosse dada a mesma oportunidade oferecida ao rei
Salomão? O que desejariam receber? O que considerariam mais importante
na vida? Felizmente começamos a ver jovens presentes em campanhas
fraternas, trabalhos voluntários, projetos voltados às comunidades
carentes. Um indício de sabedoria.
É nosso dever incentivar essa mudança e prosseguir incutindo
em nossas crianças e adolescentes lições e exemplos que contribuam à
formação de seu caráter para que possamos moldar seres humanos mais
sábios, empreendedores e competentes. Seres que tragam em si a
prudência e a sensatez do rei.
O Patinho Feio e o valor do respeito
Quem não conhece a
história do Patinho Feio? Quem nunca sofreu ou ao menos se comoveu com
sua trajetória de sofrimento apenas por ser considerado feio e estranho
aos seus? A riqueza da história de Hans Christian Andersen reside na
capacidade de nos tocar profundamente, de despertar em nós o sentimento
de amor ao próximo, de solidariedade e de respeito às diferenças.
Na história, como na vida real, o preconceito de cor, gênero,
credo ou classe social prescinde de lógica e de racionalidade para se
estabelecer. Não há alegação plausível, nem por parte dos intolerantes,
a capacidade de refletir sobre a importância do outro como peça
fundamental no jogo social. Um jogo que necessita das relações de
troca, de amizade e de aprendizado que vêm da convivência pacífica
entre todos – independentemente da origem ou da história de cada um.
Seja em casa ou na escola, temos o dever de orientar nossas
crianças para a aceitação do outro, para a compreensão de que condutas
preconceituosas só colaboram para a degradação das relações e da
sociedade com um todo. A mensagem de Andersen é clara: a despeito das
experiências dolorosas, temos de continuar acreditando em nós mesmos e
também nos outros – mesmo que, a princípio, pareçam tão diferentes.
Temos de acordar para o fato de que todos podemos ser como cisnes
belíssimos, prontos para aproveitar a primavera e para viver uma vida
pacífica e digna.
A responsabilidade é nossa
Diz Gabriel Chalita: “Devemos
estar conscientes da importância de nosso papel e amparar, reerguer,
reavivar os sentimentos, valores e atitudes que poderão renovar a
confiança em dias melhores. Que essa consciência seja uma realidade e
um estímulo a vocês, companheiros de jornada, colegas de cena neste
teatro fabuloso que é a escola da vida.”
Façamos com amor, sabedoria e respeito a nossa parte!

Valéria Poletti
Para saber mais: Pedagogia do Amor, Gabriel Chalita. Editora Gente.



fev 21, 2009 @ 13:02:13
Olá Felipe!
Gostei demais de sua pergunta. Tenho quase 25 anos de profissão. E posso afirmar que sem amor nada funciona.
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria…
Esse trecho da música da Banda Legião Urbana é parafraseada de um versículo Bíblico: I Coríntios 13
Isso é uma comprovação fiel de que com Amor, mesmo sendo aplicado na pedagogia tudo funciona.
Obrigada pela visita e leitura!
Abraços cheios de magias!