Professor Educador
20 fev 2009 1 Comentário
em Profª Bia Tags:gabriel chalita, professor educador
“É comum, no período que antecede o início das aulas, as crianças terem
uma certa expectativa, um certo desejo, antecipando o que será a
escola. Elas têm a tendência de gostar do professor. É o gosto da
novidade, do que não conhecem – é a aventura do aprendizado.
Começam as aulas e algumas expectativas são superadas, outras
frustradas. Alguns encontros se revelam marcantes, outros nem tanto. Há
alunos que voltam para casa, nos primeiros dias de aula, desejosos de
narrar aos pais cada detalhe de seus professores.
Em uma leve viagem ao passado, rapidamente nos lembramos de alguns
professores. Por que desses e não de outros? Porque alguns marcam mais.
E é desses educadores que a pessoa se lembrará ao longo da vida.
Escolha
Infelizmente, muitos professores se convertem em
burocratas da escola. Estão exercendo a profissão de estar ali e nada
mais. Sem perfume nem sabor. Sem encontro nem encanto. Apenas ali,
munidos de um programa determinado e esperando o fim, já no começo.
Tristes mulheres e homens que embarcam na profissão errada e lá
permanecem aguardando a miúda aposentadoria. Não são maus. Apenas não
são educadores.
Há aqueles que educam desde os primeiros raios da aprendizagem.
Preparam-se para a celebração do saber e do sabor – palavras com a
mesma origem. Lançam redes em busca de curiosidades, surpreendem e
permitem surpreender; ensinam e aprendem com a mesma tenacidade. Estão
ali, em uma sala de aula, desnudos de arrogância e ávidos de vida. Não
temem a inquietação das crianças e dos jovens. Não negligenciam o
conteúdo, mas valorizam os gestos. Gestos – é disso que mais nos
lembramos dos nossos mestres que passaram. E que permaneceram.
Exercício
Lembro-me de alguns, como a Ana Maria, professora de História, que nos
instigava a estudar antes da aula o tema que seria trabalhado. Quando
chegava a aula, propositadamente, errava e nós a corrigíamos. Era um
jogo, uma didática simples que empregava. Eu chegava a sonhar com
aquelas aulas. Ela despertava o gosto pela pesquisa e destravava os
mais tímidos. Todo mundo queria corrigir a professora.
Talvez, um exercício interessante para o professor, seja o das
lembranças. Lembrar de quando era aluno, daqueles professores que eram
educadores e, de repente, ter a humildade de imitá-los ou até
reinventá-los.
E não há tempo nem idade para fazer diferente. É só ter uma
característica que Paulo Freire considerava importante para toda a
gente, mas essencial para quem educava: gostar de viver.
Quem gosta de viver não tem preguiça de reinventar, nem medo
de ousar. Quem gosta de viver não tem medo de ternura, da gentileza, do
amor. Quem gosta de viver, educa!”

Gabriel Chalita, professor universitário, membro da Academia Paulista
de Letras e ex-secretário de Educação do Estado de São Paulo.



nov 18, 2009 @ 00:11:30
Comcordo que somos educadores, mais que professor.
Boa discussão! Parabéns!