Eu, meu aluno e a Internet: uma história a ser “teclada” com muitas mãos
20 fev 2009 Deixe um comentário
em Profª Bia Tags:aluno, internet, professor
Muito
tem se falado sobre as tecnologias, seus impactos na sociedade, seus
grandes benefícios e também malefícios. Naturalmente, essa realidade
tem se refletido na escola, revelando uma grande diferença no modo de
pensar e agir entre nós e nossos alunos. Há um divisor entre os
nascidos antes e depois do computador pessoal (anos 80) e,
principalmente, da internet gratuita e “hyperlincável” (anos 90).
Nossos alunos, segundo o educador americano Marc Prensky, são nativos
nesse mundo tecnológico e, nós, imigrantes.
Nossa
forma de pensar e aprender, comunicar-se, registrar, relacionar-se,
difere muito de nossos educandos. Enquanto nos comunicamos
presencialmente ou por telefone, os planejamentos de aulas estão em
cadernos ou folhas impressas, nossas pesquisas são feitas
preferencialmente em livros, temos TV, CDs e DVDs para lazer, nossos
alunos fazem tudo isto pelo computador com a Internet. Frutos de uma
educação cartesiana e especialista, ainda realizamos as atividades de
forma estanque, enquanto o jovem realiza tudo, preferencialmente, de
forma simultânea. Uma cena comum nos lares dessa aldeia global: o
adolescente fica no quarto, msn ativo, Orkut aberto, fazendo download
de músicas em MP3, fala ao telefone convencional, passa mensagens pelo
celular, olha um programa na TV, ouve música e com o material didático
aberto ainda estuda para a s provas.
Toda
esta diferença tem causado um estrondo na escola. É como se tivéssemos
pessoas falando idiomas diferentes e ninguém se entende. Os professores
reclamam de alunos indisciplinados e desmotivados. Alunos, por sua vez,
consideram as aulas monótonas e sem “graça”. Qualquer semelhança com a
sua escola ou alguma que você conheça não é mera coincidência… É
parte da história. Estamos vivendo este desafio não porque somos
atrasados ou incompetentes, mas pelo fato puro e simples de que não
tivemos tempo de nos prepararmos para isto tudo. A tecnologia chegou e
pronto. Rápida e definitivamente. Não tem mais volta.
E
como fazer para diminuir esta distância com nossos alunos e passar a
estabelecer uma comunicação mais eficiente e produtiva com eles?
Estabelecendo pontes! E como se faz isto, meu colega? Permitindo-se ser
imigrante ou, ao menos, turista neste mundo tecnológico. Temos que nos
dispor a aprender o “tecnologês e o internetês”. É fácil? Isto depende
de cada um. Sabemos que aprendizagem é processo e que cada um aprende
no seu ritmo. E que todos aprendem. E por onde começar para ser, ao
menos, um turista no mundo tecnológico?
Em
primeiro lugar, é preciso disponibilidade. É necessário querer se
apropriar deste conhecimento. Isso internalizado, os passos seguintes
são simples e tranquilos. E não é necessário ir a escolas
especializadas – os melhores professores estão em sua sala de aula.
Esta é uma história que começa teclada a quatro mãos!
Aproveite
o conhecimento ferramental com seus alunos para dominar a técnica.
Transformar informação em conhecimento, construir valores e conceitos
corretos, enfim, cabe a nós, professores, uma sociedade mais humana.
Vamos lá:
– Comece aprendendo sobre a ferramenta de e-mail. Instrumento fundamental de comunicação na web.
-
Comece a navegar por sites e portais educacionais se afiliando aos
mesmos. Nesses sites, você encontrará outros endereços interessantes,
sugestões para aulas, trocas de experiências com outros docentes e um
mundo de possibilidades pedagógicas.
-
Depois, você pode montar um site pessoal ou blog. Os grandes portais
oferecem ferramentas bem simples e gratuitas para montar o seu espaço
na web. Exercícios, textos complementares, descritivos de pesquisas
escolares, enfim, tudo fica hospedado na página pessoal e é acessado
diretamente por seus alunos.
Como utilizar essa ferramenta de forma didático-pedagógica?
A tecnologia é um meio e não um fim. Ou seja, os recursos tecnológicos
complementam todas as ações que já realizamos na escola, desde os
livros, vídeos, feiras de ciências, teatros e tudo mais.
O essencial é perceber, com bom senso, o que é mais adequado para o
momento atentando-se ao perfil e necessidades pedagógicas da turma,
conteúdo a ser trabalhado, tempo disponível e aplicabilidade.
Tecnologia
pressupõe planejamento. Nada de simplesmente ir ao laboratório e
sugerir uma pesquisa livre. Isto é absolutamente improdutivo e
perigoso. Você nunca sabe o que pode vir (experimente digitar “cavalo”
num buscador de imagens e aterrorize-se!). O uso do laboratório de
informática, seja para uso da Internet, softwares educativos ou
aplicativos, deve ser oriundo de um conteúdo acadêmico. A aula nasce
para atender um objetivo pedagógico e utiliza-se de alguns recursos
educacionais, entre eles, os tecnológicos. Logo. o conteúdo é
apresentado em sala de aula e ampliado no laboratório ou vice-versa – e
o principal são os objetivos pedagógicos a serem atingidos.
Se
realmente quiser propor aos alunos uma pesquisa, delimite a busca,
indicando pelo menos cinco sites. Será produtivo e seguro para você e o
grupo. Cada vez que realizar uma atividade pedagógica virtual, registre
no caderno dos alunos. Exemplo: o conteúdo “Célula” da unidade 1 foi
abordado no site http://www.talecoisa.com.br no laboratório de informática.
Permita
que os trabalhos dos alunos sejam apresentados em sites ou blogs. Há
ainda as webquests, uma metodologia específica para trabalho pedagógico
na web. Você também pode pesquisar lista de fóruns e debates onde se
discutem assuntos de seu interesse, inclusive os acadêmicos – um número
enorme de professores se interessa em contribuir e trocar experiências
entre docentes. Ainda existe a possibilidade de se desenvolver uma
atividade colaborativa, envolvendo grupos de outras escolas e cidades.
Seja imigrante neste maravilhoso mundo virtual e faça parte da
realidade do seu estudante.
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Danielle Lourenço é pedagoga e consultora em Tecnologia Responsável. Para saber mais: www.daniellelourenco.com.br ou entre em contato pelo e-mail dani@daniellelurenco.com.br
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Nos
links abaixo, você pode saber mais sobre as novas tecnologias na
educação, inclusive, como criar um blog. Falando nisso, gostaria de
saber de você, cadastrado do JV: você tem blog? Vamos divulgá-lo aqui e
em nossa comunidade do Orkut então! Mande-me um e-mail com seu nome,
endereço de blog, ensino em que ministra aulas (fundamental, médio ou
superior) e cidade/estado.
Bom Feriado de carnaval!




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