A Exclusão e a Inclusão de Alunos

A
escola tem sido um excelente meio de contribuir com a exclusão do
cidadão no mercado de trabalho quando aprova alunos que não aprenderam
o que tinham que aprender.

Os pais também estão sendo excludentes quando querem que seus filhos sejam aprovados mesmo que não tenham aprendido nada.

O
governo contribuiu bastante com a exclusão dos seus alunos quando
obrigou as escolas a adotarem a aprovação sistemática, pela qual nenhum
aluno poderia ser reprovado, mesmo que nem ler soubesse.

Todos
estes alunos que receberam diplomas sem merecer estão chegando ao
mercado de trabalho sem qualificações necessárias para sequer escrever
um relatório, e muito menos compreendê-lo.

O Brasil do trabalho reclama que falta competência aos candidatos às vagas existentes. Ao mesmo tempo sobram desempregados.

Minha
orientação aos professores é que eles sejam inclusivos por meio da
mudança de atitude no processo ensino-aprendizagem, pois atualmente ele
está deturpado para processo aprovação-reprovação do aluno.

Método excludente:
quando um aluno atrasa para chegar à aula pela terceira vez, o
professor clássico não permite que ele entre na sala de aula. Dá uma
suspensão para que o aluno aprenda a não se atrasar. Como se, ao
excluir o aluno, ele aprendesse a chegar a tempo, a não se atrasar.

O
princípio pedagógico desta suspensão é privá-lo de algo que lhe seja
importante. Mas é importante para quem? Para o aluno que não é, pois
quando ele está interessado, não perde um segundo na cama. Exemplo:
acordar de madrugada aos sábados e domingos para surfar.

O
aluno atrasa porque não está interessado. Não lhe cobram aprendizado,
mas a presença na classe. Reprova-se por faltas às aulas, mas não por
falta de aprendizado.

Esta suspensão aumenta o desinteresse do
aluno, que agora tem motivo para não assistir à aula: a própria
suspensão. Agora ele tem justificativa de não conseguir acompanhar a
matéria, afinal ele estava suspenso.

Método inclusivo:
no primeiro atraso de um aluno, o professor com nova atitude, a de
estar interessado no aprendizado do jovem, explica ao atrasado:

“Como
você se atrasou, mas não quero que você perca o que eu já expliquei,
você escolhe um colega para que depois da aula lhe explique o que você
perdeu com o atraso. Na próxima aula, vou lhe perguntar o que o seu
colega lhe explicou. Se você souber você ganha um ponto na nota, e quem
lhe explicou também ganha um ponto.” E continua dando a aula.

Este
professor não deve esquecer a promessa feita. Deve anotar no diário e,
na próxima aula, essa deve ser sua primeira ação. Se você é o
professor, pergunte ao estudante atrasado quem foi o aluno escolhido
para lhe explicar.

Este tempo é necessário para o aluno
organizar sua mente e mostrar o que aprendeu com o colega. Se perguntar
direto, além de intimidar, pode dar um “branco” no aluno, pois ele pode
não ter a prontidão esperada. Se mesmo assim ele não se lembrar, vale a
pena jogar para os alunos: “quem disser uma palavra que resuma a aula
passada ganha um ponto!”

A maioria dos alunos não está ainda com
a mente aquecida para começar a pensar na matéria, enquanto a mente do
professor já está preparada faz tempo para dar a aula.

Sempre há
um aluno que diz uma palavra. Se for pertinente, o professor dá um
ponto e pede a segunda palavra. Esta segunda surge mais rapidamente, e
a terceira, mais ainda. Em menos de um minuto, o professor já tem 5
palavras e os alunos estão com a mente preparada para receber a
sequência da aula passada. Depois volta-se ao aluno, que atrasou na
aula passada, com a mesma pergunta.

O professor tem de ter a
nova atitude de querer incluir este aluno no aprendizado. Portanto,
deve também ser criativo em facilitar que o aluno lhe responda, e não
torcer para que ele não se lembre para “ferrar com ele”.


décadas existia um exame oral, no qual o professor sorteava uma
pergunta ao aluno que tinha que lhe responder. Quando o professor
queria reprovar o aluno, não lhe ajudava em nada, pelo contrário,
criava um campo; tempo para forçar um “branco” no aluno. Mas quando ele
queria aprovar, tudo favorecia, dizendo até o início da
palavra-resposta para o aluno simplesmente completar.

Com esta nova atitude, a inclusiva, o professor está preparando um futuro profissional competente para melhorar o Brasil.

Por Içami Tiba

Fonte: http://educacao.uol.com.br

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