Pedagogia Hospitalar
14 fev 2009 1 Comentário
em Profª Bia Tags:diversidade, educação, paciente, profissão mestre, renata sklaski, transdisciplinariedade
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Classe hospitalar – Há espaço para o professor no hospital
Ao
abrir a porta da enfermaria, já foi possível avistar Juliana, 9 anos,
paciente da Ortopedia do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba.
Internada para um sério tratamento no quadril e nas pernas, a garota
pouco se importava com os tensores amarrados aos membros, que a
impediam de fazer qualquer movimento fora da cama. Toda sua atenção
estava voltada para a tela do notebook colocado em seu colo, no qual,
pouco a pouco, ela construía o resultado da pesquisa que realizou sobre
o funcionamento do aparelho respiratório.
Com
o acompanhamento da professora Sandra Carvalho, a menina montava uma
apresentação da pesquisa, que teve início a partir da sua própria
curiosidade sobre o ato de respirar. “Eu achava que eram duas veias que
saíam do nariz e iam direto para o coração, e quando o coração batia
mandava o ar para fora de novo”, conta. A partir da primeira hipótese
da respiração feita pela menina, os professores do hospital a
estimularam a pesquisar sobre o assunto, até descobrir a teoria
correta. “Partindo da vontade dela de saber como funciona a respiração,
nós levamos outros conhecimentos e ela estudou ciências, leu bastante,
escreveu, e agora ela vai fazer uma apresentação em Powerpoint para
mostrar aos colegas o que ela aprendeu. Isso significa disseminar
conhecimento”, declara a assistente de coordenação do setor de Educação
e Cultura do hospital, Maria Gloss.
É
nessa linha que funciona o trabalho realizado pela equipe de
professores do Pequeno Príncipe. Formado por quatorze educadores -
entre professores das redes municipal e estadual de ensino, além dos
profissionais contratados pelo próprio hospital -, o setor de Educação
e Pesquisa existe formalmente desde 2000, mas o atendimento escolar já
é praticado na instituição desde 1989. Essa prática é apenas um exemplo
do que hoje se conhece como pedagogia hospitalar.
A
primeira classe hospitalar do país surgiu na cidade do Rio de Janeiro,
no início da década de 50, no Hospital Municipal Jesus, e se tornou
referência nacional no âmbito da educação especial transitória por
manter suas atividades em funcionamento ininterruptamente até os dias
de hoje. A importância das classes hospitalares já é reconhecida
legalmente por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente
Hospitalizado, na resolução nº 41 de outubro de 1995, que em seu item 9
fala sobre o “Direito de desfrutar de alguma forma de recreação,
programas de educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar
durante sua permanência hospitalar”. Em novembro de 2000, foi aprovada
a lei 10.685, que determina que hospitais ofereçam às crianças e
adolescentes um bom atendimento educacional, que permita o
desenvolvimento intelectual e pedagógico, bem como o acompanhamento do
currículo escolar. Porém, mesmo com a pr evisão legal, a prática não é
corriqueira. Ainda não são todos os hospitais pediátricos brasileiros
que dispõem de uma estrutura adequada. Em todo o Estado de São Paulo,
por exemplo, há cerca de 35 classes hospitalares em funcionamento – um
número considerado pequeno perto do número de internações infantis.
A
pedagogia hospitalar é um assunto em voga. Desde o surgimento da lei de
2000, vários cursos de especialização na área foram surgindo no país, o
que vem chamando a atenção de pedagogos e educadores que desejam
exercer a profissão em outro espaço, fora da escola. Entre as matérias
ministradas nos cursos de especialização, estão “Infecção Hospitalar”,
“Brinquedotecas em Hospitais”, “Psicopedagogia Hospitalar” e “Políticas
de Humanização dos Sistemas de Saúde”. Porém, a necessidade de um
preparo especial para atuar em classes hospitalares levanta polêmica,
principalmente entre os profissionais que já atuam no setor.
“Particularmente, não acho que seja necessária a especialização em
educação hospitalar. A nossa equipe é composta por quatorze
professores, todos com anos de experiência em sala de aula, e não tem
nada que nós façamos aqui que não tenhamos feito na escola. O que
precisamos é de bons professores” , declara o coordenador do setor de
Educação e Cultura do Pequeno Príncipe, Cláudio Teixeira, que é
psicólogo e desde que saiu da faculdade trabalha com educação. No
hospital, ele começou a trabalhar em 2000, quando a instituição passava
por vários processos de humanização do atendimento. Em 2002, foi aberto
o setor de Educação e Cultura, do qual ele assumiu a coordenação.
Cláudio
explica que todas as atividades propostas às crianças internadas e o
desempenho que elas alcançam estão em constante avaliação, dentro de um
contexto pedagógico. A partir do quinto dia de internamento da criança,
os professores já iniciam o trabalho com o novo aluno. Todo o
acompanhamento pedagógico é feito pela equipe do hospital, mas a escola
da criança é sempre notificada do trabalho que está sendo realizado
durante o internamento. Essa conexão escola-hospital permite ao aluno o
acompanhamento do conteúdo que está sendo passado à turma a qual
pertence. “Nós sabemos que essas crianças estão aqui para um sério
tratamento de saúde, e esse é o foco. A qualquer momento ela pode ser
chamada a fazer um exame ou uma cirurgia. Por isso, não são elas que
vêm até nós. Nós vamos até elas, levando atividades educacionais e
culturais na enfermaria, no isolamento ou no corredor”, declara o
coordenador. Duran te o período de internamento, o professor registra
tudo o que foi trabalhado em uma ficha de tutoria. Após a alta, o
educador escreve um parecer, que é enviado à escola junto com todas a
atividades desenvolvidas pelo aluno no hospital. Esse documento
auxiliará a instituição de ensino no processo de readaptação da criança
ao dia-a-dia escolar.
Entre
as várias opções de atividades oferecidas pelo hospital, uma que se
destaca é a “Ciranda do Saber”, em que um paciente faz uma apresentação
sobre determinado tema que pesquisou. A atividade acontece na sala
própria do setor e reúne crianças, adolescentes, pais, acompanhantes e
professores em uma grande roda de conhecimento. No dia da visita da
reportagem ao hospital, estava acontecendo uma ciranda sobre o Egito,
apresentada por uma paciente da ortopedia, estudante do 2º ano do
ensino médio. O que mais impressionava nos pacientes que acompanhavam a
apresentação da colega era a curiosidade que saltava em seus olhos, a
sede de aprender, de descobrir, que vencia a fraqueza e as doenças. Por
isso, o ambiente não assusta – encanta. Principalmente por uma
característica importante de qualquer classe hospitalar, seja ela onde
for: a diversidade, um desafio para muitos professores.
Foi
essa característica que conquistou de vez a professora Maria Gloss. Há
três anos trabalhando no hospital, depois de anos de trabalho em
escolas municipais de Curitiba, Maria declara que foi ali que ela
encontrou a escola que procurou a vida toda. “Aqui a gente tem a
oportunidade de trabalhar com a vida. É a escola mais saudável que eu
conheço. Isso parece muito dual, porque eu estou dentro de um hospital.
Mas é um espaço de cura até para a escola, o que eu vivencio aqui é
isso”, emociona-se.
Também
foi nessa diversidade que a professora Eneida Simões da Fonseca se
realizou profissionalmente. Para Eneida, que é PhD em Desenvolvimento e
Educação de Crianças Hospitalizadas pelo Institute of Education -
University of London e tem mais de vinte anos de experiência na área, o
professor que deseja trabalhar no âmbito hospitalar precisa de
sensibilidade para atender as necessidades e interesses que emanam na
diversidade. “Há duas características essenciais a um professor no
ambiente hospitalar. Uma é estar consciente de que há um espaço para
ele no ambiente hospitalar. Para tal, não deve esquecer que isto
implica uma outra característica, que é o compromisso com o direito da
criança doente à escolaridade. Acho um equívoco o professor ter que
dominar aspectos médicos. O que é necessário é o domínio da
transdisciplinariedade, da diversidade dos alunos, para atender suas
necessidades de aprendizado”, de clara.
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Por Renata Sklaski, publicado na revista Profissão Mestre.
Fonte: JORNAL
VIRTUAL PROFISSAO MESTREGostar disso:



fev 12, 2011 @ 20:02:42
gostaria de saber,quanto ganha um profissional dessa area de pedagogia hospitalar,quantos anos é a especializaçao.bjos