5 dicas para uma aula melhor


1 – Incite, não informe
Uma boa aula não termina em silêncio ou com os alunos olhando para o
relógio. Ela termina com ação concreta. Antes de preparar cada aula,
pergunte-se:, o que você matéria seria colocada em um jornal
ou revista? Use o espírito das manchetes, não seja literal, nem tente
ser um professor do tipo:
Folha: Números Primos encontrados no congresso. 68% dos outros algarismos são contra.
IstoÉ: Denúncia: A conta secreta de Maurício de Nassau.
Fernando Henrique poderia estar envolvido, se já fosse nascido.
Zero Hora: O Mar Morto não fica no Rio Grande do Sul. Apesar disso, você precisa conhecê-lo.
Caras: Ferro diz que relacionamento com oxigênio está corroído: “Gás Nobre coisa nenhuma”.

2 – Conheça o ambiente

Você nunca vai conseguir a atenção de uma sala sem a conhecer. Onde
moram os alunos e como eles vivem – quem vem de um bairro humilde de
periferia não tem nada a ver com um morador de condomínio fechado,
apesar de, geograficamente, serem vizinhos. Quais informações eles
tiveram em classes anteriores, quais seus interesses. Mesmo nas
primeiras séries, cada pessoa têm suas preferências e o grupo assume
determinada personalidade.

3 – No final das contas (e no começo também)

As partes mais importantes de uma aula são os primeiros 30 e os últimos
15 segundos. Todo o resto, infelizmente, pode ser esquecido se você
cometer um erro nesses momentos.
Os primeiros 30 segundos (principalmente das primeiras aulas do ano ou
semestre) são um festival de conceituação e de cálculo dos discentes.
Mesmo inconscientemente, eles respondem às seguintes questões:
- Quem é esse professor? Qual seu estilo?
- O que posso esperar dessa aula hoje e durante todo o ano?
- Quanto da minha atenção eu vou dedicar?
E isso, muitas vezes, sem que você tenha aberto a boca.

4 – Simplifique

Você certamente já presenciou esse fenômeno em algumas palestras: elas
acabam meia hora antes do final. Ou seja, o apresentador fala o que
tinha que falar e passa o resto do tempo enrolando. Ou então, pior,
gasta metade da apresentação com piadas, truques de mágica, histórias
pessoais que levam às lágrimas, “compre meu livro” e aparentados, e o
assunto, em si, é só apresentado no final – se isso.
Por isso, uma das regras de ouro de uma boa aula é
- simplifique, tanto
na linguagem como na escrita.
Caso real: reunião de condomínio na
praia, uma senhora reclamava que sua TV não funcionava direito.
Explicaram-lhe que era necessário sintonizar em UHF. Ela então
perguntou para quê a diferença entre UHF e VHF. Um vizinho prestativo
passou a discorrer sobre diferenças na recepção, como uma transmissão
poderia interferir na outra, nas características geográficas… Ela
continuava com aquela cara de quem não entendia nada. Até que um garoto
resumiu a questão em cinco letras:
“AM e FM.”
“Ahhh, entendi.”
Escrever e falar da maneira mais simples possível não significa
suavizar a matéria ou deixar de mencionar conceitos potencialmente
“espinhosos”. Use e abuse de exemplos e analogias. Divida a informação
em blocos curtos, para que seja melhor assimilada.

5 – Ponha emoção

Certo, você tem PhD naquela área, pesquisou o assunto por meses a fio,
foi convidado para dar aulas em faculdades européias. Mesmo assim, seus
alunos podem não prestar atenção em você. Segundo estudos, o impacto de
uma aula é feito de:
- 55% estímulos visuais – como você se parece, anda e gesticula;
- 38% estímulos vocais – como você fala, sua entonação e timbre;
- e apenas 7% de conteúdo verbal – o assunto sobre o qual você fala.
Apoiar-se somente na matéria é uma forma garantida de falar para a
parede, já que grande parte dos alunos estará prestando atenção em
outra coisa. Treine seus gestos, conte histórias, movimente-se com
naturalidade. Passe sua mensagem de forma interessante.
Para o bem e para o mal, você dá aula para a geração videoclipe.
Pessoas que foram criadas em frente aos mais criativos comerciais, onde
videogames mostram realidades fantásticas. Entretanto, a tecnologia
deve ser encarada como aliada, e não inimiga – apresentações
multimídia, aparelhos de som, videocassetes – tudo isso pode ser usado
como apoio à sua aula.

Brasílio Neto

Oscar 2009. Quem vai ganhar?

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Sempre que
acontece a premiação para o Oscar você arrisca, ou até mesmo aposta, algum nome
como vencedor?

Você arrisca nomes
para o Oscar 2009?



Hoje eu descobri uma coisa que sempre fiquei me perguntando e não tinha
resposta, mas por acaso, navegando pelo site da UOL, entendi por que muitas
vezes os mais esperados, não são sempre os que ganham o Oscar.
Muitas vezes o nome mais cotado não ganha e ficam todos de queixo caído, e isso
por muitas vezes acontecia comigo.
Por fim, nem mais arriscava apostas. Bem, hoje entendi o que acontece por trás
dos bastidores da escolha dos indicados para esse prêmio.

Segundo GAYDEN
WREN, Do Hollywwod Watch, afirma que: “(.) não se trata de quem você acha que
deve vencer, porque os eleitores da Academia não são como você ou seus amigos.
Eles assistem a mais filmes e os assistem como pessoas de dentro da indústria,
o que significa que eles têm mais consciência do mecanismo por trás da mágica
e, portanto, ficam mais impressionados quando a mágica supera o mecanismo”.

Bom, agora as
escolhas fazem sentido pra mim. Sabia que tinha uma boa desculpa por trás
dessas escolhas.

Agora mesmo que não
farei previsão mais! rs

Fonte:http://cinema.uol.com.br/oscar

13 Dicas para ter um infarto Feliz

Estava dando uns rolés por esses Blogs da net me deparei um um incrível Blog com fotos maravilhosas do Chile e fiquei boquiaberta, literalmente com as fotos das paisagens, busquei conhecer o perfil do Blogueiro. E lá descobri todos seus Blogs e em um deles havia o texto que postei aqui sobre as 13 dicas para ter um infarte.

Vale a pena dar uma passadinha nos Blogs abaixo:

Desinozando e Volta ao Mundo Google Earth


por Dr. Ernesto Artur – CARDIOLOGISTA

  1. <> Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias;

  2. <> Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos;

  3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde;

  4. <> Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem;


  5. <> Procure
    fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e
    aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros,
    reuniões, simpósios etc.;


  6. <> Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila.
    Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes;


  7. <> Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro;


  8. <> Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro;


    <> Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo.


  9. <> Se
    sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de
    estomago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão
    te deixar tinindo;


  10. <> Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.


  11. <> E
    por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração,
    meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida . Isto é
    para crédulos e tolos sensíveis.

  12. Repita para si: Eu não perco tempo com bobagens.

BOM INFARTO PRA VC!

TEXTO ENCONTRADO NO BLOG: http://desinozando.blogspot.com/

Aprender a Aprender


Ora, antes de pensar Matemática, Medicina, Direito, Engenharia, Filosofia
etc., é preciso simplesmente saber pensar, óbvio. Presume-se que
as pessoas nascem pensando… o que está longe de ser verdade. As pessoas
nascem com inteligência, o que não significa que façam uso
dela.


No entanto, já no século IV a.C., milhares de anos antes do Curso
Objetivo, do Curso Anglo etc., o filósofo grego Aristóteles anunciava,
sem muita propaganda ou marketing, um curso deste tipo. Foi ele o primeiro a
anunciar um curso que ensinava a lidar com as formas do pensamento, sem
ligar para o seu conteúdo. Ensinava a pensar correto, pois
um raciocínio não é verdadeiro nem falso, e sim válido
ou inválido. Como insistir em verdadeiro e falso, como se só houvesse
essas duas alternativas, como se a todas as perguntas fosse possível
responder com esse tipo de dualismo, um dos tantos que infernizam a vida humana,
como seus colegas: certo/errado, bom/mau, bonito/feio, moral/imoral, normal/anormal,
natural/anti-natural, teísta/ateu, homossexual/heterossexual (ah! novela
Mulheres Apaixonadas, com mãe e filha se dilacerando por causa
disso) etc.

Certo, errado, verdadeiro ou falso?

Entre certo e errado existe toda uma gama de valores: provavelmente
certo
, provavelmente errado, insuficiência de dados
Aristóteles mesmo caiu nessa cilada. Ele é o fundador da lógica
bivalente, aquela que vê tudo em termos de verdadeiro ou falso,
isto é, só admite dois valores lógicos. Foi preciso passarem
23 séculos para a lógica explodir esses conceitos, no século
dezenove. Hoje falamos de lógicas, no plural: bivalente, trivalente,
polivalente entre outras.


Dever-se-ia, pois, evitar pedir aos educandos que respondam verdadeiro
ou falso às questões… Verdade e falsidade são
algo objetivo, que se impõe a todos. Respostas como
certo ou
errado já são mais modestas, mais realistas. Certo ou errado
são algo subjetivo, que depende da pessoa, dos dados de que dispõe.
Seria ainda mais educativo fornecer ao educando uma gama de respostas:
certo,
provavelmente certo, insuficiência de dados, provavelmente errado, errado.
Quanto mais ignorante é uma pessoa, mais certezas tem. Ela confunde
o amor à certeza com o amor à verdade.

Por exemplo, se alguém perguntar a um marido alcoólatra se ele
costuma bater na mulher quando está completamente embriagado, será
que ele poderá responder a essa pergunta em termos de verdadeiro
ou falso, de correto ou incorreto, como fazem aqueles policiais
entrevistados lá no programa Cidade Alerta?. Evidentemente que não.
Ele só poderá dizer: “provavelmente sim”, ou “provavelmente
não”, ou “não sei”. Quem poderia responder a isso
em termos de verdadeiro ou falso seria só Deus ou um vice-Deus.
Mas Deus não é casado nem alcoólatra…

Ninguém nasce pensando

Aristóteles falava de um organon, um instrumento para ampliar
a nossa capacidade de pensar. Uma espécie de “óculos”
para aumentar a nossa visão intelectual, como os oculistas prometem ampliar
a nossa visão física. Porque ninguém na realidade nasce
pensando. Pensar é um hábito, uma conquista, algo que se adquire,
que vira uma segunda natureza. As pessoas nascem com a capacidade de pensar.
Não quer dizer que façam uso dela. O hábito é algo
que se faz sem dificuldade, quase sem o sentir. Como a virtude, que se
pratica sem o perceber, sem dificuldade. O vício também é
assim: pratica-se com a maior facilidade. Basta observar a frieza com que os
criminosos falam dos seus feitos monstruosos.
Se ninguém nasce pensando, ninguém também precisa morrer
sem pensar. Pensar se aprende. Basta exercitar-se no pensamento. Se quem inventou
o alfabeto era analfabeto, quem inventou o pensamento era um “burro”
no bom sentido, que parou para pensar. O problema é o do que vem a ser
pensar, afinal de contas. Para os dicionários, é refletir (voltar-se
para si mesmo), considerar (etimologicamente, “olhar para os astros”,
sidera em latim), formar idéias etc. Tudo demasiado vago, que
deixa a pessoa na mesma, sem saber por onde começar.

Operações de pensamento

Na realidade, pensar é trabalhar sobre os dados que nos são fornecidos
pelos sentidos. Dado é, como o nome está dizendo, aquilo
que recebemos de graça, sem nenhum esforço, bastando abrir os
olhos ou os ouvidos. Como tudo o que é de graça, isso pouco valor
tem para nos orientar na selva da realidade. Só o dado trabalhado, burilado
(como o diamante bruto) adquire toda a sua força, toda a sua importância
para nós. Podemos trabalhá-lo de várias formas: observando-os
bem (sabemos que a atenção espontânea, é dispersa,
podendo deixar de lado o imperceptível e o significativo), comparando-os
entre si, interpretando-os etc. Donde as chamadas operações
de pensamento
: observação, comparação, interpretação,
classificação, resumo, imaginação (invenção),
procura de pressupostos, crítica etc. Todas elas com regras apropriadas.
É isso, se não me engano, que devia ser feito em sala de aula
e fora dela. A matéria lecionada, o currículo não tem lá
tanta importância.
Para a Filosofia nenhum assunto lhe é estranho; pelo contrário,
todo bom assunto lhe é estranho. Assim também para a “pensamentática”.
Essa e a decoreba usam do mesmo currículo, mas não com os mesmos
resultados. A primeira forma o cidadão, o profissional competente; a
segunda, o diplomado. Vale a pena, pois, ensinar a pensar.

Os entendidos garantem que não fazemos uso nem de 5% da nossa capacidade
de pensar

Sabe-se que esta divisão das pessoas é feita pelos “bons”

Idea (grego), donde Cícero tirou o latim idea, significa
exatamente isto: “visão mental”

João Paixão Netto


Fernando Pessoa: Espólio é Patrimônio Nacional



Notificações.
Abrangem públicos e privados

Despacho da Biblioteca Nacional dá vinte dias para comunicações

O despacho assinado no dia 14 deste mês pelo director da Biblioteca
Nacional (BN) classifica todo o espólio de Fernando Pessoa como
património nacional. O documento impõe, desde a sua assinatura, que
qualquer mudança de casa ou de titularidade de partes do espólio do
autor português mais conhecido mundialmente tenha de ser comunicada,
além de estar impedida de sair do país, a não ser para exposições
autorizadas.

“O Estado não teve outro remédio senão proceder à sua classificação”,
disse ao DN o director da BN, Jorge Couto, que explica porque procedeu
desta forma. “Iniciei há dois anos um longo período de contactos para
que a família apresentasse propostas ao conjunto de materiais que
incluem 300 cartas entre Fernando Pessoa e a mãe, para as quais propus
uma cláusula de consulta reservada. Nada se conseguiu. E como havia o
risco de dispersão de um bem cultural, o Estado sentiu o dever de
intervir, com a classificação. A família nunca abriu uma porta ao
Estado, dando sempre respostas negativas ou evasivas, denotando sempre
um grande ressentimento.”

Notificações enviadas

Nesta sequência a BN já notificou as bibliotecas públicas de Ponta
Delgada e do Porto, assim como o centro de Estudos Regianos de Vila do
Conde e a Casa Fernando Pessoa em Lisboa – locais onde existe material
do e sobre o poeta -, para que respeitem as normas decorrentes da
classificação. Ficam também obrigados às mesmas determinações os
desconhecidos que possuem documentos de Pessoa, nomeadamente os da sua
correspondência com amigos.

Jorge Couto lembra que existe ainda “muita documentação na família e
entre particulares que podem contribuir para novas perspectivas sobre
Fernando Pessoa”.

Questionado sobre o anúncio do leilão que no dia 13 de Novembro
licitará fotos e manuscritos à mão e à máquina do poeta, o director da
BN refere que “a classificação não impede que os bens fiquem com os
privados”.



LEONOR FIGUEIREDO

Pedagogia do Amor


Num tempo em que a aparência vale mais do que a essência e a competição
impera nos relacionamentos, é imprescindível falar com nossas crianças
sobre companheirismo, amizade, amor. Num tempo em que a esperança
parece cada vez mais escassa, é fundamental reavivar nossa confiança em
dias melhores. Num tempo em que os valores que devem nortear a vida em
sociedade são progressivamente esquecidos, é um estímulo encontrar
obras como A Pedagogia do Amor,
de Gabriel Chalita, escritor e professor. Em seu livro, Chalita buscou
mostrar aos pais e professores a contribuição das histórias universais
para a formação de valores da nova geração, tão carente de princípios
como respeito, solidariedade e idealismo. O autor tenta fazer isso de
forma lúdica, querendo, em um primeiro momento, resgatar no leitor
adulto esses valores, para que, na seqüência, ele passe isso para seus
alunos, seus filhos.

São dez histórias da literatura universal escolhidas por
Gabriel pela relevância de seus ensinamentos. O autor diz que pretende
resgatar em nós, adultos, a criança que um dia já existiu. Segundo ele,
“uma criança que com o passar dos anos – e de todas as exigências que
vêm no seu encalço -, vai se tornando cada vez mais reclusa e esquecida
dos valores nobres que dão a ela dignidade e fidelidade aos seus
princípios mais básicos: ser feliz e fazer o outro feliz.”

Para o escritor, as obras de arte têm como uma de suas
características a capacidade de romper a barreira do tempo e do espaço,
preservando sua atualidade. Os grandes clássicos da literatura, por
exemplo, retratam em suas narrativas as grandes questões universais.
Gabriel escolheu, entre esses textos mundialmente conhecidos, histórias
como a do Patinho Feio, da Cinderela, de Dom Quixote, de Hércules, e
textos da Bíblia, como Davi e o gigante Golias e a história do rei
Salomão.

O rei Salomão e o valor da sabedoria
Salomão foi filho de
Davi, o grande rei de Israel. Após sua morte, foi Salomão quem o
sucedeu. A Bíblia conta que, certa noite, Salomão teve um sonho. Sonhou
que Deus dizia: “Pede o que queres que Eu te dê.” Salomão, ainda jovem,
com prudência admirável, pediu a Deus que lhe desse sabedoria para
governar. Diz a Bíblia que Deus agradou-se tanto do pedido que, além de
sabedoria, deu a Salomão tudo mais que um homem pode querer: poder,
riqueza, inteligência, glória e muitos anos de vida para poder
aproveitar tudo isso.

É bastante conhecida a história que versa sobre a sabedoria de
Salomão – a de duas prostitutas que vieram até ele exigindo, ambas, a
guarda de uma criança. Uma delas disse que a outra havia dormido em
cima de seu verdadeiro filho, matando-o sufocado. Ela então trocou as
crianças enquanto a outra dormia com seu bebê saudável. Entretanto as
duas diziam ser a mãe do bebê. Salomão mandou que trouxessem uma espada
para cortar ao meio a criança viva e dar uma metade para cada mulher. A
falsa mãe deu de ombros, mas a verdadeira desesperou-se. Salomão então
deu o bebê à mulher que nutria verdadeiro amor pelo filho.

“Saber é poder”, diz o dito popular. Isso faz com que pensemos
a respeito da importância da sabedoria em nossas vidas e de como ela
pode abrir portas para as mais variadas conquistas. O saber é o
instrumento que nos garantirá uma vida mais digna e nos proverá o
bem-estar essencial para nossa felicidade. E é necessário muita
dedicação para conquistá-lo e para torná-lo nosso aliado nas batalhas
do dia-a-dia.

Aliás, o que será que pediriam os moços e as moças de nossa
geração se lhes fosse dada a mesma oportunidade oferecida ao rei
Salomão? O que desejariam receber? O que considerariam mais importante
na vida? Felizmente começamos a ver jovens presentes em campanhas
fraternas, trabalhos voluntários, projetos voltados às comunidades
carentes. Um indício de sabedoria.

É nosso dever incentivar essa mudança e prosseguir incutindo
em nossas crianças e adolescentes lições e exemplos que contribuam à
formação de seu caráter para que possamos moldar seres humanos mais
sábios, empreendedores e competentes. Seres que tragam em si a
prudência e a sensatez do rei.

O Patinho Feio e o valor do respeito
Quem não conhece a
história do Patinho Feio? Quem nunca sofreu ou ao menos se comoveu com
sua trajetória de sofrimento apenas por ser considerado feio e estranho
aos seus? A riqueza da história de Hans Christian Andersen reside na
capacidade de nos tocar profundamente, de despertar em nós o sentimento
de amor ao próximo, de solidariedade e de respeito às diferenças.

Na história, como na vida real, o preconceito de cor, gênero,
credo ou classe social prescinde de lógica e de racionalidade para se
estabelecer. Não há alegação plausível, nem por parte dos intolerantes,
a capacidade de refletir sobre a importância do outro como peça
fundamental no jogo social. Um jogo que necessita das relações de
troca, de amizade e de aprendizado que vêm da convivência pacífica
entre todos – independentemente da origem ou da história de cada um.

Seja em casa ou na escola, temos o dever de orientar nossas
crianças para a aceitação do outro, para a compreensão de que condutas
preconceituosas só colaboram para a degradação das relações e da
sociedade com um todo. A mensagem de Andersen é clara: a despeito das
experiências dolorosas, temos de continuar acreditando em nós mesmos e
também nos outros – mesmo que, a princípio, pareçam tão diferentes.
Temos de acordar para o fato de que todos podemos ser como cisnes
belíssimos, prontos para aproveitar a primavera e para viver uma vida
pacífica e digna.

A responsabilidade é nossa
Diz Gabriel Chalita: “Devemos
estar conscientes da importância de nosso papel e amparar, reerguer,
reavivar os sentimentos, valores e atitudes que poderão renovar a
confiança em dias melhores. Que essa consciência seja uma realidade e
um estímulo a vocês, companheiros de jornada, colegas de cena neste
teatro fabuloso que é a escola da vida.”

Façamos com amor, sabedoria e respeito a nossa parte!


Valéria Poletti

Para saber mais: Pedagogia do Amor, Gabriel Chalita. Editora Gente.

Óctuplos???? Sim, nasceram 8 crianças de uma vez…

Acontece cada coisa que a gente fica se perguntando o que passa na cabeça de certas pessoas. Mas quem somos nós para julgar?
Veja o caso da Norte Americana Nadya Suleman, ela tinha seis filhos entre 2 e 7 anos e um belo dia marcou um encontro com um rapaz no cinema e desse encontro só restou oito novos filhinhos. Isso mesmo!
Dizendo a californiana, de 33 anos, que teve uma infância complicada e cresceu querendo uma família grande. Mas me pergunto: precisava ser tão grande assim e tudo de uma vez! Animada a moça né?!
Pois bem, as crianças estão aí, lindas e fortes, e já tem até um site para arrecadar uma graninha pros barrigudinhos,
Tá vendo?! É mole ou quer mais?!
Se a Nadya queria um parto glamuroso, ela conseguiu,
as crianças vieram a luz através de uma equipe médica de 46 membros. E mais, é o segundo caso de nascimento de óctuplos
vivos na história da medicina americana.
Os bebês nasceram num hospital de Bellflower, sudeste de Los Angeles,
Saúde pra mãe dos pequeninos!!!!
Abaixo link para ver as fotos dos pimpolhos!

Fotos dos óctuplos de Nadya Suleman.

O computador e a Educação

Estamos vivendo numa era em que o desenvolvimento de novas tecnologias esta
revolucionando o modo como vivemos e pensamos. A velocidade com que surgem chega
a ser espantosa. Ao comprarmos um computador de ultima gerac?o,
por exemplo, assim que sairmos da loja e folhearmos um novo exemplar de uma
revista de informatica, constataremos que ja existe um novo modelo
de computador, mais avancado, pronto ou sendo fabricado.

As mudancas causadas proporcionam o desenvolvimento de novas tecnologias
da informac?o e da comunicac?o, que acabam oferecendo
uma vis?o sistemica e interacionista sobre o desenvolvimento da
inteligencia.

Os meios de produc?o tambem est?o sendo afetados.
O lugar antes ocupado pelas riquezas naturais de um pais, agora esta
centrado no capital humano. Com a automac?o presente em grande
parte da produc?o e com a grande concorrencia devido a
globalizac?o, um novo perfil de trabalhador e exigido atualmente
no mercado. O trabalhador que repete gestos n?o tem mais lugar, pois
uma maquina hoje em dia pode fazer isso. O trabalhador tem que saber
criar, improvisar, raciocinar.

Para criar esse novo trabalhador e os novos cidad?os que ter?o
que enfrentar, e que ja enfrentam, as mudancas dessa “revoluc?o
da informac?o”, a educac?o exerce um papel
de grande importancia, pois e por ela que se pode entrar nessa
nova era de uma maneira menos traumatica. A educac?o hoje
e vista como um ingrediente de produc?o t?o valioso
como, por exemplo, a energia.

Sem energia n?o ha produc?o, e sem educac?o
tambem n?o. Com a globalizac?o, o mundo ficou pequeno.
As tecnologias atuais n?o oferecem um produto pronto, acabado, elas oferecem
(e prop?em) o inicio da interatividade. Quem n?o estiver
se atualizando, em constante busca das novidades, vai ficar marginalizado nesta
nova sociedade. E necessario pensar, ent?o, em educar para
o novo mundo, onde as descobertas digitais definem os limites do saber e do
aprender. Dentro do novo paradigma que esta sendo proposto, so
opta, participa e trabalha quem tem informac?es, ou acesso a elas.

Gilda Pellegrino

Eu, meu aluno e a Internet: uma história a ser “teclada” com muitas mãos


Muito
tem se falado sobre as tecnologias, seus impactos na sociedade, seus
grandes benefícios e também malefícios. Naturalmente, essa realidade
tem se refletido na escola, revelando uma grande diferença no modo de
pensar e agir entre nós e nossos alunos. Há um divisor entre os
nascidos antes e depois do computador pessoal (anos 80) e,
principalmente, da internet gratuita e “hyperlincável” (anos 90).
Nossos alunos, segundo o educador americano Marc Prensky, são nativos
nesse mundo tecnológico e, nós, imigrantes.

Nossa
forma de pensar e aprender, comunicar-se, registrar, relacionar-se,
difere muito de nossos educandos. Enquanto nos comunicamos
presencialmente ou por telefone, os planejamentos de aulas estão em
cadernos ou folhas impressas, nossas pesquisas são feitas
preferencialmente em livros, temos TV, CDs e DVDs para lazer, nossos
alunos fazem tudo isto pelo computador com a Internet. Frutos de uma
educação cartesiana e especialista, ainda realizamos as atividades de
forma estanque, enquanto o jovem realiza tudo, preferencialmente, de
forma simultânea. Uma cena comum nos lares dessa aldeia global: o
adolescente fica no quarto, msn ativo, Orkut aberto, fazendo download
de músicas em MP3, fala ao telefone convencional, passa mensagens pelo
celular, olha um programa na TV, ouve música e com o material didático
aberto ainda estuda para a s provas.

Toda
esta diferença tem causado um estrondo na escola. É como se tivéssemos
pessoas falando idiomas diferentes e ninguém se entende. Os professores
reclamam de alunos indisciplinados e desmotivados. Alunos, por sua vez,
consideram as aulas monótonas e sem “graça”. Qualquer semelhança com a
sua escola ou alguma que você conheça não é mera coincidência… É
parte da história. Estamos vivendo este desafio não porque somos
atrasados ou incompetentes, mas pelo fato puro e simples de que não
tivemos tempo de nos prepararmos para isto tudo. A tecnologia chegou e
pronto. Rápida e definitivamente. Não tem mais volta.

E
como fazer para diminuir esta distância com nossos alunos e passar a
estabelecer uma comunicação mais eficiente e produtiva com eles?
Estabelecendo pontes! E como se faz isto, meu colega? Permitindo-se ser
imigrante ou, ao menos, turista neste mundo tecnológico. Temos que nos
dispor a aprender o “tecnologês e o internetês”. É fácil? Isto depende
de cada um. Sabemos que aprendizagem é processo e que cada um aprende
no seu ritmo. E que todos aprendem. E por onde começar para ser, ao
menos, um turista no mundo tecnológico?

Em
primeiro lugar, é preciso disponibilidade. É necessário querer se
apropriar deste conhecimento. Isso internalizado, os passos seguintes
são simples e tranquilos. E não é necessário ir a escolas
especializadas – os melhores professores estão em sua sala de aula.
Esta é uma história que começa teclada a quatro mãos!

Aproveite
o conhecimento ferramental com seus alunos para dominar a técnica.
Transformar informação em conhecimento, construir valores e conceitos
corretos, enfim, cabe a nós, professores, uma sociedade mais humana.

Vamos lá:
– Comece aprendendo sobre a ferramenta de e-mail. Instrumento fundamental de comunicação na web.

-
Comece a navegar por sites e portais educacionais se afiliando aos
mesmos. Nesses sites, você encontrará outros endereços interessantes,
sugestões para aulas, trocas de experiências com outros docentes e um
mundo de possibilidades pedagógicas.

-
Depois, você pode montar um site pessoal ou blog. Os grandes portais
oferecem ferramentas bem simples e gratuitas para montar o seu espaço
na web. Exercícios, textos complementares, descritivos de pesquisas
escolares, enfim, tudo fica hospedado na página pessoal e é acessado
diretamente por seus alunos.

Como utilizar essa ferramenta de forma didático-pedagógica?

A tecnologia é um meio e não um fim. Ou seja, os recursos tecnológicos
complementam todas as ações que já realizamos na escola, desde os
livros, vídeos, feiras de ciências, teatros e tudo mais.
O essencial é perceber, com bom senso, o que é mais adequado para o
momento atentando-se ao perfil e necessidades pedagógicas da turma,
conteúdo a ser trabalhado, tempo disponível e aplicabilidade.

Tecnologia
pressupõe planejamento. Nada de simplesmente ir ao laboratório e
sugerir uma pesquisa livre. Isto é absolutamente improdutivo e
perigoso. Você nunca sabe o que pode vir (experimente digitar “cavalo”
num buscador de imagens e aterrorize-se!). O uso do laboratório de
informática, seja para uso da Internet, softwares educativos ou
aplicativos, deve ser oriundo de um conteúdo acadêmico. A aula nasce
para atender um objetivo pedagógico e utiliza-se de alguns recursos
educacionais, entre eles, os tecnológicos. Logo. o conteúdo é
apresentado em sala de aula e ampliado no laboratório ou vice-versa – e
o principal são os objetivos pedagógicos a serem atingidos.

Se
realmente quiser propor aos alunos uma pesquisa, delimite a busca,
indicando pelo menos cinco sites. Será produtivo e seguro para você e o
grupo. Cada vez que realizar uma atividade pedagógica virtual, registre
no caderno dos alunos. Exemplo: o conteúdo “Célula” da unidade 1 foi
abordado no site http://www.talecoisa.com.br no laboratório de informática.

Permita
que os trabalhos dos alunos sejam apresentados em sites ou blogs. Há
ainda as webquests, uma metodologia específica para trabalho pedagógico
na web. Você também pode pesquisar lista de fóruns e debates onde se
discutem assuntos de seu interesse, inclusive os acadêmicos – um número
enorme de professores se interessa em contribuir e trocar experiências
entre docentes. Ainda existe a possibilidade de se desenvolver uma
atividade colaborativa, envolvendo grupos de outras escolas e cidades.
Seja imigrante neste maravilhoso mundo virtual e faça parte da
realidade do seu estudante.




Danielle Lourenço é pedagoga e consultora em Tecnologia Responsável. Para saber mais: www.daniellelourenco.com.br ou entre em contato pelo e-mail dani@daniellelurenco.com.br



Nos
links abaixo, você pode saber mais sobre as novas tecnologias na
educação, inclusive, como criar um blog. Falando nisso, gostaria de
saber de você, cadastrado do JV: você tem blog? Vamos divulgá-lo aqui e
em nossa comunidade do Orkut então! Mande-me um e-mail com seu nome,
endereço de blog, ensino em que ministra aulas (fundamental, médio ou
superior) e cidade/estado.


Bom Feriado de carnaval!



Professor Educador

“É comum, no período que antecede o início das aulas, as crianças terem
uma certa expectativa, um certo desejo, antecipando o que será a
escola. Elas têm a tendência de gostar do professor. É o gosto da
novidade, do que não conhecem – é a aventura do aprendizado.

Começam as aulas e algumas expectativas são superadas, outras
frustradas. Alguns encontros se revelam marcantes, outros nem tanto. Há
alunos que voltam para casa, nos primeiros dias de aula, desejosos de
narrar aos pais cada detalhe de seus professores.

Em uma leve viagem ao passado, rapidamente nos lembramos de alguns
professores. Por que desses e não de outros? Porque alguns marcam mais.
E é desses educadores que a pessoa se lembrará ao longo da vida.

Escolha
Infelizmente, muitos professores se convertem em
burocratas da escola. Estão exercendo a profissão de estar ali e nada
mais. Sem perfume nem sabor. Sem encontro nem encanto. Apenas ali,
munidos de um programa determinado e esperando o fim, já no começo.
Tristes mulheres e homens que embarcam na profissão errada e lá
permanecem aguardando a miúda aposentadoria. Não são maus. Apenas não
são educadores.

Há aqueles que educam desde os primeiros raios da aprendizagem.
Preparam-se para a celebração do saber e do sabor – palavras com a
mesma origem. Lançam redes em busca de curiosidades, surpreendem e
permitem surpreender; ensinam e aprendem com a mesma tenacidade. Estão
ali, em uma sala de aula, desnudos de arrogância e ávidos de vida. Não
temem a inquietação das crianças e dos jovens. Não negligenciam o
conteúdo, mas valorizam os gestos. Gestos – é disso que mais nos
lembramos dos nossos mestres que passaram. E que permaneceram.

Exercício
Lembro-me de alguns, como a Ana Maria, professora de História, que nos
instigava a estudar antes da aula o tema que seria trabalhado. Quando
chegava a aula, propositadamente, errava e nós a corrigíamos. Era um
jogo, uma didática simples que empregava. Eu chegava a sonhar com
aquelas aulas. Ela despertava o gosto pela pesquisa e destravava os
mais tímidos. Todo mundo queria corrigir a professora.

Talvez, um exercício interessante para o professor, seja o das
lembranças. Lembrar de quando era aluno, daqueles professores que eram
educadores e, de repente, ter a humildade de imitá-los ou até
reinventá-los.

E não há tempo nem idade para fazer diferente. É só ter uma
característica que Paulo Freire considerava importante para toda a
gente, mas essencial para quem educava: gostar de viver.

Quem gosta de viver não tem preguiça de reinventar, nem medo
de ousar. Quem gosta de viver não tem medo de ternura, da gentileza, do
amor. Quem gosta de viver, educa!”

Gabriel Chalita, professor universitário, membro da Academia Paulista
de Letras e ex-secretário de Educação do Estado de São Paulo.

Por que Trabalhar Projetos Multidisciplinares?

Projeto multidisciplinar é um ótimo recurso para ensinar desde os anos
iniciais, pois além de motivador, esta ferramenta faz com que os alunos
construam seus conhecimentos interligando as diversas áreas da
aprendizagem; faz com que os alunos compreendam as relações existentes
entre as linguagens e dão a eles a oportunidade de transformar a sala
de aula em uma comunidade de investigação e pesquisa.

O projeto multidisciplinar constitui uma condição para a melhoria da
qualidade do ensino, pois supera a clássica fragmentação existente
entre as disciplinas e contribui para a formação global do educando.

Ao estabelecer um diálogo entre os conteúdos, levantam-se questões
interdisciplinares e identificam-se pontos comuns entre eles, levando o
educando a um melhor entendimento do mundo concreto e à compreensão
destas relações.

Desenvolver competências e habilidades são as palavras de ordem na
educação contemporânea, e isso significa possibilitar que os alunos
adquiram os saberes fundamentais, que os preparem para a nova realidade
social e para o mercado de trabalho; neste sentido, o professor precisa
mudar sua postura frente à classe, ou seja, proporcionar atividades que
integrem as diversas disciplinas e que façam com que o aluno aprenda a
identificar, avaliar, formar, analisar situações e relações, cooperar,
agir, participar, partilhar, organizar, construir, elaborar conceitos e
gerenciar, que são saberes fundamentais para a construção da autonomia.

Baseado neste discurso, eu acredito que Projetos Multidisciplinares, ao
permitirem uma interrelação entre as disciplinas do currículo escolar,
passam a ter fundamental importância no desenvolvimento de tais
competências e habilidades, visto que no dia-a-dia proporcionam o
exercício da busca e da descoberta, aguçando a curiosidade, a
criatividade e aumentando no aluno a capacidade de dominar novas
informações e relacioná-las com as antigas; fatores primordiais para o
sucesso da aprendizagem.

Projetos multidisciplinares promovem a interdisciplinaridade e a
transdisciplinaridade. O que é isso? É identificar os pontos comuns, as
relações existentes entre os conteúdos e transportá-los também para as
suas ações diárias, contextualizá-los. É fazer com que os conteúdos
aprendidos na escola tenham aplicabilidade e tenham significado na vida
cotidiana do educando; ou seja, que não sejam apenas “matérias”
isoladas, sem sentido, decoradas apenas para fazer prova. Estas
ligações podem facilitar o processo de ensino-aprendizagem, uma vez que
constroem o conhecimento de forma prazerosa, participativa e
interessante, resgatando o gosto de aprender.

O conhecimento construído através dos Projetos Multidisciplinares deve
possibilitar a análise crítica de valores sociais, desenvolver o
respeito mútuo – uma vez que requer uma maior interação entre os alunos
- e fortalecer a aquisição de hábitos saudáveis, pois faz com que o
aluno se reconheça como elemento integrante do processo e permite maior
conscientização sobre os diversos aspectos relacionados às situações
cognitivas, afetivas e sociais ao permitir o uso de estratégias
individuais e grupais nas práticas e resoluções de problemas.

Um Projeto Multidisciplinar bem planejado, onde a equipe pedagógica
esteja realmente envolvida, que não seja imposto, que motive e seja
direcionado para o interesse da turma, tende a obter sucesso, mas é,
sem dúvida, uma tarefa que requer grande esforço de todas as partes,
pois exige a ruptura com o ensino reprodutor e com o saber parcelado
que é onde existe a divisão do pensamento e do conhecimento. Exige uma
contínua interinfluência entre teoria e prática de modo que se
enriqueçam reciprocamente; e exige intervenção e avaliação continuada.

Enfim, o pensar e agir interdisciplinar e multidisciplinar se apoia no
princípio de que nenhuma fonte de conhecimento é em si mesma completa,
e que ao se interagirem surgem novos desdobramentos na compreensão da
realidade e de sua apresentação.

As pipas podem ser um ótimo exemplo ou recurso para ensinar Português,
Matemática, Geografia, Artes, História, Educação Física, Ciências,
Química, Física e valores. Trabalhada de forma interdisciplinar e
multidisciplinar, desenvolve a criatividade, a coordenação psicomotora,
o espírito de equipe; incentiva a pesquisa, a leitura e a produção de
texto; resgata brincadeiras populares, ensina formas geométricas,
medidas e sistema métrico; a diversidade cultural; prevenção de
acidentes; fundamentos físicos, misturas e processos químicos; grandes
descobertas a partir da dinâmica do voo da pipa; enfim, com um pouco de
criatividade, o professor pode navegar pelo conteúdo de sua disciplina
utilizando recursos inimagináveis, reorganizando, refazendo,
replanejando, reavaliando sua prática e reinventando a educação de
qualidade.

Vanja Ferreira
- Mestre em Educação, pedagoga, coordenadora pedagógica, escritora,
docente universitária, educadora física, gestora escolar e Prêmio
Victor Civita Professor Nota 10.

CONVERSA DE DUAS CRIANÇAS!!!!

Recebi esse texto da amiga Zilda Marise, e não pude resistir de colocar aqui no Blog.
Bom deleite!




- E aí, véio?

- Beleza, cara?

- Ah, mais ou menos. Ando meio chateado com algumas coisas.

- Quer conversar sobre isso?

- É a minha mãe. Sei lá, ela anda falando umas coisas estranhas, me botando um terror, sabe?

- Como assim?

-
Por exemplo: há alguns dias, antes de dormir, ela veio com um papo
doido aí. Mandou eu dormir logo senão uma tal de Cuca ia vir me pegar.
Mas
eu nem sei quem é essa Cuca, pô. O que eu fiz pra essa mina querer me
pegar? Você me conhece desde que eu nasci, já me viu mexer com alguém?

- Nunca.

-
Pois é. Mas o pior veio depois. O papo doido continuou. Minha mãe disse
que quando a tal da Cuca viesse, eu ia estar sozinho, porque meu pai
tinha ido pra roça e minha mãe passear. Mas tipo, o que meu pai foi
fazer na roça? E mais: como minha mãe foi passear se eu tava vendo ela
ali na minha frente? Será que eu sou adotado, cara?

- Sabe a sua
vizinha ali da casa amarela? Minha mãe diz que ela tem uma hortinha no
fundo do quintal. Planta vários legumes. Será que sua mãe não quis
dizer que seu pai deu um pulo por lá?

- Hmmmm. pode ser. Mas o que será que ele foi fazer lá? VIXE! Será que meu pai tem um caso com a vizinha?

- Como assim, véio?

-
Pô, ela deixou bem claro que a minha mãe tinha ido passear.. Então ela
não é minha mãe. Se meu pai foi na casa da vizinha, vai ver eles dois
tão de caso. Ele passou lá, pegou ela e os dois foram passear. É isso,
cara. Eu sou filho da vizinha. Só pode!

- Calma, maninho. Você tá nervoso e não pode tirar conclusões precipitadas.

- Sei lá. Por um lado pode até ser melhor assim, viu? Fiquei sabendo de umas coisas estranhas sobre a minha mãe.

- Tipo o quê?

- Ela me contou um dia desses que pegou um pau e atirou em um gato.
Assim , do nada. Puta maldade, meu! Vê se isso é coisa que se faça com o bichano!

- Caramba! Mas por que ela fez isso?

- Pra matar o gato. Pura maldade mesmo. Mas parece que o gato não morreu.

- Ainda bem. Pô, sua mãe é perturbada, cara.

- E sabe a Francisca ali da esquina?

- A Dona Chica? Sei sim.

- Parece que ela tava junto na hora e não fez nada. Só ficou lá,
paradona, admirada vendo o gato berrar de dor.

- Putz grila. Esses adultos às vezes fazem cada coisa que não dá pra entender.

- Pois é. Vai ver é até melhor ela não ser minha mãe, né? Ela me
contou
isso de boa, cantando, sabe? Como se estivesse feliz por ter feito essa
selvageria. Um absurdo. E eu percebo também que ela não gosta muito de
mim. Esses dias ela ficou tentando me assustar, fazendo um monte de
careta. Eu não achei legal, né. Aí ela começou a falar que ia chamar um
boi com cara preta pra me levar embora.

- Nossa, véio. Com certeza ela não é sua mãe. Nunca que uma mãe ia fazer isso com o filho.

-
Mas é ruim saber que o casamento deles é essa zona, né? Que meu pai sai
com a vizinha e tal. Apesar que eu acho que ele também leva uns
chifres, sabe? Um dia ela me contou que lá no bosque do final da rua
mora um cara, que eu imagino que deva ser muito bonitão, porque ela
chama ele de ‘Anjo’. E ela disse que o tal do Anjo roubou o coração
dela. Ela até falou um dia que se fosse a dona da rua, mandava colocar
ladrilho em tudo, só pra ele pode passar desfilando e tal.

- Nossa, que casamento bagunçado esse. Era melhor separar logo.

-
É. só sei que tô cansado desses papos doidos dela, sabe? Às vezes ela
fala algumas coisas sem sentido nenhum. Ontem mesmo veio me falar que a
vizinha cria perereca em gaiola, cara. Vê se pode? Só tem louco nessa
rua.

- Ixi, cara. Mas a vizinha não é sua mãe?

- Putz, é mesmo! Tô ferrado de qualquer jeito.

A Exclusão e a Inclusão de Alunos

A
escola tem sido um excelente meio de contribuir com a exclusão do
cidadão no mercado de trabalho quando aprova alunos que não aprenderam
o que tinham que aprender.

Os pais também estão sendo excludentes quando querem que seus filhos sejam aprovados mesmo que não tenham aprendido nada.

O
governo contribuiu bastante com a exclusão dos seus alunos quando
obrigou as escolas a adotarem a aprovação sistemática, pela qual nenhum
aluno poderia ser reprovado, mesmo que nem ler soubesse.

Todos
estes alunos que receberam diplomas sem merecer estão chegando ao
mercado de trabalho sem qualificações necessárias para sequer escrever
um relatório, e muito menos compreendê-lo.

O Brasil do trabalho reclama que falta competência aos candidatos às vagas existentes. Ao mesmo tempo sobram desempregados.

Minha
orientação aos professores é que eles sejam inclusivos por meio da
mudança de atitude no processo ensino-aprendizagem, pois atualmente ele
está deturpado para processo aprovação-reprovação do aluno.

Método excludente:
quando um aluno atrasa para chegar à aula pela terceira vez, o
professor clássico não permite que ele entre na sala de aula. Dá uma
suspensão para que o aluno aprenda a não se atrasar. Como se, ao
excluir o aluno, ele aprendesse a chegar a tempo, a não se atrasar.

O
princípio pedagógico desta suspensão é privá-lo de algo que lhe seja
importante. Mas é importante para quem? Para o aluno que não é, pois
quando ele está interessado, não perde um segundo na cama. Exemplo:
acordar de madrugada aos sábados e domingos para surfar.

O
aluno atrasa porque não está interessado. Não lhe cobram aprendizado,
mas a presença na classe. Reprova-se por faltas às aulas, mas não por
falta de aprendizado.

Esta suspensão aumenta o desinteresse do
aluno, que agora tem motivo para não assistir à aula: a própria
suspensão. Agora ele tem justificativa de não conseguir acompanhar a
matéria, afinal ele estava suspenso.

Método inclusivo:
no primeiro atraso de um aluno, o professor com nova atitude, a de
estar interessado no aprendizado do jovem, explica ao atrasado:

“Como
você se atrasou, mas não quero que você perca o que eu já expliquei,
você escolhe um colega para que depois da aula lhe explique o que você
perdeu com o atraso. Na próxima aula, vou lhe perguntar o que o seu
colega lhe explicou. Se você souber você ganha um ponto na nota, e quem
lhe explicou também ganha um ponto.” E continua dando a aula.

Este
professor não deve esquecer a promessa feita. Deve anotar no diário e,
na próxima aula, essa deve ser sua primeira ação. Se você é o
professor, pergunte ao estudante atrasado quem foi o aluno escolhido
para lhe explicar.

Este tempo é necessário para o aluno
organizar sua mente e mostrar o que aprendeu com o colega. Se perguntar
direto, além de intimidar, pode dar um “branco” no aluno, pois ele pode
não ter a prontidão esperada. Se mesmo assim ele não se lembrar, vale a
pena jogar para os alunos: “quem disser uma palavra que resuma a aula
passada ganha um ponto!”

A maioria dos alunos não está ainda com
a mente aquecida para começar a pensar na matéria, enquanto a mente do
professor já está preparada faz tempo para dar a aula.

Sempre há
um aluno que diz uma palavra. Se for pertinente, o professor dá um
ponto e pede a segunda palavra. Esta segunda surge mais rapidamente, e
a terceira, mais ainda. Em menos de um minuto, o professor já tem 5
palavras e os alunos estão com a mente preparada para receber a
sequência da aula passada. Depois volta-se ao aluno, que atrasou na
aula passada, com a mesma pergunta.

O professor tem de ter a
nova atitude de querer incluir este aluno no aprendizado. Portanto,
deve também ser criativo em facilitar que o aluno lhe responda, e não
torcer para que ele não se lembre para “ferrar com ele”.


décadas existia um exame oral, no qual o professor sorteava uma
pergunta ao aluno que tinha que lhe responder. Quando o professor
queria reprovar o aluno, não lhe ajudava em nada, pelo contrário,
criava um campo; tempo para forçar um “branco” no aluno. Mas quando ele
queria aprovar, tudo favorecia, dizendo até o início da
palavra-resposta para o aluno simplesmente completar.

Com esta nova atitude, a inclusiva, o professor está preparando um futuro profissional competente para melhorar o Brasil.

Por Içami Tiba

Fonte: http://educacao.uol.com.br

Pedagogia Hospitalar


Classe hospitalar – Há espaço para o professor no hospital

Ao
abrir a porta da enfermaria, já foi possível avistar Juliana, 9 anos,
paciente da Ortopedia do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba.
Internada para um sério tratamento no quadril e nas pernas, a garota
pouco se importava com os tensores amarrados aos membros, que a
impediam de fazer qualquer movimento fora da cama. Toda sua atenção
estava voltada para a tela do notebook colocado em seu colo, no qual,
pouco a pouco, ela construía o resultado da pesquisa que realizou sobre
o funcionamento do aparelho respiratório.

Com
o acompanhamento da professora Sandra Carvalho, a menina montava uma
apresentação da pesquisa, que teve início a partir da sua própria
curiosidade sobre o ato de respirar. “Eu achava que eram duas veias que
saíam do nariz e iam direto para o coração, e quando o coração batia
mandava o ar para fora de novo”, conta. A partir da primeira hipótese
da respiração feita pela menina, os professores do hospital a
estimularam a pesquisar sobre o assunto, até descobrir a teoria
correta. “Partindo da vontade dela de saber como funciona a respiração,
nós levamos outros conhecimentos e ela estudou ciências, leu bastante,
escreveu, e agora ela vai fazer uma apresentação em Powerpoint para
mostrar aos colegas o que ela aprendeu. Isso significa disseminar
conhecimento”, declara a assistente de coordenação do setor de Educação
e Cultura do hospital, Maria Gloss.

É
nessa linha que funciona o trabalho realizado pela equipe de
professores do Pequeno Príncipe. Formado por quatorze educadores -
entre professores das redes municipal e estadual de ensino, além dos
profissionais contratados pelo próprio hospital -, o setor de Educação
e Pesquisa existe formalmente desde 2000, mas o atendimento escolar já
é praticado na instituição desde 1989. Essa prática é apenas um exemplo
do que hoje se conhece como pedagogia hospitalar.

A
primeira classe hospitalar do país surgiu na cidade do Rio de Janeiro,
no início da década de 50, no Hospital Municipal Jesus, e se tornou
referência nacional no âmbito da educação especial transitória por
manter suas atividades em funcionamento ininterruptamente até os dias
de hoje. A importância das classes hospitalares já é reconhecida
legalmente por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente
Hospitalizado, na resolução nº 41 de outubro de 1995, que em seu item 9
fala sobre o “Direito de desfrutar de alguma forma de recreação,
programas de educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar
durante sua permanência hospitalar”. Em novembro de 2000, foi aprovada
a lei 10.685, que determina que hospitais ofereçam às crianças e
adolescentes um bom atendimento educacional, que permita o
desenvolvimento intelectual e pedagógico, bem como o acompanhamento do
currículo escolar. Porém, mesmo com a pr evisão legal, a prática não é
corriqueira. Ainda não são todos os hospitais pediátricos brasileiros
que dispõem de uma estrutura adequada. Em todo o Estado de São Paulo,
por exemplo, há cerca de 35 classes hospitalares em funcionamento – um
número considerado pequeno perto do número de internações infantis.

A
pedagogia hospitalar é um assunto em voga. Desde o surgimento da lei de
2000, vários cursos de especialização na área foram surgindo no país, o
que vem chamando a atenção de pedagogos e educadores que desejam
exercer a profissão em outro espaço, fora da escola. Entre as matérias
ministradas nos cursos de especialização, estão “Infecção Hospitalar”,
“Brinquedotecas em Hospitais”, “Psicopedagogia Hospitalar” e “Políticas
de Humanização dos Sistemas de Saúde”. Porém, a necessidade de um
preparo especial para atuar em classes hospitalares levanta polêmica,
principalmente entre os profissionais que já atuam no setor.
“Particularmente, não acho que seja necessária a especialização em
educação hospitalar. A nossa equipe é composta por quatorze
professores, todos com anos de experiência em sala de aula, e não tem
nada que nós façamos aqui que não tenhamos feito na escola. O que
precisamos é de bons professores” , declara o coordenador do setor de
Educação e Cultura do Pequeno Príncipe, Cláudio Teixeira, que é
psicólogo e desde que saiu da faculdade trabalha com educação. No
hospital, ele começou a trabalhar em 2000, quando a instituição passava
por vários processos de humanização do atendimento. Em 2002, foi aberto
o setor de Educação e Cultura, do qual ele assumiu a coordenação.

Cláudio
explica que todas as atividades propostas às crianças internadas e o
desempenho que elas alcançam estão em constante avaliação, dentro de um
contexto pedagógico. A partir do quinto dia de internamento da criança,
os professores já iniciam o trabalho com o novo aluno. Todo o
acompanhamento pedagógico é feito pela equipe do hospital, mas a escola
da criança é sempre notificada do trabalho que está sendo realizado
durante o internamento. Essa conexão escola-hospital permite ao aluno o
acompanhamento do conteúdo que está sendo passado à turma a qual
pertence. “Nós sabemos que essas crianças estão aqui para um sério
tratamento de saúde, e esse é o foco. A qualquer momento ela pode ser
chamada a fazer um exame ou uma cirurgia. Por isso, não são elas que
vêm até nós. Nós vamos até elas, levando atividades educacionais e
culturais na enfermaria, no isolamento ou no corredor”, declara o
coordenador. Duran te o período de internamento, o professor registra
tudo o que foi trabalhado em uma ficha de tutoria. Após a alta, o
educador escreve um parecer, que é enviado à escola junto com todas a
atividades desenvolvidas pelo aluno no hospital. Esse documento
auxiliará a instituição de ensino no processo de readaptação da criança
ao dia-a-dia escolar.

Entre
as várias opções de atividades oferecidas pelo hospital, uma que se
destaca é a “Ciranda do Saber”, em que um paciente faz uma apresentação
sobre determinado tema que pesquisou. A atividade acontece na sala
própria do setor e reúne crianças, adolescentes, pais, acompanhantes e
professores em uma grande roda de conhecimento. No dia da visita da
reportagem ao hospital, estava acontecendo uma ciranda sobre o Egito,
apresentada por uma paciente da ortopedia, estudante do 2º ano do
ensino médio. O que mais impressionava nos pacientes que acompanhavam a
apresentação da colega era a curiosidade que saltava em seus olhos, a
sede de aprender, de descobrir, que vencia a fraqueza e as doenças. Por
isso, o ambiente não assusta – encanta. Principalmente por uma
característica importante de qualquer classe hospitalar, seja ela onde
for: a diversidade, um desafio para muitos professores.

Foi
essa característica que conquistou de vez a professora Maria Gloss. Há
três anos trabalhando no hospital, depois de anos de trabalho em
escolas municipais de Curitiba, Maria declara que foi ali que ela
encontrou a escola que procurou a vida toda. “Aqui a gente tem a
oportunidade de trabalhar com a vida. É a escola mais saudável que eu
conheço. Isso parece muito dual, porque eu estou dentro de um hospital.
Mas é um espaço de cura até para a escola, o que eu vivencio aqui é
isso”, emociona-se.

Também
foi nessa diversidade que a professora Eneida Simões da Fonseca se
realizou profissionalmente. Para Eneida, que é PhD em Desenvolvimento e
Educação de Crianças Hospitalizadas pelo Institute of Education -
University of London e tem mais de vinte anos de experiência na área, o
professor que deseja trabalhar no âmbito hospitalar precisa de
sensibilidade para atender as necessidades e interesses que emanam na
diversidade. “Há duas características essenciais a um professor no
ambiente hospitalar. Uma é estar consciente de que há um espaço para
ele no ambiente hospitalar. Para tal, não deve esquecer que isto
implica uma outra característica, que é o compromisso com o direito da
criança doente à escolaridade. Acho um equívoco o professor ter que
dominar aspectos médicos. O que é necessário é o domínio da
transdisciplinariedade, da diversidade dos alunos, para atender suas
necessidades de aprendizado”, de clara.

Por Renata Sklaski, publicado na revista Profissão Mestre.

Fonte: JORNAL
VIRTUAL
PROFISSAO MESTRE

POR QUE INCLUSÃO?

Refletir
sobre as questões de uma escola de qualidade para todos, incluindo
alunos e professores, através da perspectiva socio-cultural significa
que nós temos de considerar, dentre outros fatores, a visão ideológica
de realidade construída sócio e culturalmente por aqueles que são
responsáveis pela educação. Julgamentos de “deficiência”,
“retardamento”, “privação cultural” e “desajustamento social ou
familiar” são todos construções culturais elaborados por uma sociedade
de educadores que priviliegia uma só fôrma para todos os tipos de
bôlos. E geralmente a forma da fôrma de bôlo é determinada pelo grupo
social com mais poder na dinâmica da sociedade. Não é raro se ver
dentro do ambiente escolar a visão estereótipada de que crianças
vivendo em situação de pobreza e sem acesso à livros e outros bens
culturais são mais propensas a fracassar na escola ou a requerer
serviços de educação especial. Isto porque essas crianças não cabem na
fôrma construída pelo ideal de escola da classe media, ou ainda, porque
esssas crianças não aprendem do mesmo jeito ou na mesma velocidade
esperada por educadores e administradores. Estereótipos pervadem a
prática pedagógica e são resultados da falta de informação e
conhecimento que educadores e administradores tem a respeito da
realidade social e cultural, como também do processo de desenvolvimento
cognitivo e afetivo das crianças atendidas pelas escolas. A prática de
classificar e categorizar crianças baseado no que estas crianças não sabem ou não podem fazer
somente reinforça fracasso e perpetua a visão de que o problema está no
indivíduo e não em fatores de metodologias educationais, curriculos, e
organização escolar. Aceitar e valorizar a diversidade de classes
sociais, de culturas, de estilos individuais de aprender, de
habilidades, de línguas, de religiões e etc, é o primeiro passo para a
criação de uma escola de qualidade para todos.
Educar indivíduos em
segregadas salas de educacão especial significar negar-lhes o acesso à
formas ricas e estimulante de socialização e aprendizagem que somente
acontecem na sala de aula regular devido a diversidade presente neste
ambiente. A pedagogia de inclusão baseia-se em dois importantes
argumentos. Primeiramente, inclusão mostrou-se ser benefícial para a
educação de todos os alunos independente de suas habilidades ou
dificuldades. Pesquisas realizadas nos Estados Unidos, revelaram que
crianças em demanda por serviços especiais de atendimento apresentaram
um progresso acadêmico e social maior que outras crianças com as mesmas
necessidades de serviços especiais mas educadas em salas de aula
segregadas (Snell, 1996; Downing, 1996; Hunt, et.al., 1994). Isso pode
justificar-se pela diversidade de pessoas e metodologias educacionais
existentes em sala de aula regulares, pela interação social com
crianças sem diagnóstico de necessidade especial, pela possibilidade de
construir ativamente conhecimentos, e pela aceitação social e o
consequente aumento da auto-estima das crianças identificadas com
“necessidades especiais”.


O segundo argumento baseia-se em conceitos éticos de direito do
cidadão. Escolas são contruídas para promover educação para todos,
portanto todos os indivíduos tem o direito de participação como membro
ativo da sociedade na qual estas escolas estão inseridas. Todas as
crianças tem direito à uma educação de qualidade onde suas necessidades
individuais possam ser atendidas e aonde elas possam desenvolver-se em
um ambiente enriquecedor e estimulante do seu desenvolvimento
cognitivo, emocional e social.

O Que as Pesquisas Tem a Dizer sobre a Inclusão de Alunos com “Necessidades Especiais” nas Salas de Aula Regulares

1- Os Benefícios da Inclusão para Alunos com “Necessidades Especiais”

1.1- Na Perspectiva do Professor:
Diversos pesquisadores acadêmicos nos Estados Unidos documentaram os
aspectos positivos da prática de inclusão dos individuos com
“necessidades especiais” através de dados coletados com os professores
destes alunos. Giangreco e seus colegas (1993) entervistaram 19
professores de salas de aula regulares que tinham no mínimo um aluno
com “necessidades especiais”em suas classes. Estes professores
afirmaram que os alunos diganosticados com “necessidades especiais”
aumentaram suas capacidades de atenção, de comunicação e de
participação em atividades educativas em um espaço de tempo
considerávelmente menor do que se estes fossem educados em salas de
aula segregadas-especiais. Janzen e seus colegas (1995) entrevistaram
cinco professores de educação especial e cinco professores de educação
regular sobre os beneficios de inclusão para os alunos com e sem
“necessidades especiais”, e o resultados destas entrevistas apontaram
para o fato de que os alunos, antes educados em segregadas-especiais
salas de aulas, desenvolveram mais amizades na sala de aula regular e
construíram um círculo de amigos que os ajudavam e ajudavam aos
professores também na inclusão de todos os alunos nas atividades da
sala de aula. Downing, Eichinger e Williams (1996) entrevistaram nove
professores de educação regular e nove professores de educação especial
sobre a percepção deles dos benefícios de inclusão para todos os
alunos. Os professores neste estudo afirmaram que o ambiente rico em
situações de aprendizagem característico das salas de aula regulares
possibilitaram os alunos com profundo retardamento mental a construirem
comportamentos socialmente apropriados, a fazerem amizades com as
cianças normalmente educadas em classes regulares e a desenvolverem
abilidades de participação ativa em atividades escolares.

1.2- Na Perspectiva do Aluno:
York et al. (1992) entrevistaram alunos de quarta e quinta séries que
tinham colegas com “necessidades especiais” nas suas salas de aula.
Esses alunos afirmaram que em um ano os alunos com “necessidades
especiais” tinham se tornado mais sociais, mais comunicativos e tinham
reduzido significantemente os comportamentos considerados inapropriados
para a cooperativa participação na sala de aula regular, como por
exemplo balançar o corpo ou as mão ou fazer sons e ruídos.

1.3- Na Perspectiva dos Pais:
Davern (1994) entrevistou vinte e um pais de alunos com profunda e leve
deficiência que estavam sendo educados em classes regulares. Estes pais
reportaram que os beneficios da inclusão dos seus filhos eram visíveis
na communicação e sociabilidade ques eles passaram a demonstrar. Os
pais neste estudo também disseram que se sentiram muito mais
encorajados pela escola à participar da educação de seus filhos quando
estes foram incluídos em salas de aulas regulares. Em um outro estudo
desenvolvido por Ryndack e seus colegas (1995) entrevistas com treze
pais de alunos com profunda física-motora e mental deficiências
educados em classes regulares, indicaram que estes alunos desenvolveram
abilidades sociais, acadêmicas e comunicativas, como também um senso de
auto-aceitação e auto-valorização.

2- Os Benefícios da Inclusão para os Alunos sem “Necessidades Especiais”

2.1- Na Perspectiva do Professor: York
et al. (1992) entrevistas com professores sobre os benefícios de
inclusão para os alunos sem “necessidades especiais” concluiram que
essess alunos tornaram-se mais sensíveis as questões de discriminações
que acontecem no coditiano e muito mais críticos sobre as formas de
estereótipos produzidas socialmente. Os 19 professores entrevistados
por Giangreco e seus colegas (1993) afirmaram que os estudantes sem
“necessidades especiais” desenvolveram abilidades de aceitação e
flexibilidade que são considerávelmente importantes para a vida em
sociedade democrátca. Downing et al. (1996) entrevistando professores
sobre esta questão confirmou os achados dos estudos anteriores e também
acrescentou que os professores perceberam que os alunos sem
“necessidades especiais”educados em conjunto com alunos com
“necessidades especiais” desenvolveram uma abilidade maior para
liderança e cooperação.

2.2- Na Perspectiva do Aluno:
Helmstetter, Peck e Giangreco (1994) fizeram uma pesquisa involvendo
166 alunos do segundo grau nas escolas Americanas dos Estados Unidos
para saberam o quê eles tinham a dizer sobre ter colegas com profunda
física-motora ou mental deficiência em suas salas de aula. Os
resultados destas pesquisas apontaram para a mudança de atitude destes
jovens em relacão as pessoas “portadoras de deficência”. Estes alunos
passaram a valorizar as pessoas pela contribuição que elas tem a dar,
passaram a ser mais tolerantes com existência de “diferenças”, e
passaram a valorizar a diversidade da condição de ser humano. Staub et
al. (1994) estudou por três anos o desenvolvimento de uma amizade entre
quatro alunos com Syndrome de Down e Autismo e quatro alunos sem
deficiências. Este estudo demonstrou que só foi possível a criação
destes laços afetivos de amizade entre indivíduos com e sem
deficiências porque estes foram incluídos em um processo ativo e
cooperativo de aprendizagem.

2.3- Na Perspectiva dos Pais:
Peck, Carlson e Helmstter (1992) pesquisou a visão dos pais de 125
crianças na pré-escola consideradas sem deficiências que tinham colegas
na sala de aula com profunda física-motora ou mental deficiências, os
resultados destas pesquisas indicaram que os pais destas crianças
aprovaram entusiasmadamente a proposta de inclusão, pois eles
observaram as seguintes mudanças nos seus filhos: 1) Mais aceitação em
relação a diferenças individuais. 2) As crianças se tornaram mais
conscientes a respeito das necessidades dos outros. 3) As crianças se
tornaram mais confortáveis na presença de pessoas que usam cadeiras de
rodas, aparelhos de surdez, braile, ou outro qualquer necessário
instrumento que facilite a participação destas crianças nas atividades
de sala de aula. 4) Estas crianças se mostraram mais voluntárias a
ajudar os outros. 5) Estas crianças desenvolveram uma postura crítica
contra preconceitos à pessoas com deficiência.

Todos estes
estudos nos mostram que inclusão é possível e que inclusão aumenta as
possibilidades dos individuos identificados com necessidades especiais
de estabelecer significativos laços de amizade, de desenvolverem-se
físico e cognitivamente e de serem membros ativos na construção de
conhecimentos. Portanto, a pergunta inicial deste texto – “Por que Inclusão?” – pode ser respondida simplesmente desta forma: “Porque inclusão funciona.” O principal ponto da pedagogia de inclusão é que todas os individuos podem aprender uma vez que nós professores identificamos o
quê estes individuos sabem, planejamos em torno deste prévio
conhecimento, e conhecemos o estilo de aprender e as necessidades
individuais dos nossos alunos.
Todos os alunos podem se beneficiar
das metodologias de inclusão e todos podem descobrir juntos que existem
diferentes ingredientes para diferentes bôlos. Escolas devem se torna
um lugar de aprendizagem para todos. Nós não podemos nos dar ao luxo de
criar currículos e programas educacionais que somente favorecem uma
parcela privilegiada da sociedade, seja em termos econômicos ou em
termos de abilidades físicas e cognitivas. Nós precisamos ter
currículos e programas que proporcionem uma educação de qualidade para
todos. Aos educadores devem ser dados os instrumentos necessários para
que eles possam ver a todos os alunos, incluindo os alunos com
deficiência, com um potencial ilimitado de aprender.



Referências Bibliográficas:

  • Davern,
    L. (1994). Parent’s Perspectives on Relationships with Professionals in
    Inclusive Educational Settings. Dissertation Abstracts International,
    9522518
  • Downing,
    J., Eichinger, J., & Williams, L. (1996). Inclusive Education for
    Students with Severe Disabilities: Comparative views of principals and
    educadors at different levels of implementation. Remedial and Special
    Education, Manuscript submitted for publication.

  • Giangreco,
    M. F., Cloninger, C., & Iverson, V. (1993). Choosing Options and
    Accommodations for Children: A guide to planning inclusive education.
    Baltimore: Paul H. Brookes Publishing Co.

  • Giangreco,
    M. F., Dennis, R., Cloninger, C., Edelman, S., & Schattman, R.
    (1993). I’ve counted Jon: Transformational experiences of teachers
    educating students with disabilities. Exceptional Children, 59,
    359-372.

  • Helmstetter,
    E., Peck, C.A., Giangreco, M. F. (1994). Outcomes of interactions with
    peers with moderate or severe disabilities: A statewide survey of high
    school students. Journal of The Association for Persons with Severe
    Handicaps, 19, 263-276.

  • Hunt,
    P., Farron-Davis, F., Beckstead, S., Curtis, D., & Goetz, L.
    (1994). Evaluating the effects of placement of students with severe
    disabilities in general education versus special education classes.
    Journal of The Association for Persons with Severe Handicaps, 19,
    200-214.

  • Janzen,
    L., Wilgosh, L., & McDonald, L. (1995). Experiences of classroom
    teachers integrating students with moderate and severe disabilities.
    Developmental Disabilities Bulletin, 23(1), 40-57.

  • Peck,
    C.A., Carlson, P., & Helmstetter, E. (1992). Parent and teacher
    perceptions of outcomes from typically developing children enrolled in
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  • Ryndak,
    D.L., Downing, J. Jacqueline, L.R., & Morrison, A.P. (1995).
    Parent’s perceptions after inclusion of their child with moderate or
    severe disabilities in general education settings. Journal of The
    Association for Persons with Severe Handicaps,20, 147-157.

  • Staub,
    D., Schwartz, I.S., Gallucci, C., & Peck, C.A. (1994). Four
    portraits of Friendship at an inclusive school. Journal of The
    Association for Persons with Severe Handicaps, 19, 314-325.

  • Snell, M.E. (1993). Instruction of Students with Severe Disabilities. New Jersey, Merril Prentice-Hall, Inc. 


Autora: Heloiza Barbosa
Mestre em Educação Especial – Lesley College, EUA
Fonte: http://www.defnet.org.br/heloiza.htm

Todos somos iguais

” Todos
somos iguais e na realidade, as diferentes raças humanas se tornam algo
superficial, já que todos nós viemos do mesmo lugar e possuímos um laço
familiar com uma mesma mulher. A razão pela qual nos vemos diferentes uns aos
outros deve-se a diferenças ambientais e a mudanças de nossa pele e cultura no
decorrer dos anos… contudo, somos todos iguais!”


(mother
of us all.) -  http://dsc.discovery.com/


A Observação Silenciosa

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“Se nos enganamos a respeito de alguma coisa, é porque aquilo não é real…”



Parece que a inquietude da mente, acaba por transformar o indivíduo
em um eterno insatisfeito, por conseguinte alguém sempre frustrado em tudo que
realiza ou tenta realizar; alguém sempre disposto a se enfastiar rapidamente
depois de conseguir alcançar um objetivo qualquer, idealizado sempre a partir
de influências de outros. Isso acaba por criar em seu interior, as raízes do
medo, medo de achar que nunca será capaz de se completar.

Uma criança inquieta,
quase sempre é o resultado de pais inquietos, ou foi criada em meio à
inquietude. Não podemos negar que a pressa dos tempos modernos, acaba
contagiando à quase todos, com uma espécie de agitação de origem difusa. É como
se a pressa se tornasse o padrão operacional do homem. Assim, a pressa, mesmo
sem causa aparente, é considerado algo normal, e muitas vezes algo desejável,
por ser visto como um estado capaz de proporcionar energia ao indivíduo; mais
disposição para resolver as questões do dia a dia. Sabemos que não é assim que
funciona, e podemos perceber facilmente o quanto a pressa perturba o homem,
agredindo seu corpo e mente, sem que ele mesmo possa aferir de imediato, todos
os males que silenciosamente irão minando suas forças.

Fisiologicamente, a pressa cria um estado de euforia no
indivíduo, que pode se prolongar mesmo após o término daquela atividade. Se
temos pressa de chegar ao trabalho ou escola, ou outro, é porque estamos com
medo de que alguma coisa nos aconteça; podem nos chamar à atenção, podemos
ser punidos. Desse modo, nosso corpo reage de duas formas; a primeira é
gerando a energia da qual precisamos para nos apressar, a outra é criando
energia para nos defender de um mal que inicialmente não é por nós visível.

Se estamos
preocupados, nossa atenção será sempre falha, o que nos predispõe a cometer
erros graves, que podem prejudicar a nós e aos outros. Diante de um nível de
preocupação médio, não nos importaremos com mais ninguém, e logo nos
tornaremos insensíveis à dor alheia. Se estamos preocupados com nosso próprio
bem estar, o senso comum é que nos esqueçamos dos outros à nossa volta. Não
há como ser diferente, é o instinto animal dizendo que nossa segurança e
satisfação deve vir em primeiro lugar. Passado o período de agitação, já
refeitos emocionalmente, podemos até alegar que estávamos pensando no bem estar
de mais alguém, mas isso decerto nunca será uma verdade. O instinto assume
nosso controle emocional quando nos sentimos encurralados, diante de alguma
ameaça, ou de algo que insinue nos prejudicar. O instinto não tem senso
ético, nem está sujeito a sentimentos de espécie alguma, especialmente quando
se trata da razão de nós humanos.

Movidos pelo
instinto, nos tornaremos insensíveis e cruéis. supondo que os outros façam a
mesma coisa, estaremos então dispostos a nos destruir mutuamente, disputando
qualquer coisa, que pode ser até a prevalência de uma opinião. Eis um retrato
da maioria das pessoas da nossa realidade, e se não cuidarmos com urgência,
trata-se do mesmo futuro reservado à todos nós. Uma mente inquieta, mesmo em
um curto espaço de tempo, forma um indivíduo inseguro, incapaz de reter sua
atenção naquilo que está fazendo; incapaz de dar atenção a quem quer que
seja. Se tornará um indivíduo disposto a conseguir as coisas da maneira mais
fácil, mesmo que seja enganando as pessoas através das mentiras. Um adulto
inquieto, nunca está totalmente presente onde está; será para sempre um
indivíduo ausente, fragmentado, dividido, entre aquilo que está fazendo e o
que gostaria de fazer.

Assim, não conseguirá
se realizar plenamente em nenhum empreendimento que venha a arquitetar. Será
por natureza agressivo e é quase certo que não respeite o espaço do seu
próximo. Será dominador por natureza, imaginará que os outros devem se
submeter aos seus caprichos; tornar-se-á impaciente e inflexível em seus
argumentos. Certamente nos seus relacionamentos buscará uma perfeição que não
existe, e será uma fonte permanente de conflitos existenciais sérios. Assim,
o educador atento às conseqüências da inquietude juvenil ou infantil, deve
ter em mãos alguns recursos que poderão levá-los a se conscientizarem desde
cedo, daquele estado, que embora seja uma parte indissolúvel da sua
personalidade, se não compreendido adequadamente, acabará se tornando um dos
seus maiores problemas. Apenas pela compreensão daquilo que é, o indivíduo
terá subsídios, para enfrentar e vencer de forma efetiva e inteligente a
questão.

Para que a criança
aprenda um pouco mais sobre si mesmo, para que aprenda a avaliar seu estado
emocional, a sentir seu espírito de momento a momento, a avaliar sua verdadeira
natureza, se seus sentimentos estão em comunhão com aquilo que está fazendo
ou em conflito. Para que aprenda a lidar com isso de forma racional, sem
fugas ou represando sentimentos de raiva ou mágoas, será preciso que o
orientador ajude-a a entender, o que ela representa como ser humano, se tem
uma função na vida, que valores são importantes e necessários para uma
existência pacífica e plena. Mas antes de começar, será necessário que o
mestre aprenda o mesmo sobre si mesmo. Um sentimento ganha força de
propagação quando o sentimos, e a partir daí o partilhamos com os outros, uma
teoria não. Uma teoria logo será suplantada por outra, e assim seguirá seu
percurso sem fim, rumo às contestações que sempre darão lugar a novas
teorias, e cujo resultado será sempre coisa nenhuma.

Entender a si mesmo é
aprender sobre aquilo que sentimos, não o sentimento rotulado, mas a sensação
viva que cada coisa proporciona ao nosso ser, no momento em que estamos a
experienciá-la. Isto quer dizer, ouvir nossos sentidos, entender sua
linguagem de forma clara, deixar que nos digam o que verdadeiramente
sentimos. Talvez tenhamos que abrir mão dos rótulos, que nos dizem o que
devemos sentir, ou antecipam de forma sistemática nossas emoções. Se entramos
numa sala escura, e já temos idéias formadas sobre a escuridão, é certo que
vamos ignorar todo resto, pois nossa atenção vai estar completamente focada
apenas no fato de estar tudo escuro.

É fácil ver o que
significa para nós a palavra felicidade? Mas a palavra felicidade é apenas um
conceito com formas e normas próprias, ela não representa de forma alguma a
felicidade, o estado independente que de fato ela é. Antes disso, passa
apenas a expressar uma idéia de felicidade, que as pessoas instituíram para
si, um mero modelo material, um esquema burocrático que se interpretado e
seguido à risca supostamente faria aquela pessoa feliz. Seria no entanto,
apenas uma condição instituída de algo que nos proporcionaria momentaneamente
satisfação. Satisfação é a simples realização de um desejo, e assim sempre
restam outros e outros, que nunca serão satisfatoriamente atendidos, isso
estaria mais próximo de infelicidade e não de felicidade.

Assim, entender e
depois compreender que as palavras não são capazes de reproduzir nas pessoas
aquilo que se prestam a expressar, seria o primeiro passo nessa direção.
Podemos por exemplo observar todo nosso estado emocional momento a momento,
isso nos proporcionaria um instante único, com benefícios incalculáveis para
todo o nosso ser, onde poderíamos sentir que o tempo pode parar, se
quisermos. Numa primeira etapa, isso ficaria restrito a uma parte do nosso
tempo programado antecipadamente, que poderíamos definir como, a situação de
momento do meu ser. Depois pode ser praticada a qualquer momento, pois a cada
um deles, será uma fração de tempo de novas descobertas.

A
Prática.

O exercício poderá ser realizado individualmente ou em grupo.

A
pessoa
pode estar sentada ou em pé, mas o importante é que esteja
parada, e na medida do possível, relaxada e em silêncio. De qualquer modo à
própria prática promove o relaxamento natural do indivíduo. Por estar
relaxado, entendemos, NÃO dar atenção a qualquer outra coisa, que não seja
aquilo que se vai realizar naquele momento. Devemos ter em mente, que apenas
uma coisa pode ser realizada por vez.

Podemos
orientar
para alguém fechar os olhos, e calmamente pedir que tente
perceber o ambiente. Peça para que escute o que ouve, cada barulho, cada
coisa que possa identificar como ruído. De olhos fechados e atenta, a pessoa
deverá escutar e perceber, sem identificar, quer dizer, sem dar nomes, cada
ruído existente no ambiente. Peça que ela apenas escute, sem resistência, sem
dar opiniões sobre o que ouve. A cada som que escuta, ela deve tentar
descobrir de onde vem. Depois de um tempo, aí sim, deverá tentar identificar
o que é cada coisa que consegue ouvir, inclusive o silêncio; isso inclui sua
própria respiração e a de outros ao seu lado, caso esteja em grupo.

Feito
isso,

sua atenção estará totalmente focada naquela ação, sua mente estará então,
sem resistência ou esforço, centrada apenas naquilo que está fazendo, sem
saltitar de um lado para outro em busca do que fazer. Depois peça para que
sinta aquilo que é capaz de perceber nesse estado, e você verá que ela estará
naturalmente calma, ciente de tudo à sua volta, consciente de que é capaz de
ter autocontrole e atenção.

Dentro
da mesma metodologia
, numa outra etapa, peça para que sintam os cheiros,
depois as sensações térmicas, e com isso seu estado de atenção estará pleno,
trabalhando de uma forma tão intensa quanto nunca antes, conscientemente
experimentou. O estado resultante dessa pequena prática, é segurança pessoal,
calma, equilíbrio psicológico, consciência intensa de si mesmo, o que quer
dizer, uma porta aberta ao autoconhecimento.

Fonte: http://sitededicas.uol.com.br/art_obs_silenciosa.htm

Autor: Alberto Filho
email: albjorge@yahoo.com.br

 

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